A Revolução dos Bichos

A decepção com o stalinismo ou com o autoritarismo ditatorial que desvirtuou os propósitos da Revolução soviética atingiu vários intelectuais europeus que foram comunistas ou simpatizantes do comunismo em meados do século 20. Foi exatamente essa decepção que levou o inglês George Orwell a escrever as duas obras que o colocariam na história da literatura universal: “1984” e “A Revolução dos Bichos”.

Neste último o autor tematiza exatamente o fracasso da Revolução e a ascenção do stalinismo, recorrendo ao velho expediente das fábulas tradicionais, ou seja, utilizando-se de animais para representar os homens. O ponto de partida são as reflexões de um velho porco (que representa Karl Marx), o qual constata que os animais, apesar de superiores aos homens, são explorados por eles. Propõe, então, uma revolução que modifique esse estado das coisas.

O porco morre, mas outros porcos decidem levar seus ideais adiante, promovendo a revolução na fazenda onde vivem. Com o auxílio de outros animais, subjugam o dono da propriedade, que passam a administrar, teoricamente em benefício da coletividade animal. Porém, com o passar do tempo, os porcos vão se impondo aos outros bichos e assumem, na prática, o papel que era exercido pelos homens.

Na visão orwelliana do processo revolucionário, os porcos representam os bolchevistas e o desenvolvimento da trama vai mostrá-los assumindo o mesmo papel de domínio e exploração anteriormente exercido pelos homens, que se identificariam com a burguesia.

É impossível discordar do autor no que se refere ao chamado socialismo real. Em todos os lugares do mundo onde ele foi implantado ao longo da história, um partido – e via de regra o líder desse partido – tomaram o lugar da classe social que deveria comandar o processo revolucionário, substituindo a “ditadura do proletariado” proposta por Marx por uma ditadura do partido. Foi assim na União Soviética e em seus satélites do Leste Europeu, na China, no Camboja, em Cuba e na Coréia do Norte.

Dada a difusão das idéias socialistas em toda a América do Sul, a leitura de “A Revolução dos Bichos” continua atual e oportuna, ajudando o leitor a refletir sobre utopias e realidade, bem como a questionar a retórica da construção de uma sociedade mais justa e igualitária, em nome da qual “os fins justificam os meios” (veja plano de aula).

A Revolução dos Bichos

George Orwell

Companhia das Letras

126 págs.

Originalmente publicado aqui.

“Reforma Política” encabeçada pela CNBB não passou por deliberação da Assembléia dos Bispos

Comissão de leigos ouviu os bispos e constatou que, de fato, a “reforma política” da Coalizão encabeçada pela CNBB (reforma esta de interesse do PT) não é consenso entre os bispos.

Por Prof. Hermes Rodrigues Nery | Fratres in Unum.com: Estivemos em Aparecida (SP), na sexta-feira, 17 de abril, onde pudemos ouvir, conversar e dialogar com vários bispos que participam da 53ª assembleia da CNBB.

Explicamos aos bispos que a "reforma política" proposta pela Coalizão encabeçada pela CNBB visa consolidar o projeto de poder do PT, com a implantação do socialismo no Brasil, em conformidade com as diretrizes do PT e do Foro de São Paulo.

Primeiramente fomos ouvir dos bispos o que pensam realmente da adesão da CNBB à Coalizão de 103 entidades, encabeçando uma reforma política que defende os mesmos pontos de interesse do PT, conforme atesta o recente documento o 5º Congresso Nacional do partido, a ser realizado em Salvador, de 11 a 13 de junho próximo.

Explicamos aos bispos que a reforma política proposta pela Coalizão encabeçada pela CNBB visa a implantação do socialismo no Brasil, em conformidade com as diretrizes do PT e do Foro de São Paulo, no contexto de um processo em curso já avançado de consolidação da chamada “Patría Grande” socialista, com o que o governo do PT está bastante comprometido, e usando a capilaridade da Igreja, via CNBB e segmentos da Igreja (Pastoral da Juventude outras pastorais sociais) para esses fins. Tal objetivo político conflita com a doutrina moral e social da Igreja, daí o questionamento ao posicionamento da CNBB quanto a esta reforma política.

Depois de conversar com vários bispos, constatamos que:

  1. O tema da “reforma política” não é consenso entre os bispos.
  2. O Projeto de iniciativa popular da Coalizão encabeçada pela CNBB não foi deliberado em assembleia, mas apenas decisão do Conselho Permanente.
  3. Há muitos bispos desinformados do assunto e que se interessaram em obter mais dados sobre o tema.
  4. Conseguimos o apoio de vários bispos que irão aprofundar o tema com os demais ainda durante a assembleia.

Entregamos aos bispos uma carta expondo o conteúdo da petição pública pedindo a retirada da CNBB ao apoio a esta reforma política da Coalizão, com o seguinte teor:

“Nós, CATÓLICOS, pertencentes ao Movimento LEGISLAÇÃO E VIDA, e membros de pastorais em nossas respectivas paróquias, vimos a presença de Vossas Excelências Reverendíssimas para solicitar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) imediatamente RETIRE o seu apoio da proposta de reforma política apresentada pela “Coalizão pela Reforma Política Democrática” na forma de um projeto de lei de iniciativa popular (Cf. [http://www.reformapoliticademocratica.org.br/conheca-o-projeto/]). Exigência fundamentada nos motivos aqui resumidamente expostos.

A CNBB está empenhada em recolher assinaturas de católicos para legitimar uma proposta de reforma política com ítens absolutamente contestáveis. (1) A proibição do financiamento de campanha por empresas, termo que apresenta um componente ideológico escandaloso, excluindo as empresas – representadas por seus proprietários – de se posicionarem em um plano da vida pública que é determinante para o exercício de suas atividades. (2) Eleições proporcionais em dois turnos, processo que, ao contrário da economia advogada no projeto, geraria um gasto mostruoso de recursos públicos. (3) Paridade de gênero, com o estabelecimento descabido do sexo – e não da competência e qualificação – como critério para pleitear o exercício de um mandato político.

Mas o elemento que definitivamente compromete o apoio da CNBB à proposta de reforma política é (4) o fortalecimento dos mecanismos de “democracia direta”. Trata-se de uma forma de inserir a “sociedade civil” nas decisões que envolvem “questões de grande relevância nacional”, colocando-a na elaboração e na condução de plebiscitos e referendos (Cf. Art. 3A e 3B, 8A, p. 18). Acontece que a “sociedade civil” será representada – não pelo cidadão comum -, mas por uma série de organizações e “movimentos sociais” como MST, CUT, UNE, CTB, UBM, CONTAG, ABONG, etc. Estes grupos – que assinam a proposta de reforma política com a CNBB – serão inseridos nas instâncias decisórias da vida pública e eles irão definir quais são as “questões de grande relevância nacional”. Grupos que contrariam frontalmente os princípios e orientações da Igreja Católica: disseminam a luta de classes; promovem atividades criminosas contra o patrimônio público e privado; estão comprometidos com a ideologia de gênero; exigem a legalização das drogas e a implantação definitiva do ABORTO – do ASSASSINATO DE CRIANÇAS – no Brasil.

Nota-se, claramente, que o projeto maquia um consórcio para administrar as “questões de grande relevância nacional” e realizá-las. Não só no âmbito político, mas social e comportamental. Um esquema de concentração de poder que se mostra ainda mais pernicioso quando se traça a ligação dos grupos e “movimentos sociais” envolvidos, que são controlados e financiados sobretudo pelo PT e por seus aliados, por sua vez comprometidos com a promoção do totalitarismo ditado pelo Foro de São Paulo – organização fundada por Lula e por Fidel Castro para fomentar o socialismo-comunismo na América Latina.

Por isso o entusiasmo e engajamento do ex-Presidente Luiz Inácio, que tratou de convocar a militância petista para trabalhar em favor da referida proposta de reforma política (Cf. [http://youtu.be/q1X66PR3KZc]). Contudo, é lamentável o pacto que a CNBB firmou com a presidente Dilma Rousseff para impulsionar a proposta (Cf. [http://www.saladeimprensadilma.com.br/2014/08/25/dilma-sobre-campanha-vou-me-dedicar-a-esclarecer-os-mitos-e-a-discutir-propostas/]), uma vez que se trata de promover um esquema de poder de natureza expressamente condenada pela Igreja Católica:

“O comunismo é doutrina nefanda totalmente contrária ao direito natural” (Pio IX, “Qui pluribus”);

“O comunismo é intrinsecamente mau” (Pio XI, “Divini Redemptoris”);

[…] “[o socialismo] é incompatível com os dogmas da Igreja Católica, pois concebe a própria sociedade como alheia à verdade cristã” […] “Católico e socialista são termos antitéticos” […] “Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios. Ninguém pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e verdadeiro socialista” (Pio XI, “Quadragesimo Anno”).

Congregação do Santo Ofício, 1949. (1) É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira? Não. O comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo […] (4) Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e sobretudo os que as defendem e propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica? Sim. – II. Congregação do Santo Ofício, 1959. É permitido aos cidadãos católicos, ao elegerem os representantes do povo, darem seu voto a partidos ou a candidatos que, mesmo se não proclamam princípios contrários à doutrina católica e até reivindicam o nome de cristãos, apesar disto se unem de fato aos comunistas e os apoiam por sua ação? Não, segundo a diretiva do Decreto do Santo Ofício de 1o. de Julho de 1949, n.1 [3865].

Nestes termos, nós, CATÓLICOS , cientes da fidelidade que a CNBB  tem à doutrina, aos princípios e às orientações da Igreja Católica Apostólica Romana; apresentamos nossa reivindicação para que a CNBB imediatamente RETIRE o seu apoio da proposta de reforma política apresentada pela “Coalizão pela Reforma Política Democrática” e com ele TODAS AS ASSINATURAS dos fiéis católicos que recolheu para legitimar essa iniciativa.

Pelos motivos expostos, solicitamos ainda que a Conferência dos Bispos abandone a campanha por um “Plebiscito Constituinte”. Trata-se de uma iniciativa do PT que foi inclusive incorporada à campanha de Dilma Rousseff, com as assinaturas entregues nas mãos da candidata (Cf. “Dilma recebe 7,5 mi de assinaturas por plebiscito para reforma política”, G1, 13 de Outubro de 2014 [http://g1.globo.com/distrito-federal/eleicoes/2014/noticia/2014/10/dilma-recebe-75-mi-de-assinaturas-por-plebiscito-para-reforma-politica.html]). Ela tem basicamente os mesmos agentes promotores do projeto de reforma política, e em essência o mesmo objetivo: fortalecer um vasto esquema de poder que contraria integralmente os princípios e orientações da Igreja Católica.

Sendo o que se apresenta para o momento, agradecemos pela atenção e esperamos que tal documento seja considerado pelos senhores durante essa assembleia e que possam ser reavaliados os passos já dados pela CNBB no que diz respeito a reforma política em curso.

Movimento Legislação e Vida 

Manifestamos ainda aos bispos a nossa preocupação com a possível eleição de Dom Joaquim Mol a Secretário-Geral da CNBB. Alguns bispos nos deram seus contatos pessoais e ficamos de apresentar material, documentos, dados e mais informações para eles, que se interessaram em aprofundar a questão.

Agradecemos de modo especial à Missão Tarso (Cláudio e Kátia) e à Meri Angélica Harakava, que estiveram conosco nesta importante missão. E à Flavia Camargo que xerocou a documentação entregue aos bispos. Que Deus os abençoe sempre, com a família.

Originalmente publicado aqui.

Cota não garante maior igualdade de sexo nos conselhos das empresas, aponta estudo

JENNIFER RANKIN
DO “GUARDIAN”

As cotas não são a estratégia mais eficiente para aumentar a influência das mulheres no mundo dos negócios, aponta estudo da Universidade de Cambridge. As mulheres têm maior probabilidade de conseguirem postos no alto escalão empresarial em países nos quais detenham, de maneira geral, maior poder econômico e político.

O poder econômico das mulheres, medido em termos de anos de educação e da porcentagem de mulheres no mercado de trabalho, é o fator mais importante para garantir maior igualdade entre os sexos na composição dos conselhos, de acordo com uma pesquisa entre 1.002 companhias em 41 países.

O poder político das mulheres, medido com base no número de legisladoras do país e nos direitos de licença-maternidade e paternidade, também mostra forte correlação com as oportunidades nos conselhos, constatou a pesquisa, que é considerada a maior desse tipo já realizada.

Eric Piermont/AFP
Marissa Mayer, 39, presidente do Yahoo!, é uma das ainda poucas mulheres em altos cargos de grandes empresas
Marissa Mayer, 39, presidente do Yahoo!, é uma das ainda poucas mulheres em altos cargos de grandes empresas

O relatório constatou que as cotas para mulheres em conselhos –adotadas em países como Noruega, Israel e Índia– desempenham papel limitado. Embora tenham ajudado a conduzir mulheres aos conselhos, não se traduziram em mandatos longos para elas, o que desperta a questão de um possível giro elevado de mulheres nesses postos.

Austrália, Noruega, Dinamarca e Finlândia, países em que as mulheres têm nível elevado de poder econômico, receberam boa classificação quanto ao número de mulheres que integram conselhos de empresas. O Reino Unido ficou no nono lugar do ranking, atrás da Holanda e adiante da França, com base nas médias de resultados para um período de 10 anos.

Sucheta Nadkarni, professora da escola de administração de empresas da Universidade de Cambridge e autora do relatório, disse que o poder econômico das mulheres amplia o número de mulheres nos conselhos e a duração de sua presença: “Se o mercado passa a conferir oportunidades mais iguais aos sexos, isso incentiva os conselhos a fazer o mesmo”.

Helena Morrissey, presidente-executiva da Newton Investment Management, uma das patrocinadoras da pesquisa, argumentou que o estudo refutava a frequente crítica de que a presença de mulheres em conselhos é uma questão de elite e irrelevante para os trabalhadores que ficam fora dos circuitos de poder empresariais.

“O que esse estudo demonstra é que, para conduzir mais mulheres ao topo, para incluir mulheres nos conselhos, é preciso aumentar o poder daquelas que não fazem parte de conselhos… [Isso constitui] um círculo virtuoso”, ela afirmou.

“[É costume ouvir que] estamos substituindo homens prósperos de meia-idade por mulheres prósperas de meia-idade nos conselhos, mas na verdade o que isso demonstra é que [a presença de mulheres nos conselhos] exerce impacto sobre todas as mulheres e a sociedade”.

O estudo surge em meio ao debate no Reino Unido sobre a melhor maneira de elevar o número de mulheres em postos executivos, agora que a meta oficial para presença de mulheres nos conselhos parece a ponto de ser atingida. As companhias que integram o índice de ações FTSE-100 precisam recrutar 17 mulheres a mais para seus conselhos, até o final do ano, a fim de que a meta de 25% seja atingida.

Ao contrário da Noruega, o Reino Unido não recorreu a cotas compulsórias para a presença de mulheres em conselhos, optando por uma meta voluntária proposta pelo lorde Mervyn Davies, o defensor da igualdade entre os sexos no governo, e apoiada por Vince Cable, o secretário de Negócios.

“É evidente que temos um longo caminho a percorrer antes que exista verdadeira igualdade entre os sexos em todos os níveis”, diz Morrissey, que em 2010 fundou o Clube 30% a fim de conduzir mais mulheres a postos de liderança.

Quando a marca dos 25% for ultrapassada, ela advoga deixar que as companhias “ajam por sua conta” a fim de promover estratégias de igualdade entre os sexos, em lugar de impor uma nova meta para a presença feminina com a ajuda do governo. “Eu não criaria o Clube 30% hoje”, ela diz. “Existe hora e lugar para certas intervenções, e agora devemos garantir que cheguemos a um estágio mais evoluído”.

“Obviamente isso não quer dizer que desistirei da luta, mas não é mais necessário persuadir os presidentes de conselhos sobre essa questão”, ela acrescentou.

Nem todos compartilham de sua opinião. Acadêmicos do Centro Internacional Cranfield de Lideranças Femininas alertaram que a participação feminina em conselhos pode ficar estagnada abaixo do um terço se não houver metas mensuráveis. Morrissey rebate que “isso é um risco, mas não um grande risco”.

Morrissey, que comanda um poderoso fundo de investimentos, disse que políticas como licença compartilhada para pais e mães podem contribuir para “uma grande reacomodação”. E as empresas por enquanto mal arranharam a superfície de práticas mais flexíveis de trabalho, ainda vistas como “benefício aos trabalhadores” e não como forma de extrair o melhor de trabalhadores de ambos os sexos.

O trabalho flexível precisa ser redefinido como “forma de encorajar todo mundo a viver uma vida plena e fazer seu trabalho”, e não como “algo relacionado à igualdade entre os sexos”, ela disse.

No entanto, Morrissey admitiu estar desapontada pela baixa presença de mulheres entre os presidentes-executivos de grandes companhias do Reino Unido. Entre as empresas que integram o FTSE-100, apenas três mulheres ocupam esse posto. “Ainda temos a sensação de que as pessoas estão guardando lugar para seus amigos”, ela disse.

Tradução de PAULO MIGLIACCI*

Originalmente publicado aqui.

Socialismo Fabiano – Os Milionários por trás do Esquerdismo

Pra quem não sabe Socialismo Fabiano, em uma linguagem bem simples, é o Socialismo da Elite. Socialismo fabiano é o nome atribuído ao movimento intelectual criado pela organização britânica “Sociedade Fabiana” no fim do século XIX cujo objetivo era a busca dos ideais socialistas por meios graduais e reformistas, em contraste com os meios revolucionários propostos pelo marxismo.

Estes Socialistas Fabianos são pessoas ricas que patrocinam organizações de esquerda com o objetivo de disseminar o socialismo e ao mesmo tempo utilizar o socialistas como massa de manobra para os seus objetivos. Os esquerdistas, lógico, negam este fato, pois eles ainda não compreenderam que o Socialismo não passa de um plano totalitário de governo. É por isso que eles fazem questão de criticar os “capitalistas” em sites patrocinados com o dinheiro da Petrobrás. Como neste exemplo do Opera Mundi

opera mundiÉ importante deixar claro que não estou criticando o patrocínio da Petrobras, más somente a hipocrisia deles em criticarem tanto o capitalismo ao mesmo tempo que se beneficiam com isso.

Neste site aqui (Liberdade Econômica) eu não teria nenhum problema em receber patrocínio de empresas como a Petrobras. Por isso eu até peço que me patrocinem. Contudo a questão é a seguinte: Será que a Petrobras patrocina sites que são verdadeiramente contrários ao governo? Até onde eu teria que “controlar” o conteúdo do site para conseguir este tipo de patrocínio?

Todos os grandes sites e movimentos de esquerda são sempre patrocinados pelos Socialistas Fabianos que são homens e mulheres muito ricos que possuem interesses no socialismo. Para que vocês compreendam nós vamos começar pelo próprio Opera Mundi e sua lista de Parceiros.1

Se vocês forem na parte de parceiros do site verão o banner do site Publica

4
Se forem na parte de Parceiros do Publica verão a seguinte lista:parceiros

Então vamos falar sobre os principais sites e grupos citados nesta lista:

Comecemos com a Fundação Carlos Chagas

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A Fundação Carlos Chagas (FCC) é uma instituição que tem por finalidade a aplicação de provas nos mais variados concursos do Brasil. Foi criada em 1964, como uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos e reconhecida como utilidade pública nos âmbitos federal, estadual e municipal.

A Fundação Carlos Chagas já realizou mais de 2.300 concursos em nome de mais de 271 instituições públicas e privadas, para um total de mais de 20 milhões de candidatos.

Citemos agora a Ford Foundation ou Fundação Ford: Visite o site oficial: http://www.fordfoundation.org/regions/brazil3

A Fundação Ford foi fundada por Henry Ford  (Springwells, 30 de julho de 1863 — Dearborn, 7 de abril de 1947) foi um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo. A introdução de seu modelo Ford T revolucionou os transportes e a indústria dos Estados Unidos. Ford foi um inventor prolífico e registrou 161 patentes nos Estados Unidos. Como único dono da Ford Company, ele se tornou um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo.

Veja uma lista das Organizações aqui no Brasil que possuem ligações com a Fundação Ford

org

Vamos comentar esta lista:

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea)

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) é uma organização não-governamental brasileira, fundada em 1989

Veja aqui uma explicação resumida do que é a Cfemea

cfemea

Podemos citar a Parceria com a Fundação Carlos Chagas  que foi citada logo acima e está na lista do site Publica.

CapturarVeja este artigo aqui

3A mulher na foto é Ana Toni, Representante da Fundação Ford no Brasil.

A Fundação Ford Também tem parceria com o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH)

Veja o artigo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Nilcéa Freire, diretora da Fundação Ford no Brasil e ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulher, manifestou a intenção de dar continuidade à parceria com o Núcleo de Estudos de Políticas Públicas e Direitos Humanos (NEPP-DH) da UFRJ.

Se repararem na lista das organizações poderão ver várias universidades e grupos com características esquerdistas.

Se quiser ver a declaração de doações da Fundação Ford basta entrar aqui.

Esta lista está relacionada ao Brasil. Porém, se formos listar o mundo todo, descobriremos muita coisa por trás da Fundação Ford.

Nos Parceiros do Publica podemos ver o Anonymous Brasil

anSe você acompanha o site deles poderá ver que os donos deste site são totalmente esquerdistas.

Temos também o Blog do Sakamoto, aquele gênio esquerdista.

4O interessante é que ele está na área dos “Republicadores”, ou seja, ele republica os artigos do Publica.

Carta Capital também está na jogada.

cartaOpera Mundi Claro

operaPortal Vermelho

portalAté o Yahoo Brasil

yahooAgora vamos falar sobre outro apoiador do Publica. A Open Society Foundations. Visite o siteopenDepois que você entrar no site clique em About Us para ver quem é o responsável pela fundação.

about

Você verá que o responsável pela organização é um camarada chamado George Soros

george

Se você tiver curiosidade poderá digitar o seguinte endereço no seu navegador:  http://www.soros.org . Se fizer isso você verá que vai cair no site da Open Society Foundations.
George Soros (Budapeste, 12 de Agosto de 1930) é um empresário e homem de negócios húngaro-americano. Ficou famoso pelas suas atividades enquanto especulador, nomeadamente em matéria de taxas de câmbio, chegando a ganhar 1 Bilhão de dólares em um único dia apostando contra o banco da Inglaterra.

Atualmente é o Presidente da Soros Fund Management e da Open Society Institute, tendo pertencido à Administração do Council on Foreign Relations.

Nos Estados Unidos é conhecido por ter doado montantes exorbitantes para eleger o presidente Barack Obama.

Em 2012 a Revista Forbes classificou Soros como a 22° pessoa mais rica do mundo, com 20 bilhões de dólares. Veja a lista aqui.

Visite o site pessoal dele aqui.

George Soros é o dono do AVAAZ. O site de petições online. Veja o artigo completo aqui.

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A AVAAZ é uma das organizações fundadas e financiadas por George Soros, o judeu antissemita e antissionista húngaro que, dizem as más línguas, começou sua brilhante carreira de multibilionário denunciando aos nazistas pessoas da comunidade judaica de Budapest. Seu verdadeiro nome é György Schwartz. Seu pai, Tvadar Schwartz, judeu não religioso, trocou o sobrenome por Soros quando o nazismo começou a crescer na Hungria em 1930. Em 1944 quando Adolf Eichman chegou à Hungria para levar a cabo a “Solução Final”, os filhos de Tvadar foram distribuídos por famílias cristãs. György acabou na casa de um homem cujo ‘trabalho’ era confiscar propriedade dos judeus. Soros o acompanhou e também lucrou. Mais tarde, declarou que 1944 foi o melhor ano de sua vida. (ver em Soros: Republic Enemy #1).

Este dossiê acima pode ser adquirido em http://www.aim.org/soros/. Para conhecer melhor Soros leiam, no mínimo,The Hidden Soros Agenda: Drugs, Money, the Media, and Political Power, e The Dangerous Soros Agenda, ambos de Cliff Kincaid.

A AVAAZ é um apêndice da MoveOn.org, é conhecida por publicar propaganda anti-israelense, exigir de Israel a negociação com a organização terrorista Hamas, que sequer aceita a existência do estado judeu. No Canadá fez campanha para tirar das eleições todos os candidatos do Partido Conservador. Outra organização afiliada é aChange.org.

Investiu em terras no Brasil, Argentina e Uruguai através de sua empresa ADECOAGRO, cujas propriedades atingem 300 mil hectares e vende terras com 36% de desconto. Mais informações sobre a empresa podem ser lidas aqui. A especulação corre solta. Um exemplo é a Fazenda San Jose comprada por US$ 85,00 o ha. e vendida por US$ 1,212.00, 14 vezes mais caro.

Impossível de negar são as ligações de Fraga com o Inter-American Dialogue ao qual pertence Fernando Henrique Cardoso. Além disto, Fraga é membro do Council on Foreign Relations,

Através do Soros Fund Management LLC, George Soros vendeu 22 milhões de dólares de ações ordinárias da Petrobrás e comprou 5.8 milhões em ações preferenciais, em 2010.

A AVAAZ é dirigida no Brasil pelo petista Pedro Abramovay (assistir seu vídeo aqui).

Veja a lista de grupos que George Soros patrocina somente nos EUAgeorge

George soros também pertenceu a Council on Foreign Relations.

A CFR foi fundada pela Fundação Rockefeller que foi fundada por John Davison Rockefeller que foi o fundador daStandard Oil Company, que é a maior empresa de petróleo do mundo conhecida aqui no Brasil como Esso.

A Fundação Rockefeller é conhecida por sua associação com JP Morgan Chase, uma das maiores instituições bancárias do mundo.

Veja este artigo sobre Grandes banqueiros e grupos que patrocinam o Movimento Gay

Vários bilionários (Jeff Bezos da Amazon, Bill Gates, etc.) já doaram milhões de Dólares para as comissões pró-casamento gay. Assim como grupos ligados a George Soros, Bezos, Goldman Sachs ou JP Morgan.

Fontes: Bloomberg, Policymic, Business Insider, BusinessWeek, The Caucaus (New York Times)

Aqui vocês podem ver Mark Zuckerberg, dono do Facebook, participando da parada Gay.

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Vale lembrar que pessoas como George Soros e Bill Gates (Que patrocinam movimentos de Esquerda) são eugenistas e defendem a ideia de que raças inferiores devem ser eliminadas.

Como podem ver, diante de todos os fatos que foram apresentados aqui, os homens mais ricos do mundo patrocinam a esquerda mundial e estão diretamente ligados com os movimentos de esquerda do Brasil além de serem os patrocinadores de seus sites.

Agora vocês já sabem quem são os Socialistas Fabianos e quem são as pessoas que a esquerda apoia ao mesmo tempo que são apoiados por eles.

Originalmente publicado aqui.

Eduardo Wolf: Soberba moral

O filósofo britânico Roger Scruton discute como a ideologia política impõe a degradação moral a pensadores da nova esquerda

07/02/2015 | 15h03

Eduardo Wolf: Soberba moral SE7/Policy Exchange,Wikicommons

O filósofo britânico Roger ScrutonFoto: SE7 / Policy Exchange,Wikicommons

* Professor e tradutor. Escreve mensalmente no PrOA

Em uma passagem do ensaio A Política e a Língua Inglesa, George Orwellexamina um caso de degradação da linguagem por propósitos políticos que bem iluminaria ainda outra degradação, uma espécie de rebaixamento moral generalizado de toda a sociedade. Segundo Orwell, para entender seu ponto bastaria imaginar um professor universitário inglês vivendo com todo conforto e ativo na defesa do totalitarismo soviético (lamentavelmente, não foram poucos); como ele não poderia dizer às claras o que pensa – “Defendo o assassinato de oponentes quando se pode obter bons resultados com isso” –, é bem provável, prossegue Orwell, que recorresse a outro tipo de fraseado: “Enquanto é senso comum que o regime soviético exibe certas características que os humanitários talvez estejam inclinados a deplorar, devemos, creio eu, concordar que um certo cerceamento dos direitos políticos dos opositores é uma inevitável concomitância em períodos de transição, e que os rigores que o povo russo foi chamado a suportar são amplamente justificados na esfera das conquistas concretas” (a tradução que aqui vai é do amigo Pedro Gonzaga).

Orwell foi preciso em seu diagnóstico, reconhecendo que o palavreado pomposo ocultava a baixeza moral e política de parcela considerável dos intelectuais e acadêmicos seus contemporâneos. O transe ideológico dos intelectuais, contudo, iria mais longe no século 20: um dos mais célebres historiadores ingleses, Eric Hobsbawm, em entrevista de 1994 a Michael Ignatieff (disponível na íntegra no YouTube), questionado se a morte de milhões e milhões de pessoas seria justificada por uma vitória dos ideais soviéticos, responde com frieza e tédio apenas “Sim”. Eric Hobsbawm pode ser considerado uma versão patológica do que as ideologias fizeram com algumas das mais brilhantes mentes do século, à esquerda e à direita. Mas o caminho que consolidou essa patologia como condição de normalidade nos meios letrados do Ocidente durante décadas (traço que persiste até hoje) contou com a colaboração de inúmeros escritores, intelectuais, artistas e acadêmicos. É essa tradição, e mais especialmente aquela que ficou conhecida pelo termo “nova esquerda” (em sentido bastante alargado), que o filósofo britânico Roger Scruton examina no livro Pensadores da Nova Esquerda, publicado pela É Realizações e com tradução do amigo Felipe Pimentel  (que, não satisfeito em ser o melhor professor de nossa geração, por acaso de História, ainda resolveu prestar esse serviço à vida inteligente do país).

Roger Scruton, sobre quem escrevi na primeira coluna para o PrOA (4 de maio de 2014), submete um grande time de pensadores (Antonio Gramsci, Jean-Paul Sartre, György Lukács, Perry Anderson, entre outros), vários deles com contribuições inegáveis e valorosas a seus respectivos campos de atuação, a um exame crítico impiedoso, mas rigoroso e justo. Desse exame, nossa perplexidade talvez moderada com o caso imaginado por George Orwell para ilustrar a degradação moral que a ideologia política impunha à linguagem transforma-se, no mínimo, em horror. Um dos elementos mais incômodos que reconhecemos na atitude desses intelectuais é a afetação de uma superioridade moral que somente a adesão a uma ideologia – a sua – pode conferir. Essa soberba moral é, muito possivelmente, a principal responsável pela sistemática desconsideração dos fatos, das evidências mais elementares, sempre que fatos e evidências contrariem os interesses político-ideológicos a que aderiu o intelectual em questão.

É verdade que não existe mais, ao menos, não a sério, socialismo a ser defendido por adultos. A soberba moral da esquerda, contudo, permaneceu. Pode ser que hoje tal atitude se revele mais frequentemente na empáfia dos que comem brócolis, em detrimento da abominável carne, ou andem de bicicleta, em vez do venenoso carro. Mas por vezes ela aparece em registros mais graves, como naqueles que adotam posturas negacionistas em face dos relatos terríveis de quem vive sob regimes desprezíveis, como o venezuelano ou o iraniano, ou nos vergonhosos discursos que  justificam (frequentemente com entusiasmo) o terror islâmico como reação ao demoníaco capitalismo ocidental. A história se repete, nesse caso como tragédia: quem está sob o mau tempo real nada sabe; quem sabe são os intelectuais da esquerda, vivendo nas “perigosas” democracias liberais do Ocidente.

Originalmente publicado aqui.

A simbiose nefasta entre CNBB e PT: os bolivarianos infiltrados na igreja

A CNBB lançou sua campanha de 2015 com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com direito à presença do presidente da OAB. Ambas as entidades se mostram cada vez mais ideologizadas, agindo em prol de uma agenda política. A mistura entre religião católica e socialismo não é nova, e a infiltração vermelha na CNBB já é praticamente total. O mesmo ocorre na Pastoral da Juventude, organização de jovens ligada à CNBB. O uso político dessas entidades foi tema de editorial do Estadão desta segunda-feira. O jornal diz:

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Eu mesmo já chamei a CNBB de Conferência Nacional dos Bispos Bolivarianos, tamanha a adesão da entidade à cartilha socialista. Ocorre que o cristianismo, ou mesmo o catolicismo, se bem entendido, não pode ser confundido com socialismo. Um legítimo cristão jamais endossaria a agenda autoritária e antagônica ao indivíduo como aquela dos bolivarianos, representados no Brasil pelo PT.

É verdade que passagens isoladas da Bíblia podem ser usadas para tal propósito, mas isso fala apenas da ambiguidade de algumas mensagens bíblicas. O socialismo é uma tentativa laica de se apropriar do conceito de solidariedade, até então presente nas diferentes religiões. Uma espécie de monopólio das virtudes, que tenta conquistar o seguidor com base nas supostas intenções, não nos atos concretos em prol dos demais.

Que a CNBB finalmente fale de corrupção nessa campanha nova já é um alento, mas ainda é muito pouco. Seu histórico tem sido de conluio com a esquerda nacional, especialmente o PT. Um afastamento político para voltar a focar em mensagens religiosas seria um ótimo passo para a CNBB.

A caridade não tem ideologia, mas uma coisa é certa: não faz sentido falar em “caridade compulsória”, o que anula justamente o precioso livre-arbírio cristão. Logo, defender a agenda confiscatória da esquerda em nome da “justiça social” não tem nada de católico ou cristão. É uma bandeira socialista autoritária, que não combina com a mensagem de Cristo.

O jornal conclui em tom mais otimista, mas confesso manter meu ceticismo quando se trata da CNBB. A explicação vai abaixo, em vídeo no qual Lula explica a estratégia de uso da Igreja para a tomada do poder:

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Agora vejam o que disse o ex-presidente Lula, citando a experiência do líder sindicalista polonês Lech Walesa:

Gramsci fala por trás desses “católicos bolivarianos”. Eles envergonham os verdadeiros católicos, aqueles que prezam o livre-arbítrio, o indivíduo como um fim em si mesmo. A Teologia da Libertação, ligada ao PT, é uma excrescência, um marxismo disfarçado de religião católica. E a CNBB também está totalmente poluída pelo petismo. Essa simbiose nefasta entre catolicismo distorcido e PT precisa acabar logo, pelo bem do Brasil.

Rodrigo Constantino

Originalmente publicado aqui.

Um cadáver no poder (II)

A Teologia da Libertação migrou de sua condição aparentemente religiosa para o plano partidário e para o conglomerado comunista intitulado Foro de São Paulo

Volto à análise da Teologia da Libertação.

Se a coisa e até o nome que a designa vieram prontos da KGB, isso não quer dizer que seus pais adotivos, Gutierrez, Boff e Frei Betto, não tenham tido nenhum mérito na sua disseminação pelo mundo. Ao contrário, eles desempenharam um papel crucial nas vitórias da TL e no mistério da sua longa sobrevivência.

Os três, mas principalmente os dois brasileiros, atuaram sempre e simultaneamente em dois planos. De um lado, produzindo artificiosas argumentações teológicas para uso do clero, dos intelectuais e da Cúria romana. De outro lado, espalhando sermões e discursos populares e devotando-se intensamente à criação da rede de militância que se notabilizaria com o nome de “comunidades eclesiais de base” e viria a constituir a semente do Partido dos Trabalhadores. “Base” é aliás o termo técnico usado tradicionalmente nos partidos comunistas para designar a militância, distinguindo-a dos líderes. Sua adoção pela TL não foi mera coincidência. Quando os pastores se transformaram em comissários políticos, o rebanho tinha mesmo de tornar-se “base”.

No seu livro E a Igreja se Fez Povo, de 1988, Boff confessa que foi tudo um “plano ousado”, concebido segundo as linhas da estratégia da lenta e sutil “ocupação de espaços” preconizada pelo fundador do Partido Comunista Italiano, Antonio Gramsci. Tratava-se de ir preenchendo aos poucos todos os postos decisivos nos seminários e nas universidades leigas, nas ordens religiosas, na mídia católica e na hierarquia eclesiástica, sem muito alarde, até chegar a época em que a grande revolução pudesse exibir-se a céu aberto.
Logo após o conclave que o elegeu, em 1978, o papa João Paulo I teve um encontro com vinte cardeais latino-americanos e ficou muito impressionado com o fato de que a maioria deles apoiava ostensivamente a Teologia da Libertação. Informaram-lhe, na ocasião, que já havia mais de cem mil “comunidades eclesiais de base” disseminando a propaganda revolucionária na América Latina. Até então, João Paulo I conhecia a TL apenas como especulação teórica. Nem de longe imaginava que ela pudesse ter se transformado numa força política de tais dimensões.

Em 1984, quando o cardeal Ratzinger começou a desmontar os argumentos teóricos da “Teologia da Libertação”, já fazia quatro anos que as “comunidades eclesiais de base” tinham se transfigurado num partido de massas, o Partido dos Trabalhadores, cuja militância ignora maciçamente quaisquer especulações teológicas, mas jura que Jesus Cristo era socialista porque assim dizem os líderes do partido.

Dito de outro modo, a pretensa argumentação teológica já tinha cumprido o seu papel de alimentar discussões e minar a autoridade da Igreja, e fora substituída, funcionalmente, pela pregação aberta do socialismo, onde o esforço aparentemente erudito de aproximar cristianismo e marxismo cedia o passo ao manejo de chavões baratos e jogos de palavras nos quais a militância não procurava nem encontrava uma argumentação racional, mas apenas os símbolos que expressavam e reforçavam a sua unidade grupal e o seu espírito de luta.

O sucesso deste segundo empreendimento foi proporcional ao fracasso do trio na esfera propriamente teológica. É possível que na Europa ou nos EUA um formador de opinião com pretensões de liderança não sobreviva à sua desmoralização intelectual, mas na América Latina, e especialmente no Brasil, a massa militante está a léguas de distância de qualquer preocupação intelectual e continuará dando credibilidade ao seu líder enquanto este dispuser de um suporte político-partidário suficiente.

No caso de Boff e Betto, esse suporte foi nada menos que formidável. Fracassadas as guerrilhas espalhadas em todo o continente pela OLAS, Organización Latino-Americana de Solidariedad, fundada por Fidel Castro em 1966, a militância se refugiou maciçamente nas organizações da esquerda não-militar, que iam colocando em prática as ideias de Antonio Gramsci sobre a “ocupação de espaços” e a “revolução cultural”. A estratégia de Gramsci usava a infiltração maciça de agentes comunistas em todos os órgãos da sociedade civil, especialmente ensino e mídia, para disseminar propostas comunistas pontuais, isoladas, sem rótulo de comunismo, de modo a obter pouco a pouco um efeito de conjunto no qual ninguém visse nada de propaganda comunista, mas no qual o Partido, ou organização equivalente, acabasse controlando mentalmente a sociedade com “o poder invisível e onipresente de um mandamento divino, de um imperativo categórico” (sic).

Nenhum instrumento se prestava melhor a esse fim do que as “comunidades eclesiais de base”, onde as propostas comunistas podiam ser vendidas com o rótulo de cristianismo. No Brasil, o crescimento avassalador dessas organizações resultou, em 1980, na fundação do Partido dos Trabalhadores, que se apresentou inicialmente como um inocente movimento sindicalista da esquerda cristã e só aos poucos foi revelando os seus vínculos profundos com o governo de Cuba e com várias organizações de guerrilheiros e narcotraficantes. O líder maior do Partido, Luís Inácio “Lula” da Silva, sempre reconheceu Boff e Betto como mentores da organização e dele próprio.

Nascido no bojo do comunismo latino-americano por intermédio das “comunidades eclesiais de base”, o Partido não demoraria a devolver o favor recebido, fundando, em 1990, uma entidade sob a denominação gramscianamente anódina de “Foro de São Paulo”, destinada a unificar as várias correntes de esquerda e a tornar-se o centro de comando estratégico do movimento comunista no continente.

Segundo depoimento do próprio Frei Betto, a decisão de criar o Foro de São Paulo foi tomada numa reunião entre ele, Lula e Fidel Castro, em Havana. Durante dezessete anos o Foro cresceu em segredo, chegando a reunir aproximadamente duzentas organizações filiadas, misturando partidos legalmente constituídos, grupos de sequestradores como o MIR chileno e quadrilhas de narcotraficantes como as Farc, que juravam nada ter com o tráfico de drogas mas então já costumavam trocar anualmente duzentas toneladas de cocaína colombiana por armas contrabandeadas do Líbano pelo traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar.

Quando Lula foi eleito presidente do Brasil, em 2002, o Foro de São Paulo já havia se tornado a maior e mais poderosa organização política em ação no território latino-americano em qualquer época, mas sua existência era totalmente desconhecida pela população e, quando denunciada por algum investigador, cinicamente negada. O bloqueio chegou ao seu ponto mais intenso quando, em 2005, o sr. Lula, já presidente do Brasil, confessou em detalhes a existência e as atividades do Foro de São Paulo. O discurso foi publicado na página oficial da Presidência da República, mas mesmo assim a grande mídia em peso insistiu em fingir que não sabia de nada.
Por fim, em 2007, o próprio Partido dos Trabalhadores, sentindo que o manto de segredo protetivo já não era necessário, passou a alardear aos quatro ventos os feitos do Foro de São Paulo, como se fossem coisa banal e arqui-sabida. Somente aí os jornais admitiram falar do assunto.

Por que o segredo podia agora ser revelado? Porque, no Brasil, toda oposição ideológica tinha sido eliminada, restando apenas sob o nome de “política” as disputas de cargos e as acusações de corrupção vindas de dentro da própria esquerda; ao passo que, na escala continental, os partidos membros do Foro de São Paulo já dominavam doze países. As “comunidades eclesiais de base” haviam chegado ao poder. Quem, a essa altura, iria se preocupar com discussões teológicas ou com objeções etéreas feitas vinte anos antes por um cardeal que levara a sério o sentido literal dos textos e mal chegara a arranhar a superfície política do problema?

Nos doze anos em que permaneceu no poder, o PT expulsou do cenário toda oposição conservadora, partilhando o espaço político com alguns aliados mais enragés e com uma branda oposição de centro-esquerda, e governou mediante compras de consciências, assassinatos de inconvenientes e a apropriação sistemática de verbas de empresas estatais para financiar o crescimento do partido.

A escalada da cleptocracia culminou no episódio da Petrobrás, onde o desvio subiu à escala dos trilhões de reais, configurando, segundo a mídia internacional, o maior caso de corrupção empresarial de todos os tempos. Essa sucessão de escândalos provocou algum mal-estar na própria esquerda e constantes reclamações na mídia, levando a intelligentsia petista a mobilizar-se em massa para defender o partido. Há mais de uma década os srs. Betto e Boff estão ocupados com essa atividade, na qual a teologia só entra como eventual fornecedora de figuras de linguagem para adornar a propaganda partidária. A TL havia assumido, finalmente, sua mais profunda vocação.

Quem quer que leia os escritos de Gutierrez, Boff e Betto descobre facilmente as suas múltiplas inconsistências e contradições. Elas revelam que esse material não resultou de nenhum esforço teorizante muito sério, mas do mero intuito de manter os teólogos de Roma ocupados em complexas refutações teológicas enquanto a rede militante se espalhava por toda a América Latina, atingindo sobretudo populações pobres desprovidas de qualquer interesse ou capacidade de acompanhar essas altas discussões.
Os boiadeiros chamam isso de “boi-de-piranha”: jogam um boi no rio para que os peixes carnívoros fiquem ocupados em devorá-lo, enquanto uns metros mais adiante a boiada atravessa as aguas em segurança.

Intelectualmente e teologicamente, a TL está morta há três décadas. Mas ela nunca foi um movimento intelectual e teológico. Foi e é um movimento político adornado por pretextos teológicos artificiosos e de uma leviandade sem par, lançados nas águas de Roma a título de “boi de piranha”. A boiada passou, dominou o território e não existem piranhas de terra firme que possam ameaçá-la.
Sim, a TL está morta, mas o seu cadáver, elevado ao posto mais alto da hierarquia de comando, pesa sobre todo um continente, oprimindo-o, sufocando-o e travando todos os seus movimentos. A América Latina é hoje governada por um defunto.

Originalmente publicado aqui.