Transgeneridade é um transtorno mental, afirma médico norte-americano

Dr. Paul R. McHugh, ex-chefe da ala de psiquiatra do Hospital John Hopkins, em Baltimore, disse que a transexualidade é um transtorno mental que merece tratamento, e que a mudança de sexo é biologicamente impossível. O médico disse que as pessoas que promovem a cirurgia de redesignação sexual estão colaborando e promovendo uma desordem mental.

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Dr. McHugh, autor de seis livros e pelo menos 125 artigos médicos, fez essas afirmações em um comentário recente no Wall Street Journal, onde explicou que a cirurgia transexual não é a solução para as pessoas que sofrem dessa desordem – a noção de que a sua masculinidade ou feminilidade é diferente do que a natureza lhes atribuiu biologicamente.

Ele também falou sobre um novo estudo que mostra que a taxa de suicídio entre pessoas transexuais que fizeram a cirurgia de redesignação é 20 vezes maior do que a taxa de suicídio entre os não-transexuais. Dr. McHugh ainda mencionou que estudos da Universidade de Vanderbilt e da Portman Clinic, de Londres, observaram algumas crianças que haviam demonstrado comportamentos transexuais. Ao longo do tempo, de 70% a 80% dessas crianças deixaram espontaneamente esses comportamentos.

Enquanto o governo Obama, Hollywood e grandes meios de comunicação, como a revista Time, promovem o fenômeno transgênero como algo normal, disse o Dr. McHugh, “os legisladores e os meios de comunicação prestam um desfavor ao público e às pessoas transgêneras tratando suas confusões como um direito que precisa ser defendido e não como um transtorno mental que necessita de compreensão, tratamento e prevenção”.

Segundo o médico, a desordem do transgênero consiste na “suposição” de que eles são diferentes da realidade física de seu corpo, da sua masculinidade ou feminilidade, conforme atribuído pela natureza. É uma doença semelhante à de uma pessoa extremamente magra que sofre de anorexia, que se olha no espelho e pensa que está acima do peso.

Esta suposição de que o gênero é apenas uma condição mental, desprezando a anatomia, tem levado algumas pessoas transexuais a requerer que a sociedade aceite essa “verdade pessoal” subjetiva, disse o Dr. McHugh. Como resultado, alguns estados – Califórnia, New Jersey e Massachusetts – aprovaram leis barrando psiquiatras, mesmo com a autorização dos pais, de se esforçarem para restaurar os sentimentos de gênero naturais a um menor transgênero.

Os ativistas da causa transgênero não querem saber dos estudos que mostram que entre 70% e 80% das crianças que expressam sentimentos transexuais perdem espontaneamente esses sentimentos ao longo do tempo. Além disso, dos que fizeram a cirurgia de redesignação sexual, a maioria disse estar “satisfeita” com a operação, mas suas condições psico-sociais posteriores não são melhores do que aqueles que não fizeram a cirurgia.

“Assim, o Hospital Hopkins parou de fazer a cirurgia de redesignação sexual, uma vez que um paciente “satisfeito ” mas ainda perturbado parecia uma razão inadequada para amputar cirurgicamente os órgãos normais” disse o Dr. McHugh.

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O ex-chefe do hospital também alertou contra permitir ou incentivar certos subgrupos, tais como os jovens, suscetíveis a apologia do “tudo é normal” presente na educação sexual, e aos “gurus da diversidade” que habitam as escolas, que, como “líderes culturais”, podem incentivar estes jovens a se distanciar de suas famílias e oferecer conselhos sobre como rebater argumentos contrários à cirurgia transexual.

 

“Mudança de sexo é biologicamente impossível”, disse McHugh. “As pessoas que se submetem à cirurgia de redesignação de sexo não mudam de homens para mulheres ou vice-versa. Em vez disso, eles se tornam homens feminilizados ou mulheres masculinizadas. Alegar que isso é uma questão de direitos civis e encorajar a intervenção cirúrgica é, na realidade, promover um transtorno mental.”

Fonte: CNSNews

 

 

 

Originalmente publicado aqui.

Perspectiva de gênero: seu perigo e alcance (por Jutta Burggraf)

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“O gênero é uma construção cultural; por isso não é nem resultado causal do sexo, nem tão aparentemente fixo como o sexo. Ao teorizar que o gênero é uma construção radicalmente independente do sexo, o próprio gênero chega a ser um artifício livre de ataduras; em consequência, homem e masculino poderiam significar tanto um corpo feminino como um masculino; mulher e feminino tanto um corpo masculino como um feminino.” (1).

Estas palavras, que poderiam parecer saídas de um livro de ficção científica que vaticina uma séria perda do senso comum no ser humano, não são outra coisa senão um extrato do livro “Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity” (“O Problema do Gênero: o Feminismo e a Subversão da Identidade”) da feminista radical Judith Butler, que vem servido há vários anos como livro de texto em diversos programas de estudos femininos em universidades norte americanas de prestígio, onde a perspectiva de gênero vem sendo amplamente promovida.

Enquanto  muitas pessoas poderiam continuar considerando o termo ‘gênero’ como simplesmente uma forma cortês de dizer ‘sexo’ para evitar o sentido secundário que ‘sexo’ tem em inglês. E que, portanto, ‘gênero’ se refira a seres humanos masculinos e femininos, existem outros que há muitos anos decidiram difundir toda uma “nova perspectiva” do termo. Esta perspectiva, para surpresa de muitos, refere-se ao termo gênero como “papéis socialmente construídos”.

A IV Conferencia Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher, realizada em setembro de 1995 em Pequim (1.2), foi o cenário escolhido pelos promotores da nova perspectiva para lançar uma forte campanha de persuasão e difusão. É por isso que desde esse momento a “perspectiva de gênero” vem se filtrando em diferentes âmbitos não apenas nos países industrializados, como também nos países em vias de desenvolvimento.

Definição do termo gênero

Precisamente na cúpula de Pequim, muitos delegados participantes que ignoravam esta “nova perspectiva” do termo em questão, solicitaram a seus principais promotores uma definição clara que pudesse esclarecer o debate. Deste modo a cúpula da conferência da ONU emitiu a seguinte definição:

“O gênero se refere às relações entre mulheres e homens baseadas em papéis definidos socialmente que se refiram a um ou outro sexo”.

Esta definição criou confusão entre os delegados da Conferência, muitos dos quais solicitaram uma descrição mais explícita do termo, pressentindo que pudesse estar mascarando a promoção de certas ideias sobre as orientações e identidades homossexuais, entre outras coisas. Nessa altura, Bella Abzug, ex-congressista dos Estados Unidos, interveio para completar a nova interpretação do termo
“gênero”:

“O sentido do termo ‘gênero’ evoluiu, diferenciando-se da palavra ‘sexo’ para expressar a realidade de que a situação e os papéis da mulher e do homem são construções sociais sujeitas a mudança”.

topicFicava claro, portanto, que os partidários da perspectiva de gênero propunham algo tão temerário como, por exemplo, que “não existe um homem natural ou uma mulher natural, que não há um conjunto de características ou uma conduta exclusiva de um só sexo, nem sequer na a vida psíquica” (2). Deste modo, “a inexistência de uma essência feminina ou masculina nos permite rejeitar a suposta ‘superioridade’ de um ou outro sexo, e questionar que haja uma forma ‘natural’ de sexualidade humana” (3).

Perante tal situação, muitos delegados questionaram o termo assim como sua inclusão no documento. No entanto, a ex-deputada Abzug argumentou acirradamente em seu favor:

“O conceito de ‘gênero’ está encravado no discurso social, político e legal contemporâneo. Foi integrado à planificação conceitual, à linguagem, aos documentos e programas dos sistemas das Nações Unidas. As atuais tentativas de vários Estados Membro de apagar o termo ‘gênero’ da Plataforma de Ação e substitui-lo por ‘sexo’ é uma tentativa insultante e degradante de revogar as conquistas das mulheres, de intimidar-nos e de bloquear o progresso futuro”.

A obsessão de Bella Abzug por incluir o termo em Pequim chamou a atenção de muitos delegados. No entanto o assombro e desconcerto foram maiores assim que um dos participantes difundiu alguns textos empregados pelas feministas de gênero, professoras de reconhecidos Colleges e Universidades dos Estados Unidos. De acordo com a lista de leituras obtida pelo delegado, as “feministas de gênero” defendem e difundem as seguintes definições:

  • “Hegemonia ou hegemônico”: Ideias ou conceitos aceitos universalmente como naturais, mas que na realidade são construções sociais.
  • “Desconstrução”: a tarefa de denunciar as ideias e a linguagem hegemônicas (isto é, aceitas universalmente como naturais), com o objetivo de convencer as pessoas de que suas percepções da realidade são construções sociais.
  • “Patriarcado”, “Patriarcal”: Institucionalização do controle masculino sobre a mulher, os filhos e a sociedade, que perpetua a posição de subordinada da mulher.
  • “Perversidade polimorfa”, “sexualmente polimorfo”: Os homens e as mulheres não sentem atração por pessoas do sexo oposto por natureza, mas sim por um condicionamento da sociedade. Deste modo, o desejo sexual pode dirigir-se a qualquer um dos sexos.
  • “Heterossexualidade obrigatória”: as pessoas são forçadas a pensar que o mundo está dividido em dois sexos que se atraem sexualmente um ao outro.
  • “Preferência ou orientação sexual”: Existem diversas formas de sexualidade, que incluem homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis – como equivalentes à heterossexualidade.
  • “Homofobia”: Temor a relações com pessoas do mesmo sexo; pessoas com preconceitos contra os homossexuais. O termo se baseia na noção de que o preconceito contra os homossexuais tem suas raízes na exaltação das tendências homossexuais.

Estas definições foram tomadas do material obrigatório do curso “Re-Imagem do Gênero” ministrado num prestigiosa faculdade norte-americana. Do mesmo modo, as afirmações seguintes correspondem à bibliografia obrigatória do citado curso:

“A teoria feminista já não pode permitir-se o luxo de simplesmente proclamar uma tolerância do ‘lesbianismo’ como ‘estilo alternativo de vida’ ou fazer alusão e mostrar as lésbicas. Atrasou-se demais uma crítica feminista da orientação heterossexual obrigatória da mulher” (4).

“Uma estratégia apropriada e viável do direito ao aborto é a de informar toda mulher de que a penetração heterossexual é uma violação, seja qual for sua experiência subjetiva contrária”. (5)

As afirmações citadas poderiam parecer suficientemente reveladoras sobre a perigosa agenda dos promotores desta “perspectiva”. Há, no entanto outros postulados que as “feministas de gênero” propagam cada vez com mais força:

“Cada criança atribui a si mesma uma ou outra categoria baseada na forma e tamanho de seus órgãos genitais. Uma vez feita essa atribuição, nós nos transformamos no que a cultura pensa que cada um é – feminina ou masculino-. Embora muitos acreditem que o homem e a mulher são a expressão natural de um plano genético, o gênero é produto da cultura e o pensamento humano, uma construção social que cria a ‘verdadeira natureza’ de todo indivíduo”. (6)

Deste modo, para as “feministas de gênero”, o conceito “implica pertencer a uma classe, e a classe pressupõe uma desigualdade. A luta por desconstruir o gênero levará muito mais rapidamente à meta”. (7)

O feminismo de gênero

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Mas em que consiste o “feminismo de gênero” e qual é a diferença com o comumente conhecido feminismo? Para entender mais em profundidade o debate em torno do “termo gênero”, vale a pena responder a esta pregunta.

O termo “feministas de gênero” foi cunhado pela primeira vez por Christina Hoff Sommers em seu livro “Who Stole Feminism?” (“Quem roubou o Feminismo?”), com o objetivo de diferenciar o feminismo de ideologia radical surgido no final dos anos 60, do anterior movimento feminista de igualdade. Eis aqui as suas palavras:

“O feminismo de ‘equidade’ é simplesmente a crença na igualdade legal e moral dos sexos. Uma feminista de equidade quer para a mulher o que quer para todos: tratamento justo, ausência de discriminação. Pelo contrário, o feminismo de ‘gênero’ é uma ideologia que pretende abarcar tudo, segundo a qual a mulher está presa num sistema patriarcal opressivo. A feminista de equidade acredita que as coisas melhoraram muito para a mulher; a feminista de ‘gênero’ em geral pensa que pioraram. Com frequência vê sinais de patriarcado e pensa que a situação tende a piorar. O que carece de base na realidade. A situação nunca esteve melhor para a mulher, que hoje compõe 55% dos estudantes universitários, enquanto a diferença salarial continua diminuindo”. (8)

Aparentemente esse “feminismo de gênero” teve forte presença na Cúpula de Pequim. É o que afirma Dale O’Leary, autora de numerosos ensaios sobre a mulher e participante na Conferência de Pequim, garantindo que durante todas as jornadas de trabalho, as mulheres que se identificaram como feministas defendiam persistentemente a inclusão da “perspectiva de gênero” no texto, definindo “gênero” como ‘papéis socialmente construídos’ utilizando essa palavra em lugar de ‘mulher’ ou de masculino e feminino. De fato, todas as pessoas familiarizadas com os objetivos do “feminismo de gênero”, reconheceram imediatamente a conexão entre a mencionada ideologia e o anteprojeto do “Programa Espanhol de Ação” de 27 de fevereiro que incluía propostas aparentemente inocentes e termos particularmente ambíguos (8.1).

Neo Marxismo

Com palavras de Dale O’Leary, a teoria do “feminismo de gênero” se baseia numa interpretação neomarxista da história. Começa com a afirmação de Marx de que toda a história é uma luta de classes, de opressor contra oprimido, numa batalha que se resolverá só quando os oprimidos se conscientizem de sua situação, unam-se em revolução e imponham uma ditadura dos oprimidos. A sociedade será totalmente reconstruída e emergirá a sociedade sem classes, livre de conflitos, que garantirá a paz e prosperidade utópicas para todos.

O’Leary diz ainda que foi Frederick Engels quem assentou as bases da união entre o marxismo e o feminismo. Para comprovar, cita o livro “Origem da Família, Propriedade e Estado”, escrito pelo pensador alemão em 1884 onde afirma:

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“O primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher unidos em matrimônio monogâmico, e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino”. (9)

Segundo O’Leary, os marxistas clássicos acreditavam que o sistema de classes desapareceria uma vez que se eliminasse a propriedade privada, se facilitasse o divórcio, se aceitasse a ilegitimidade, se forçasse a entrada da mulher no mercado de trabalho laboral, se colocasse as crianças em instituições de cuidado diário e se eliminasse a religião. No entanto, para as “feministas de gênero”, os marxistas fracassaram por concentrar-se em soluções econômicas sem atacar diretamente a família, que era a verdadeira causa das classes.

Nesse sentido, a feminista Shulamith Firestone afirma a necessidade de destruir a diferença de classes, mais ainda, a diferença de sexos:

“Assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada (as mulheres) una-se em revolução e se aposse do controle da reprodução; se restitua à mulher a propriedade sobre sus próprios corpos, como também o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias como todas as instituições sociais de nascimento e cuidado de crianças. Assim como a meta final da revolução socialista era não apenas acabar com o privilégio da classe econômica, mas também com a própria distinção entre classes econômicas, a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente – ao contrário do primeiro movimento feminista – não apenas acabar com o privilégio masculino, mas também com a própria diferença de sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente”. (10)

Quando a natureza atrapalha

Está claro, então, que nesta nova “perspectiva de gênero”, a realidade da natureza incomoda, atrapalha e, portanto, deve desaparecer. A este respeito, a própria Shulamith Firestone disse:

O ‘natural’ não é necessariamente um valor ‘humano’ . A humanidade começou a superar a natureza; já não podemos mais justificar a continuação de um sistema discriminatório de classes por sexos em razão das suas origens na natureza. Com efeito, pela simples razão de pragmatismo começa a parecer que devemos nos livrar dele “. (11)

adão e eva2Para os defensores apaixonados da “nova perspectiva”, não se devem fazer distinções porque qualquer diferença é suspeita, má, ofensiva. Eles dizem ainda que toda diferença entre o homem e a mulher é construção social e, portanto, tem que ser mudada. Procuram estabelecer a plena igualdade entre homens e mulheres, independentemente das diferenças naturais entre os dois, especialmente diferenças sexuais; ainda mais, relativizam a noção de sexo de modo que, segundo eles, não haveria dois sexos, mas sim muitas “orientações sexuais”.

Assim, os mencionados promotores do “gênero” não viram melhor opção que declarar guerra à natureza e às opções da mulher. De acordo com O’Leary, as “feministas de gênero” frequentemente denigrem o respeito pela mulher com a mesma veemência com que atacam a falta de respeito, porque para elas o “inimigo” é a diferença.

No entanto, é evidente que nem toda diferença é má nem muito menos irreal. Tanto o homem como a mulher têm suas próprias particularidades naturais que devem ser postas ao serviço do outro, para se chegar a um enriquecimento mútuo. Claro que isto não significa que os recursos pessoais da feminilidade sejam menores que os da  masculinidade; significa simplesmente que são diferentes. Neste sentido, se aceitamos o fato de que homem e mulher são diferentes, uma diferença estatística entre homens e mulheres que participem em uma atividade concreta poderia ser mais que uma demonstração de discriminação, o simples reflexo dessas diferenças naturais entre homem e mulher.

Apesar disso, perante a evidência de que estas diferenças são naturais, os propagandistas da “nova perspectiva” não questionam suas colocações, antes atacam o conceito de natureza.

Além disso, consideram que as diferenças de “gênero”, que segundo eles existem por construção social, forçam a mulher a ser dependente do homem e, portanto, a liberdade para as mulheres consistirá, não em atuar sem restrições injustas, mas em libertar-se de “papéis de gênero socialmente construídos.” Nesse sentido, Ann Ferguson e Nancy Folbre afirmam:

“As feministas devem encontrar formas de apoio para que a mulher identifique seus interesses com a mulher, mais do que com os seus deveres pessoais para com o homem no contexto da família. Isso requer o estabelecimento de uma cultura feminista revolucionária, auto definida da mulher, que possa sustentá-la, ideológica e materialmente “fora do patriarcado.” As redes de suporte contra-hegemônicas cultural e material podem fornecer substitutos mulher-identificados da produção sexo-afetiva patriarcal que proporcionem às mulheres maior controle sobre seus corpos, seu tempo de trabalho e seu senso de si mesmas “. (12)

Para esta finalidade, Ferguson e Folbre projetaram quatro áreas-chave de “ataque”:

  1. Solicitar apoio financeiro oficial para cuidar das crianças e dos direitos reprodutivos.
  2. Exigir a liberdade sexual, incluindo o direito de preferência sexual (direitos dos homossexuais).
  3. O controle feminista da produção ideológica e cultural. É importante porque a produção cultural afeta faz finalidades pessoais, o sentido de si mesma, as redes sociais e a produção de redes de criação e afeto, amizade e parentesco social.
  4. Estabelecer ajuda mútua: sistemas de apoio econômico para a mulher, a partir de redes de identificação única com a mulher, até juntas de mulheres nos sindicatos que lutem pelos interesses femininos no trabalho assalariado. (13)
Uma boa desculpa: A mulher

200px-Womanpower_logo Depois de rever a peculiar “agenda feminista”, Dale O’Leary evidencia que a finalidade de cada ponto da mesma não é melhorar a situação da mulher, mas separar a mulher do homem e destruir a identificação de seus interesses com os de suas famílias. Além disso, acrescenta a especialista, o interesse primordial do feminismo radical nunca foi diretamente melhorar a situação das mulheres nem aumentar a sua liberdade. Pelo contrário, para as feministas radicais ativas, pequenas melhorias podem dificultar a revolução de classe sexo/gênero.

Esta afirmação é confirmada pela feminista Heidi Hartmann que radicalmente afirma:

“A questão da mulher nunca foi a ‘questão feminista’. Esta se dirige às causas da desigualdade sexual entre homens e mulheres, da dominação masculina sobre as mulheres.” (14)

Não surpreendentemente, durante a Conferência de Pequim, a delegada canadense Valerie Raymond expressou seu compromisso em que a cúpula da mulher fosse abordada paradoxalmente “não como uma ‘conferência da mulher’, mas uma conferência na qual todos os temas fossem enfocados sob uma ‘ótica de gênero ‘.”

É o que diz O’Leary, a “nova perspectiva” visa impulsionar a agenda homossexual/lesbiana/bissexual/transexual, e não os interesses das mulheres comuns e correntes.

Papéis socialmente construídos

Para tratar este ponto, tomemos a definição de “gênero” registrada em um folheto que as partidárias desta opinião distribuíram na Reunião do PrepCom (Comitê Preparatório de Pequim).

Gênero se refere aos papéis e responsabilidades da mulher e do homens que são determinados socialmente. O gênero está relacionado à forma como somos vistos e se espera que pensemos e atuemos como mulheres e homens pela forma como a sociedade está organizada, não por nossas diferenças biológicas.

Vale explicitar que o termo “papel” distorce a discussão. Na sequência do estudo O’Leary, o “papel” é definido principalmente como: parte de uma produção teatral em que uma pessoa especialmente vestida e maquiada, desempenha um papel de acordo com um roteiro escrito. O uso do termo “papel” ou da frase: ‘papeis desempenhados’ transmite necessariamente a sensação de algo artificial que se impõe à pessoa.

Quando “papel” é substituído por outro termo – como vocação – , torna-se claro como o termo “papel” afeta nossa percepção de identidade. Vocação envolve algo autêntico, não artificial, uma chamada para ser o que somos. Nós respondemos ao nosso chamado para realizar a nossa natureza ou desenvolver nossos talentos e habilidades inatos. Nesse sentido, por exemplo, O’Leary destaca a vocação feminina para a maternidade, pois a maternidade não é um ‘papel’. Quando uma mãe concebe uma criança, esta começou um relacionamento de vida com outro ser humano. Esta relação define a mulher, atribui a ela certas responsabilidades e afeta quase todos os aspectos de sua vida. Ela não está representando o papel de mãe; ela é uma mãe. Cultura e tradição certamente influenciam a maneira pela qual as mulheres cumprem as responsabilidades da maternidade, mas não criam mães, esclarece O’Leary.

No entanto, os promotores da “perspectiva de gênero” insistem que qualquer relação ou atividade dos seres humanos é o resultado de uma “construção social” que dá ao homem uma posição superior na sociedade e à mulher uma inferior. Neste ponto de vista, a promoção da mulher exige que se liberte toda a sociedade desta “construção social”, de modo que o homem e a mulher sejam iguais.

Para isso, as “feministas de gênero” apontam para a necessidade urgente de “desconstruir estes papéis socialmente construídos”, que, segundo eles, podem ser divididos em três categorias principais:

  1. Masculinidade e Feminilidade. Consideram que os homens e mulheres adultos são construções sociais; que na verdade o ser humano nasce sexualmente neutro e, em seguida, é socializado em homem ou mulher. Essa socialização, dizem eles, afeta negativamente e de forma injusta as mulheres. Por isso, as feministas propõem depurar a educação e os meios de comunicação de todo estereótipo ou imagem específica de gênero, para que as crianças possam crescer sem serem expostas a trabalhos “ sexo–específicos”.
  2. As relações de família: pai, mãe, marido e mulher. As feministas não só pretendem que se substituam estes termos “gêneros-específicos” por palavras “gênero neutro”, mas ainda aspiram que não haja diferenças no comportamento ou responsabilidade entre homem e a mulher na família. Segundo Dale O’Lary, esta é a categoria de “papéis socialmente construídos” a que as feministas atribuem maior importância, porque elas acreditam que a experiência das relações “sexo-específicas” na família são a principal causa do sistema de classes “sexo / gênero”.
  3. Ocupações ou profissões. O terceiro tipo de “papéis socialmente construídos” inclui as ocupações que uma sociedade atribui a um ou outro sexo.

Embora as três categorias de “construção social” já poderiam ser suficientes, o repertório das “feministas do gênero” inclui mais uma: a reprodução humana, dizem elas, também é determinada socialmente. A este respeito, Heidi Hartmann diz:

“A maneira como se propaga a espécie é determinada socialmente. Se as pessoas são biologicamente sexualmente polimorfas e a sociedade estivesse organizada de forma a permitir igualmente todas as formas de expressão sexual, a reprodução seria resultado só de alguns encontros sexuais: os heterossexuais. A estrita divisão de trabalho por sexos, uma invenção social comum a toda a sociedade conhecida, cria dois gêneros muito separados e a necessidade de que o homem e a mulher se unam por razões econômicas. Contribui assim a direcionar suas exigências sexuais em direção à conduta heterossexual garantindo assim a reprodução biológica. Em sociedades mais imaginativas a reprodução biológica poderia ser assegurada com outras técnicas. (15)

O objetivo: desconstruir a sociedade

Fica claro, portanto, que o objetivo dos promotores da “perspectiva de gênero”, fortemente presente em Pequim, é chegar a uma sociedade sem classes de sexo. Para fazer isso, eles propõem desconstruir a linguagem, as relações familiares, a reprodução, a sexualidade, a educação, a  religião, a cultura, entre outras coisas. A este respeito, o material de trabalho do curso Re-Imagem do  Gênero, tem a seguinte redação:

revolucion_libertaria2“O gênero implica classe, e a classe pressupõe desigualdade. Lutar para desconstruir o gênero levará muito mais rapidamente para a meta. Bem, é uma cultura patriarcal e o gênero parece ser básico para o patriarcado. Afinal, os homens não gozariam do privilégio masculino se não houvesse homens. E as mulheres não seriam oprimidas, se não existisse uma coisa como ‘a mulher’. Acabar com o gênero é acabar com o patriarcado, como também com as muitas injustiças perpetradas em nome da desigualdade entre os gêneros”. (16)

Nesse sentido, Susan Moller Okin escreve um artigo no qual se lança a prognosticar o que para ela seria o “sonhado futuro sem gêneros”.

“Não haveria suposições sobre papéis masculinos e femininos; dar à luz seria conceitualmente tão distante da criação dos filhos, que seria motivo de surpresa que homens e mulheres não fossem igualmente responsáveis por áreas domésticas, ou que as crianças passassem mais tempo com um dos pais do que com outro. Seria um futuro em que homens e mulheres participariam em número aproximadamente igual em todas as esferas da vida, desde o cuidado das crianças até o cargo político de mais alto nível, incluindo os mais variados tipos de trabalho assalariado. Se quisermos salvar a menor lealdade para com nossos ideais democráticos, é essencial distanciar-nos do gênero. Parece inegável que a dissolução dos papéis de gênero contribuirá para promover a justiça em toda a nossa sociedade, fazer da família um lugar muito mais apto para que as crianças desenvolvam um senso de justiça”. (17)

 Para este fim, elas também propõem a “desconstrução da educação”, tal como se lê no discurso da Presidente da Islândia, Vigdis Finnbogadóttir, em uma conferência preparatória para a Conferência de Pequim, organizado pelo Conselho Europeu em Fevereiro de 1995. Para ela, assim como para todos os outros defensores da “perspectiva de gênero”, urge desconstruir não só a família, mas também a educação. As meninas devem ser orientadas para áreas não tradicionais, sem expô-las a imagem da mulher como esposa ou mãe, ou envolvê-las em atividades femininas tradicionais.

“A educação é uma estratégia importante para mudar os preconceitos sobre os papéis de homens e mulheres na sociedade. A perspectiva do ‘gênero’ deve ser integrada nos programas. Devem ser removidos os estereótipos em livros didáticos e sensibilizar os professores nesta matéria, a fim de assegurar que as crianças façam uma escolha profissional informada, e não com base em tradições cheias de preconceitos sobre ‘gênero’ (18).

Primeiro alvo: a família

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“O fim da família biológica também irá eliminar a necessidade de repressão sexual. A homossexualidade masculina, lesbianismo e sexo extraconjugal já não se verão mais na forma liberal como opções alternativas fora do âmbito da regulação estatal. Em vez disso, até as categorias de homossexualidade e heterossexualidade serão abandonadas: a própria ‘instituição das relações sexuais’ em que homens e mulheres desempenham um papel bem definido desaparecerá. A humanidade poderia finalmente voltar à sua sexualidade polimorficamente natural”. (19)

Estas palavras de Alison Jagger, autora de vários livros usados em programas de estudos sobre a mulher em universidades norte-americanas mostram claramente a hostilidade das “feministas de gênero” com relação a família.

“A igualdade feminista radical significa não apenas a igualdade perante a lei e nem mesmo igual satisfação das necessidades básicas, mas sim que as mulheres como os homens não tenham que dar à luz. A destruição da família biológica que Freud nunca imaginou, permitirá o surgimento de novos homens e mulheres, diferentes de todos que  que já existiram “. (20)

Aparentemente, a principal razão para a rejeição feminista da família é que, para elas, esta instituição básica da sociedade “cria e apoia o sistema de classes sexo/gênero”. Assim explica Christine Riddiough, colaborador da revista publicada pela instituição internacional anti-vida “Catholics for a Free Choice” (“Católicas pelo Direito de Decidir”):

“A família nos dá as primeiras lições de ideologia de classe dominante e também fornece legitimidade às outras instituições da sociedade civil. Nossas famílias são as  que nos ensinam primeiro a religião, a ser bons cidadãos. Tão completa é a hegemonia da classe dominante na família, que somos ensinados que esta encarna a ordem natural das coisas. Baseia-se nomeadamente, em uma relação entre o homem e a mulher que reprime a sexualidade, especialmente a sexualidade feminina”. (21)

Para aqueles com uma visão marxista das diferenças de classes como a causa dos problemas, diz O’Leary, “diferente” é sempre ‘desigual’ e ‘desigual’ é sempre “opressor”. Neste sentido, as “feministas de gênero” consideram que, quando a mulher cuida de seus filhos em casa e o marido trabalha fora de casa, as responsabilidades são diferentes e, portanto, não igualitárias. Em seguida, veem esta “desigualdade” no lar como causa de “desigualdade” na vida pública, já que a mulher, cujo principal interesse seria o lar, nem sempre teria o tempo e energia para se dedicar à vida pública. Por isso afirmam:

“Nós acreditamos que nenhuma mulher deve ter esta opção. Nenhuma mulher deveria ser autorizada a ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa escolha, porque se essa opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela”. (22)

Além disso, as “feministas de gênero” insistem na desconstrução da família não só porque segundo elas escraviza as mulheres, mas porque condiciona socialmente as crianças para aceitar a família, o casamento e a maternidade como algo natural. A este respeito, Nancy Chodorow diz:

“Se nosso objetivo é acabar com a divisão sexual do trabalho em que a mulher se faz maternal, devemos em primeiro lugar compreender os mecanismos que a causam. Este é o ponto no qual se deve intervir. Qualquer estratégia para a mudança, cujo objetivo abarque a liberação das restrições impostas por uma desigual organização social por gêneros, deve levar em conta a necessidade de uma reorganização fundamental do cuidado dos filhos, que deve ser compartilhado igualmente entre homens e mulheres”. (23)

Fica claro que para os defensores do “gênero” as responsabilidades das mulheres na família são supostamente inimigas da realização da mulher. O ambiente privado é considerado secundário e menos importante; família e trabalho doméstico são vistos como “carga” que afeta negativamente o “projeto profissional” das mulheres.

Este ataque declarado contra a família, no entanto, contrasta fortemente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU em 1948. No artigo 16 desta, as Nações Unidas defendem com ênfase a família e o casamento:

       1- Homens e mulheres, a partir da idade de casar têm o direito, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião, de casar e constituir família; e desfrutarão direitos iguais quanto ao casamento, durante o casamento e em caso de dissolução do casamento.

      2- Somente com o livre e pleno consentimento dos futuros esposos se poderá contrair o matrimônio.

        3- A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

No entanto, os arquitetos da nova “perspectiva de gênero” presente na cúpula da mulher colocaram à margem todas essas premissas e, em vez disso apontaram para a necessidade de “desconstrução” da família, do casamento, da maternidade, e da própria feminilidade para que o mundo possa ser livre.

admiravel mundo novoEm contrapartida, os representantes das principais nações comprometidas com a defesa da vida e dos valores familiares que participaram em Pequim, levantaram suas vozes contra esse tipo de propostas, especialmente ao descobrir que o documento da cúpula eliminava arbitrariamente do vocabulário do programa as palavras “esposa”, “marido”, “mãe”, “pai”. Ante tal fato, Barbara Ledeen, diretora do Fórum de Mulheres Independentes, uma organização de defesa da mulher amplamente reconhecida nos Estados Unidos, disse:

“O documento é inspirado pelas teorias feministas ultrarradicais, de velho cunho conflitivo, e representa um ataque direto aos valores da família, casamento e feminilidade “.

O Papa João Paulo II, por sua vez, pouco antes da Conferência de Pequim, já tinha insistido em apontar a estreita relação entre a mulher e a família. Durante a sua reunião com Gertrude Mongella, Secretária Geral da Conferência das Mulheres antes da Cúpula Mundial, disse:

“Não há resposta aos temas sobre a mulher, que possa ignorar o papel da mulher na família. A fim de respeitar esta ordem natural, é necessário opor-se à ideia errada de que a função da maternidade é opressiva para a mulher “.

Infelizmente, a proposta do Conselho Europeu para a Plataforma de Ação de Pequim foi completamente alheia a essas diretrizes.

 É tempo de deixar claro que os estereótipos de gênero estão desatualizados: os homens não são apenas os machos que sustentam a família nem as mulheres apenas esposas e mães. Não se deve subestimar a influência psicológica negativa de mostrar estereótipos femininos”. (24)

Dada essa postura, O’Leary escreve no seu relatório que, embora seja verdade que as mulheres não devem mostrar-se somente como esposas e mães, muitas sim são esposas e mães, e, portanto, uma imagem positiva das mulheres que se dedicam apenas ao trabalho no lar não tem nada de errado. No entanto, o objetivo da perspectiva de ‘gênero’ não é representar autenticamente a vida da mulher, mas criar um estereótipo inverso, segundo o qual as mulheres que sejam “apenas” esposas e mães nunca apareceriam sob uma luz favorável.

Saúde e direitos sexuais reprodutivos

Na mesma linha, as “feministas de gênero” incluem como parte essencial de sua agenda a promoção da “livre escolha” ou “direito de decidir” em matéria de reprodução e estilo de vida. De acordo com O’Leary, “livre escolha reprodutiva” é a expressão chave para se referir ao aborto a pedido; ao passo que “estilo de vida” tem o objetivo de promover a homossexualidade, o lesbianismo, outras formas de sexualidade, dentro ou fora do casamento. Por exemplo, os representantes do Conselho Europeu, em Pequim lançaram a seguinte proposta:

“As vozes dasinsatisfeitos_com_dilma mulheres jovens devem ser ouvidas, uma vez que a vida sexual não gira apenas ao redor do casamento. Isso leva ao aspecto  do direito de ser diferente, seja em termos de estilo de vida: a escolha de viver com a família ou sozinha com ou sem filhos ou de preferências sexuais. Devem se reconhecer os direitos reprodutivos da mulher lésbica”. (25)

Estes “direitos” das lésbicas, também incluem o “direito” de casais lésbicas conceberem filhos através de inseminação artificial, e para adotar legalmente os filhos de suas parceiras.

Mas os defensores do “gênero” têm não apenas essas propostas, mas também defendem o “direito à saúde”, que com toda a honestidade, afasta-se completamente da verdadeira saúde dos seres humanos. Na verdade, ignorando o direito de todo ser humano à vida, propõe um direito à saúde, que inclui o direito à saúde sexual e reprodutiva. Paradoxalmente, essa “saúde reprodutiva” inclui o aborto e, portanto, a “morte” de seres humanos ainda não nascidos.

Não surpreendentemente, as “feministas do gênero” são fortes aliadas dos Ambientalistas e “Populacionistas” (ou defensores do controle da natalidade). De acordo com O’Leary, embora as três ideologias não coincidam em todos os seus aspectos, têm em comum o projeto do aborto. Por um lado, os ambientalistas e “populacionistas” consideram essencial para o sucesso de suas agendas, o rigoroso controle de fertilidade e para isso estão dispostos a usar a “perspectiva de gênero”. A seguinte citação da Division for the  Advance of Women (Divisão para o Avanço das Mulheres) proposta numa reunião organizada em consulta com o Fundo de População das Nações Unidas revela o pensamento daqueles interessados primariamente em que haja cada vez menos gente que veja o “gênero”:aborto_i

Para serem eficazes a longo prazo, os programas de planejamento familiar devem procurar não só reduzir a fertilidade dentro dos papéis de gênero existentes, mas também alterando os papéis de gênero, a fim de reduzir a fertilidade”. (26)

Assim, os “novos direitos” propostos pelas “feministas do gênero” não se reduzem simplesmente aos direitos de “saúde reprodutiva” que, como já mencionamos, mas promovem o aborto de ser humano por nascer, mas além disso exigem o “direito” a determinar a própria identidade sexual. Num folheto distribuído durante a Conferência de Pequim, a ONG “International Gay and Lesbian Human Rights Comision” (Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas) exigiu este direito nos seguintes termos:

“Nós, abaixo assinados, convidamos os Estados-Membros a reconhecer o direito de determinar a própria identidade sexual, o direito de controlar o próprio corpo, particularmente no estabelecimento de relações íntimas, e o direito de escolher, se necessário, quando e com quem gerar e criar filhos, como elementos fundamentais de todos os direitos humanos de toda mulher, independentemente da sua orientação sexual”.

 Isto é ainda mais preocupante se levarmos em conta que para as “feministas de gênero” existem cinco sexos. Rebecca J. Cook, professora de Direito na Universidade de Toronto e editora do relatório oficial da ONU em Pequim, aponta na mesma linha de seus companheiros de batalha, que os gêneros masculino e feminino, seriam uma “construção da realidade social” e devem ser abolidos. Embora pareça incrível, o documento produzido pela feminista canadense afirma que “os sexos não são mais dois, mas são cinco”, e, portanto, não deveria falar sobre homens e mulheres, mas “as mulheres heterossexuais, mulheres homossexuais, homens heterossexuais, gays e bissexuais”.

A “liberdade” dos proponentes do “gênero” para afirmar a existência de cinco sexos, contrasta com todas as provas científicas existentes segundo as quais só há duas opções a partir do ponto de vista genético: ou se é um homem ou uma mulher, e não há absolutamente nada, cientificamente falando, que esteja no meio.

Ataque à religião

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Enquanto as “feministas de gênero” promovem a “desconstrução” da família, da educação e da cultura como solução para todos os problemas, põem especial ênfase na “desconstrução” da religião, que, segundo dizem, é a principal causa da opressão da mulher. Muitas ONGs credenciadas junto à ONU tem-se empenhado em criticar aqueles que eles chamam de “fundamentalistas” (cristãos católicos, evangélicos e ortodoxos, judeus e muçulmanos, ou qualquer um que se recuse a ajustar as doutrinas de sua religião com a agenda do “feminismo de gênero “). Um vídeo promovendo o Fórum das ONGs sobre a Conferência de Pequim, produzido por Judith Lasch diz:

 “Nada tem feito mais para constranger a mulher que os credos e ensinamentos religiosos.”

Da mesma forma, o relatório da Reunião de Estratégias Globais para a Mulher contém numerosas referências ao fundamentalismo e à necessidade de contrariar os seus alegados ataques sobre os direitos das mulheres.

“Todas as formas de fundamentalismo, seja ele político, religioso ou cultural, exclui a mulher das normas de direitos humanos internacionalmente aceitos, e a transformam em alvos de extrema violência. A eliminação destas práticas é preocupação da comunidade internacional.”

Por outro lado, o relatório da reunião preparatória para a Conferência de Pequim, organizado pelo Conselho Europeu em Fevereiro de 1995, inclui numerosos ataques à religião.

“O surgimento de todas as formas de fundamentalismo religioso é visto como uma ameaça particular para o gozo pelas mulheres de seus direitos humanos e sua plena participação na tomada de decisões em todos os níveis da sociedade”. (27)

“Deve-se capacitar as próprias mulheres, e dar-lhes a oportunidade de determinar o que as suas culturas, religiões e costumes significam para elas”. (28)

Vale ressaltar que para o “feminismo de gênero”, a religião é uma invenção humana e as principais religiões foram inventadas por homens para oprimir as mulheres. Por isso, as feministas radicais postulam a re-imagem de Deus como Sophia: A sabedoria feminina. Nesse sentido, as “teólogas do feminismo de gênero” propõem descobrir e adorar não a Deus, mas a Deusa. Por exemplo, Carol Christ, que se autodenomina “teóloga feminista de gênero” afirma o seguinte:

“Uma mulher que se faça eco à declaração dramática de Ntosake Shange:” ‘. Encontrei a Deus em mim mesma e o amei ferozmente está dizendo:  O poder feminino é forte e criativo. Está dizendo que o princípio divino, o poder salvador e sustentador, está nela mesma e já não mais verá o homem ou a figura masculina como um salvador”. (29)

Igualmente estranhas são as palavras de Elisabeth Schussler Fiorenza, outra “teóloga feminista de gênero” que nega radicalmente a possibilidade da Revelação, como lemos na seguinte citação:

“Os textos bíblicos não são a revelação de inspiração verbal nem de princípios doutrinais, mas formulações históricas. Da mesma forma, a teoria feminista insiste em que todos os textos são produto de uma cultura e historia patriarcal e androcêntrica”. (30)

Além disso, Joanne Carlson Brown e Carole R. Bohn, também teólogas autointituladas “escola feminista de gênero” atacam diretamente o Cristianismo como propulsor do abuso infantil:

“O cristianismo é uma teologia abusiva que glorifica o sofrimento. É possível assombrar-se que haja muito abuso na sociedade moderna, quando a imagem teológica dominante da cultura é ‘abuso divino do filho’ de Deus Pai que exige e efetua o sofrimento e a morte de seu próprio filho? Se o Cristianismo é para ser libertador dos oprimidos, deve primeiro livrar-se dessa teologia”. (31)

Portanto, os proprietários da “nova perspectiva” promovem o ataque frontal ao cristianismo e toda figura que o represente. Em 1994, Rhonde Copelon e Berta Esperanza Hernandez elaboraram um panfleto para uma série de sessões de trabalho da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo. O folheto atacava diretamente o Vaticano por opor-se à sua agenda que, entre outras coisas, inclui o “direito à saúde reprodutiva” e, consequentemente, o aborto.

“Este reclamar dos direitos humanos elementares está enfrentando a oposição de todos os tipos de fundamentalistas religiosos, com o Vaticano como um líder na organização de oposição religiosa à saúde e direitos reprodutivos, incluindo até os serviços de planejamento familiar”. (32)

Em contraste com todas essas posturas de ataque e agressão à religião, à Igreja, particularmente ao Vaticano, são os pontos de vista da maioria das mulheres do mundo que, conforme relatado por O’Leary defendem suas tradições religiosas como a melhor proteção dos direitos e a dignidade das mulheres. Mulheres católicas, evangélicas, ortodoxas e mulheres judias agradecem, em particular, os ensinamentos de suas crenças sobre casamento, família, sexualidade e respeito pela vida humana.

O Vaticano, por sua vez, afirmou nos meses anteriores a Pequim o perigo da tendência do texto proposto pela ONU (33), de que se deixe de lado  o direito das mulheres à liberdade de consciência e de religião nas instituições de ensino.

Conclusão

Nas palavras de Dale O’Leary, o “feminismo de gênero” é um sistema fechado contra o qual não há nenhuma maneira de discutir. Você não pode apelar para a natureza, ou a razão, à experiência ou às opiniões e desejos de mulheres reais, porque de acordo com as “feministas do gênero” tudo isso é “socialmente construído”. Não importa quanta evidência se acumule contra suas ideias; elas vão continuar a insistir que é simplesmente mais uma prova da conspiração patriarcal massiva contra as mulheres.

No entanto, existem muitas pessoas que talvez por falta de informação, ainda não estão conscientes da nova proposta e dos perigosos alcances da mesma. Vale a pena, pois conhecer esta “perspectiva de gênero” que, segundo informações fidedignas, está atualmente não só ganhando força nos países desenvolvidos, mas, aparentemente, também começou a infiltrar-se em outras mídias. Basta rever alguns materiais educativos, veiculados não só nas escolas, mas também em universidades de prestígio.

No entanto, nos Estados Unidos o “feminismo de gênero” conseguiu colocar-se no centro da corrente cultural norte-americana. Prestigiadas universidades e faculdades difundem abertamente essa perspectiva. Além disso, muitas séries de televisão americanas fazem a sua parte para espalhar a seguinte mensagem: identidade sexual pode “desconstruir-se” e masculinidade e feminilidade não são mais que “papéis de gênero construídos socialmente”.

Considerando-se que o avanço das tecnologias conseguiu que estes programas com toda a nova “perspectiva de gênero” cheguem diariamente aos países em vias de desenvolvimento, principalmente através da televisão por cabo, sem excluir as muitas outras formas de mídia em nosso tempo, isto nos coloca ante um novo desafio que temos de enfrentar o mais cedo possível para evitar as consequências graves que já está ocasionando no Primeiro Mundo. Especialmente quando, nas palavras de O’Leary, a “desconstrução” da família e o ataque à religião, à tradição e aos valores culturais que as “feministas de gênero” promovem nos países em desenvolvimento, afeta o mundo inteiro.

Notas

[1] Judith Butler, Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity, Routledge, New York, 1990, p. 6.

[1.2] Veja-se, no texto final desta conferência (http://www.unfpa.org.br/Arquivos/declaracao_beijing.pdf), a título de exemplo, o ponto 24 da ”pauta de compromisso” e o ponto 96 da ”plataforma de ação”.  Acesso em 03.06.15.

[2] veja-se o trabalho de Cristina Delgado, Reporte sobre la Conferencia Regional de Mar de Plata, Argentina, onde recolhe diversas citações de “feministas de gênero”.

[3] Ibidem

[4] Adrienne Rich, “Compulsory Heterosexuality and Lesbian Existence”, Blood, Bread and Poetry, p. 27.

[5] Ibidem, p. 70.

[6] Lucy Gilber y Paula Wesbster, “The Dangers of Feminity”, Gender Differences: Sociology of Biology?, p. 41.

[7] Gender Outlaw, p. 115.

[8] Entrevista a Christina Hoff Sommers en Faith and Freedom, 1994, p. 2.

[8.1] A propósito: http://www.acidigital.com/noticias/ideologia-de-genero-prejudica-educacao-espanhola-adverte-perito-60361/. Acesso em 03.06.15.

[9] Frederick Engels, The Origin of the Family, Property and the State, International Publishers, New York, 1972, pp. 65-66.

[10] Shulamith Firestone, The Dialectic of Sex, Bantam Books, New York, 1970, p. 12.

[11] Ibidem, p. 10.

[12] Ann Ferguson & Nancy Folbre, “The Unhappy Marriage of Patriarch and Capitalism”, Women and Revolution, p. 80.

[13] Ibidem

[14] Heidi Harmann, “The Unhappy Marriage of Marxism and Feminism”, Women and Revolution, South End Press, Boston, 1981, p. 5.

[15] Ibidem, p. 16.

[16] Gender Outlaw, p. 115.

[17] Susan Moller Okin, “Change the Family, Change the World”, Utne Reader, Marzo/Abril, 1990, p. 75.

[18] Council of Europe, “Equality and Democracy: Utopia or Challenge?”, Palais de l’Europe, Strausbourg, Febrero 9-11, 1995, p. 38.

[19] Alison Jagger, “Political Philosophies of Womens Liberation”, Feminism and Philosophy, Littlefield, Adams & Co., Totowa, New Jersey, 1977, p. 13.

[20] Idem ibidem, p. 14.

[21] Christine Riddiough, “Socialism, Feminism and Gay/Lesbian Liberation”, Women and Revolution, p. 80.

[22] Christina Hoff Sommers, Who Stole Feminism?, Simon & Shuster, New York, 1994, p. 257.

[23] Nancy Chodorow, The Reproduction of Mothering, U. of CA Press, Berkeley, 1978, p. 215.

[24] Council of Europe, “Equality and Democracy: Utopia of Challenge?”, Palais delEurope, Strausbourg, Febrero 9-11, 1995.

[25] Ibidem, p. 25.

[26] “Gender Perspective in Family Planning Programs”, Division for the Advancement of Women.

[27] Council of Europe, “Equality and Democracy: Utopia of Challenge?”, Palais delEurope, Strausbourg, Febrero 9-11, 1995, p. 13.

[28] Ibidem, p. 16.

[29] Carol Christ, Womanspirit Rising, p. 277.

[30] Elisabeth Schussler Fiorenza, In Memory of Her, Crossroad, New York, 1987, p. 15.

[31] Joanne Carlson Brown and Carole R. Bohn, Christianity, Patriarchy, and Abuse: A Feminist Critique, p. 26.

[32] Rondhe Copelon y Berta Esperanza Hernández, Sexual and Reproductive Rights and Health as Human Rights: Concepts and Strategies; An Introduction for Activitists, Human

[33] Recentemente, o papa Francisco reafirmou que a ideologia de gênero é uma “colonização ideológica, um erro da mente humana”. Veja em:http://www.acidigital.com/noticias/ideologia-de-genero-e-um-erro-da-mente-humana-assinala-o-papa-88036/ e http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-a-ideologia-de-genero-e-contraria-ao-plano-de-deus-10716/. Acesso em 03.06.15.

Jutta Burggraf  é Doutora em Filosofia pela Universidade de Navarra

Tradução: Cristina Murano

Revisão final: André Gonçalves Fernandes

Fonte: http://www.notivida.com.ar/Articulos/Genero/Perspectiva%20de%20Genero,%20peligros%20y%20alcances.html

Originalmente publicado aqui.

Escândalo de pedofilia no Partido Verde

O Partido Verde alemão enfrenta uma das maiores crises da sua história de mais de 30 anos. Documentos dos anos 80 revelam que o partido tolerava a pedofilia e era infiltrado por organizações de pedófilos que tentavam defender o sexo com crianças e adolescentes como parte do seu programa de tolerância.

Entre os membros do partido, havia pedófilos declarados, como Fred Karst e Dieter Fritz Ullmann, que segundo um documento elaborado por encomenda do próprio partido “eram fixados em sexo com meninos de menos de 14 anos de idade”, aos que toleravam a pedofilia pelo menos teoricamente.

Um abalo sísmico nos meios políticos de Berlim provocou trechos do livro do co-fundador do partido, o franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, de 1975, já esquecido que foi recentemente descoberto pela imprensa alemã, sobre a banalização do sexo com crianças. No mesmo livro, “O Grande Bazar”, o lider do movimento de protestos estudantis do final dos anos 60 descreve cenas obscenas que teria tido com crianças em Frankfurt. Indagado recentemente, o precursor do movimento ecológico defendeu-se: “Não era uma descrição de fatos (….) mas sim provocação”.

Cohn-Bendit descreve no livro “O Grande Bazar” cenas obscenas com crianças, o que banaliza hoje como “provocação”.

Também uma gravação do debate dos verdes no parlamento municipal de Berlim nos anos 80 revela como a tolerância da pedofilia era uma linha defendida por setores do partido. No documento ” (…) Os verdes sobre a pedofilia e violência sexual contra crianças”, a política Renate Künast, que mais tarde fez parte do gabinete do ex-chanceler Gerhard Schröder (1998-2005),  ressaltou que o partido deveria tolerar o sexo com crianças “quando não é com violência”.

Indagada sobre o assunto nos últimos dias, Künast defendeu-se, dizendo que o debate era mais na “esfera filosófica”.

Mas a investigação da mancha no passado dos verdes aponta até mil vítimas da pedofilia só em Berlim. Segundo Thomas Birk, co-autor do estudo “Os Verdes e a Pedofilia”, o capítulo é ainda uma “black box”. Mas um porta voz do partido afirma que esse número de vítimas não seria algo comprovado mas sim uma pura hipótese.

O movimento de pedofilia era infiltrado no “Grupo de Trabalho Homossexuais, pederastas e transsexuais”, que era presidido por Dieter Fritz Ullmann. Até início dos anos 90, os verdes defendiam a tolerância para com os pedófilos da mesma forma que aceitavam o homossexualismo como direito de minoria.

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ONU aprovou histórica resolução a favor da proteção da família

GENEBRA, 30 Jun. 14 / 09:52 am (ACI/EWTN Noticias).- O Conselho de Direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em seu 26° período de sessões, aprovou a resolução de “Proteção à Família”, que reconhece a família como o núcleo “natural e fundamental da sociedade, e tem direito a proteção por parte da sociedade e o Estado”, o que representou uma verdadeira derrota do lobby gay.

Na resolução, aprovada por 26 votos contra 14 neste 25 de junho, com seis abstenções, o Conselho de Direitos humanos da ONU reconhece também “que a família tem a responsabilidade primária de nutrir e proteger as crianças da mesma forma em que as crianças, para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, devem crescer em um ambiente familiar e em uma atmosfera de felicidade, amor e entendimento”.

Em declarações a ACI Imprensa, o Dr. Carlos Beltramo, do Instituto Cultura e Sociedade (ICS) da Universidade da Navarra, assinalou que a resolução do organismo da ONU “foi um interessante passo adiante no reconhecimento da natureza da família em um foro tão importante das Nações Unidas”.

“Esta é uma boa oportunidade para relançar a educação da pessoa dentro da família, que é o melhor caminho para o futuro da humanidade”, indicou.

Beltramo assinalou que “dar formação às famílias e animar a que as famílias eduquem suas crianças é um meio fundamental para fortalecer sociedades saudáveis que permitam que todos superem até mesmo situações difíceis como as que tivemos que viver”.

O organismo da ONU decidiu ainda criar um painel por motivo do 20º aniversário do Ano Internacional da Família, assim como promover referências à família de uma forma positiva para reverter uma tendência dos últimos tempos de tratar a família como o centro dos conflitos, dos problemas e das violações de direitos humanos.

Em declarações recolhidas pelo site BuzzFeed, Austin Ruse, presidente do Instituto Família Católica e Direitos humanos, com base nos Estados Unidos, assinalou que a resolução do Conselho de Direitos humanos da ONU é uma “derrota” do lobby gay.

“A derrota (do conceito) de vários tipos de família demonstra que a ONU está cansada deste tipo de debates”, assinalou.

Austin Ruse assegurou que “a maioria de estados membros queria avançar para temas que preocupem o mundo e não só as elites no (hemisfério) norte”.

Os países que apoiaram com seus votos a resolução de proteção da família são foram a Argélia, Benin, Botswana, Burkina Faso, China, Congo, Costa do Marfim, Etiópia, Gabão, Índia, Indonésia, Cazaquistão, Quênia, Kuwait, Maldivas, Marrocos, Namíbia, Paquistão, Filipinas, Federação Russa, Arábia Saudita, Serra Leoa, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Vietnã.

Os estados que se opuseram a esta histórica resolução a favor da família foram Áustria, Chile, República Tcheca, Estônia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Montenegro, República da Coréia, Romênia, Reino Unido e Estados Unidos.

Por sua parte Argentina, Brasil, Costa Rica, México, Peru e a República da Macedônia se abstiveram, e Cuba não participou do voto.

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Justice Scalia Rips Apart Gay ‘Marriage’ Ruling

Justice Scalia Rips Apart Gay ‘Marriage’ Ruling

He authors his most sharply worded dissent yet

WASHINGTON, D.C., June 26, 2015 (ChurchMilitant.com) – Gay “marriage” is now the law of the land. The Obergefell v. Hodges decision was split along the expected lines: Justice Anthony Kennedy, writing for the majority, was joined by Justices Ginsburg, Breyer, Sotomayor and Kagan. The dissenting bloc consisted of Chief Justice John Roberts and Justices Scalia, Thomas and Alito, each who wrote their own separate dissents — a rarity that indicates a very strong reaction to the ruling.

Although Justice Scalia is known best for his articulate and scathing dissents, his dissent in Obergefell is his most sharply worded yet. In his very first sentence he warns about the “threat to American democracy” this decision represents. Referring to the majority opinion as “pretentious,” egotistic,” a “judicial Putsch” full of “silly extravagances” and “showy profundities,” he spends most of his complaint on one central theme: the abuse of the judicial branch demonstrated by the Supreme Court’s overreach in this case, which has stepped outside of the scope of its authority and usurped the authority of the legislative branch (and thus the will of the people) by dictating radical social policy to all American citizens — policy that rightly belongs within the democratic process to hammer out. Marriage, an issue traditionally left to the states to govern, has now become, by judicial fiat, a federal issue.

Today’s decree says that my Ruler, and the Ruler of 320 million Americans coast-to-coast, is a majority of the nine lawyers on the Supreme Court. The opinion in these cases is the furthest extension in fact — and the furthest extension one can even imagine — of the Court’s claimed power to create “liberties” that the Constitution and its Amendments neglect to mention. This practice of constitutional revision by an unelected committee of nine, always accompanied (as it is today) by extravagant praise of liberty, robs the People of the most important liberty they asserted in the Declaration of Independence and won in the Revolution of 1776: the freedom to govern themselves.

After explaining the appropriateness of the democratic process to determine the question of same-sex “marriage” — a process Scalia claims was working fine in the various states — he goes on to condemn today’s decision as “lacking even a thin veneer of law.” The ruling was nothing more than a “naked judicial claim to legislative — indeed, super-legislative — power; a claim fundamentally at odds with our system of government.”

“A system of government that makes the People subordinate to a committee of nine unelected lawyers does not deserve to be called a democracy.”

And in a scathing indictment of his fellow justices who voted in favor of this novel social right, Scalia continues, “[T]o allow the policy question of same-sex marriage to be considered and resolved by a select, patrician, highly unrepresentative panel of nine is to violate a principle even more fundamental than no taxation without representation: no social transformation without representation.”

Scalia predicts today’s ruling will further lower the Court’s credibility. “The stuff contained in today’s opinion has to diminish this Court’s reputation for clear thinking and sober analysis.”

He ends on a sobering note. “With each decision of ours that takes from the People a question properly left to them — with each decision that is unabashedly based not on law, but on the ‘reasoned judgment’ of a bare majority of this Court — we move one step closer to being reminded of our impotence.”

Read the full dissent here.

Originalmente publicado aqui.

Ideologia de Gênero: neototalitarismo e a morte da famí­lia

O livro “Ideologia de Gênero: neototalitarismo e a morte da família”, cuja versão em português esteve aos cuidados da editora Katechesis, é um livro do advogado pró-vida, argentino, Jorge Scala, lançado no Brasil em Outubro do ano passado. Zenit entrevistou o autor, que nos explicou brevemente o significado do seu livro e os perigos desta ideologia nas nossas sociedades.

Por que um livro sobre a ideologia de gênero?

A razão é simples: a ONU criou uma Agência do Gênero. Essa agência se dedica a controlar que todos os organismos e programas da ONU incluam o gênero. Por sua vez, a União Européia e o Banco Mundial condicionam os empréstimos para o desenvolvimento dos países pobres, por cláusulas da difusão de Gênero. Finalmente, se incorporou o gênero no sistema educacional dos nossos países. Dado tudo isto, é necessário investigar o que é o gênero.

O que significa dizer que a ideologia de gênero é uma ideologia e não uma teoria ou uma descoberta científica?

Uma teoria é uma hipótese verificada experimentalmente. Uma ideologia é um corpo fechado de idéias, que parte de um pressuposto básico falso – que por isto deve impor-se evitando toda análise racional -, e então vão surgindo as conseqüências lógicas desse princípio falso. As ideologias se impõem utilizando o sistema educacional formal (escola e universidade) e não formal (meios de propaganda), como fizeram os nazistas e os marxistas.

O que é, então, a ideologia do gênero? Como você a descreveria para nossos leitores?

Seu fundamento principal e falso é este: o sexo seria o aspecto biológico do ser humano, e o gênero seria a construção social ou cultural do sexo. Ou seja, que cada um seria absolutamente livre, sem condicionamento algum, nem sequer o biológico -, para determinar seu próprio gênero, dando-lhe o conteúdo que quiser e mudando de gênero quantas vezes quiser.

Agora, se isso fosse verdade, não haveria diferenças entre homem e mulher – exceto as biológicas -; qualquer tipo de união entre os sexos seria social e moralmente boas, e todas seriam matrimônio; cada  tipo de matrimônio levaria a um novo tipo de família; o aborto seria um direito humano inalienável da mulher, já que somente ela é que fica grávida; etc. Tudo isso é tão absurdo, que só pode ser imposto com uma espécie de “lavagem cerebral” global.

Você, em seu livro, a chama de “ideologia totalitária”. Há alguma relação com as ideologias totalitárias que a humanidade tem experimentado na história? Ou é um passo para chegar a estas situações de políticas totalitárias?

O gênero destrói a estrutura antropológica íntima do ser humano, por tanto quem fique à mercê dessa ideologia o fará “voluntariamente”. Não é mais do que uma ferramenta de poder global que, se imposta, levará a um regime totalitário – ainda quando haja eleições e partidos políticos como na Alemanha nazista -. Em contraste, nas outras ideologias conhecidas, o Estado dominava – ou domina como na Coréia do Norte ou em Cuba – pela força bruta.

Parece uma ideologia que entra nos países pelo aspecto legal e jurisdicional. Não será a falta de reconhecer uma lei natural, e a adoção do positivismo, os alicerces deste totalitarismo?

O problema parece mais profundo e complexo. O ethos é aquilo que um povo estima o que está bem e o que está mal, desde as profundezas do seu coração, não importando o que digam as leis e até mesmo o que cada um faça na própria vida. O problema é que o Ocidente perdeu o seu ethos comum, até 30 ou 40 anos atrás, era o cristianismo. O liberalismo fez que muitas pessoas acreditassem que a moral fosse um assunto privado de cada pessoa. Então, para alguns, é bom mentir, roubar, matar e fornicar – em certas circunstâncias -; e como todas as opiniões são iguais, a única maneira de viver em sociedade é que as leis “imponham” um certo ethos, que deve ser aceito por todos, sob certas penalidades. Por isso, nos nossos parlamentos promove-se todos os tipos de leis de gênero. Busca-se com elas que – junto com a educação -, formem o novo ethos dos nossos povos. E se o gênero se converte em ethos, o sistema totalitário funcionará plenamente.

A teoria do gênero é totalitária, mas não vemos ninguém perdendo as suas vidas. Então, por que ter medo de algo que não passa de leis e de idéias? Não é melhor respeitar a opinião de cada um?

Em 2010 a Espanha reformou a sua lei do aborto conforme a ideologia do gênero, considerando-o “direito humano” essencial da mulher. Naquele ano houve 113.031 abortos na Espanha. Essa “lei” e essa “idéia” mataram – só na Espanha e só nesse ano -, muitas pessoas. Não é pra ter medo da ideologia do gênero, mas é necessário enfrentá-la no campo das idéias, que é onde ela pode ser vencida mais facilmente.

Sempre é necessário respeitar as pessoas – independentemente dos seus pensamentos-. No entanto, as opiniões não se respeitam: se discernem. O livro ajudará o leitor a fazer seu próprio discernimento sobre o gênero.

Qual é, então, as conseqüências para nossos filhos, para a próxima geração?

Eu respondo com um fato real. Dei uma palestra sobre esta ideologia, a todos os professores de uma cidade de 7.000 habitantes, numa área rural da minha província. Gente simples e trabalhadora. Ao concluí-la, uma professora comentou em voz alta: ‘Agora eu entendo porque há alguns dias atrás meu filho de 7 anos me perguntou: mamãe eu sou menino ou menina …? As pessoas formadas e maduras estão imunes dessa ideologia, mas se a permitirmos penetrar nas crianças desde tenra idade – cinema, rádio, TV, escola, revistas -, em muitos casos, teremos que lamentar com o tempo tragédias de todo tipo.

“Onde haja um homem – mulher ou varão – , sua inteligência buscará a verdade, sua vontade tentará amar e autodirigir-se para o bem “, é o que você afirma no seu livro. Qual seria a melhor maneira de combater esta e outras ideologias semelhantes que tendem a penetrar nas Constituições e leis dos países? É a formação de homens e mulheres verdadeiros? O que significa um homem ou uma mulher verdadeiros?

Ante todas as idéias insalubres ou absurdas que giram pelo mundo atual, o mais importante não são outras idéias que as combatam; Mas sim, testemunhas da verdade. Mulheres e homens sinceros, de carne e osso. A mulher é a mãe, ou seja: o amor incondicional e que sempre está presente. O varão é o pai, ou seja: a autoridade, o amor que põe limites e condições, para tirar o melhor de si de cada um. Ambos amores são necessários para chegar à maturidade humana. Conhecer um homem e uma mulher assim, é a melhor “vacina” contra a ideologia do gênero.

Todo o dinheiro da venda desse livro no Brasil é revertido para o movimento Pró-vida do Brasil. O livro é distribuído no Brasil pelo Prof Felipe Nery (proffnery@hotmail.com)

Jorge Scala – Argentino. Advogado. Professor de Bioética na Universidad Libre Internacional de las Américas. Professor honorário da Universidad Ricardo Palma. Prêmio Thomas More do Instituto Tomas Moro. Prêmio João Paulo II à defesa da vida da Universidad Fasta. Autor e co-autor de vários livros. Deu mais de 600 palestras em 17 países.

Originalmente publicado aqui.

Reflexões sobre a “ideologia de gênero”

dom orani joao tempesta

A “revolucionária” ideologia de gênero vem tentando se implantar no Brasil por meio de grandes esforços do poder reinante ou dominante.

Diante desta situação, incumbe-nos, enquanto brasileiros e cristãos, saber o que é essa ideologia muito comentada, mas pouco definida, quais são suas raízes, como ela se impõe, que objetivos tem e qual deve ser a nossa posição frente a ela.

É ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.

Nada de novo debaixo do sol. Simone de Beauvoir, filósofa existencialista, já dizia exatamente isso. Não se nasce mulher, mas você se torna mulher; não se nasce homem, mas você se torna homem. Em suma, nada dependeria da natureza, mas, sim, de uma construção sociocultural capaz de levar a relações igualitárias entre dois seres humanos, naturalmente, diferentes quanto à sexualidade.

Uma Nota da Conferência Episcopal do Peru, emitida em abril de 1998, com o título La ideologia de género: sus peligros y alcances aponta a raiz marxista e atéia desse sistema ideológico e assegura que segundo a ideologia de gênero, não é a natureza, mas a sociedade quem vai impondo ao homem ou à mulher certos comportamentos típicos. Desse modo, se a menina prefere brincar de casinha ou aconchegar a boneca isso não se deveria ao seu instinto natural à maternidade, mas tão-somente a uma convenção social dominadora. Se as mulheres se casam com homens e não com outras mulheres, isso nada teria de natural, mas dever-se-ia apenas a uma “tradição social” das classes dominantes.

Mais: se o homem brinca de bola e sente necessidade de trabalhar fora de casa a fim de melhor sustentar a família ao passo que as mulheres preferem, via de regra, passar mais tempo em casa junto aos filhos (cf. Sueli C. Uliano. Por um novo feminismo. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 51-53), não estariam, de modo algum, atendendo a seus anseios inatos, mas apenas se acomodando ao desejo elitista de uma tradição opressora que deve ser rompida a qualquer momento. Sim, pois segundo os defensores da ideologia de gênero essas construções sociais opressivas só serviram até hoje para minimizar a mulher frente aos homens. Seria necessário conscientizá-las de que a sua vida de casa, cozinha e criança não tem mais sentido, essa conscientização levaria a mulher a entender o quanto é explorada e enganada pelo modelo patriarcal de sociedade em que vivemos.

Uma vez liberta, ela poderia optar por reconstruir-se do modo que bem entender. Faria a sua escolha sexual com todas as consequências dela derivadas, ou seja, poderia também optar por levar adiante uma gravidez ou praticar o aborto que, na doutrina de gênero, não seria crime algum, mas, ao contrário um direito que caberia à mãe. Embora, para não chocar a sociedade com o homicídio, prefira-se um termo manipulado por meio de engenharia verbal como é, por exemplo, “interrupção voluntária da gravidez”.

Isso posto, já devemos – coma Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e na Sociedade, da Congregação para a Doutrina da Fé, de 31 de maio de 2004 – aproveitar fazer, rapidamente, a refutação de duas correntes contemporâneas que propalam pensamentos absurdos a respeito da mulher: a subordinacionista, que a vê qual escrava, submissa ao homem em nível familiar e social, e a de gênero, desejosa de apagar as diferenças naturais entre homem e mulher. Afinal, a Escritura apresenta a mulher como ezer (auxiliar ou companheira) do homem por analogia com Deus que é ezer do homem (cf. Gn 2,4-25; Êx 18,4; Sl 10,35). Há entre mulher e homem complementaridade, apesar das diferenças fisiológicas e psicológicas (não meramente culturais). Iguais quanto à sua dignidade – um não é mais que o outro – não se identificam em suas características peculiares, pois Deus criou homem e mulher, não um andrógino polimorfo ou capaz de ter várias formas.

Outro ponto a ser refutado é o que defende a liberdade de construção sexual. Com efeito, assimcomo toda ideologia, a de gênero – considerada pelo estudioso argentino Jorge Scala, em sua obra Ideologia de gênero: neototalitarismo e morte da família (São Paulo: Katechesis, 2011), a mais radical já conhecida na história, pois se aplicada destruiria o ser humano em sua integralidade e, por conseguinte, a sociedade, cuja célula-mãe é a família – é também mentirosa. Ela oferece às pessoas a ilusão de que serão plenamente livres em matéria sexual, contudo, uma vez que essas pessoas tenham tomado a mentira por verdade, são aqueles que detêm o poder real que escolherão, a seu beneplácito, o modo como o povo deverá – padronizadamente – exercer a sua sexualidade sob o olhar forte do Estado que tutelaria para que cada um fizesse o que bem entendesse. Dentro da cartilha estatal, é óbvio. Só não se toleraria, por enquanto, as relações sexuais não consentidas, todas as demais seriam válidas e deveriam ser toleradas pelo Governo e pela sociedade em geral como lícitas.

Ora, uma ideologia tão antinatural e artificial dessas não consegue se impor do dia para a noite, nem recebe tão fácil acolhida da população, mas, ao contrário, provoca resistências entre as pessoas sensatas em geral. Daí os arautos da ideologia de gênero usarem, de modo conjunto, importantes estratégias para dominarem o grande número de hesitantes.

Sim, é imprescindível contar com os meios de propaganda de grande alcance tais como o rádio, o jornal, as revistas, a TV, a internet, pois são veículos de comunicação unidirecionais, ou seja, não permitem que o receptor da informação dialogue com o emissor (sabemos como são manipuladas as opiniões que se enviam para os sites) para, no caso de gênero, por exemplo, contestá-lo das inverdades que diz. Apenas se aceita muito passivamente aquilo que lhe é transmitido.

Outro meio formidável é o sistema educacional formal ou a escola. Por meio dela – em um processo educacional inverso ao que sempre se conheceu, no qual o papel primordial da educação ética e religiosa cabe aos pais – se veiculariam os métodos impostos pelo Estado a ditarem as normas de vida social aos alunos e estes deveriam, em casa, ensinar seus pais ou responsáveis doutrinando-os a fim de que também aceitem as novas concepções totalitárias, incluindo como carro-chefe a revolucionária ideologia de gênero, mãe de todas os outros “libertinismos” sexuais.

Tudo isso, porém, depende, para ser imposto, de uma ardilosa máquina de propaganda que age especialmente, a partir de três etapas fundamentais: primeiro, usar, desde logo, uma palavra comum, mas com sentido totalmente diferente. Desse modo, falar-se-ia em sexo e gênero, alternadamente, como se fossem meros sinônimos até que as pessoas, de maneira imperceptível, começassem a usá-las sem se questionar, ao menos em alguns ambientes específicos como as escolas, redações de jornais, rádios, igrejas etc.

Segundo, bombardear a opinião pública pelos meios de educação formais (escola) e informais (rádios, TVs, jornais, revistas, internet) valendo-se da palavra antiga com sentido novo ou transfigurado pela cirurgia ideológica nela realizada. Aqui já se substituiria o vocábulo sexo por gênero e se lhe acrescentaria os sentidos revolucionários de “sexo socialmente construído” em oposição ao sexo biologicamente dado pela natureza, falar-se-ia em “tipos de casamentos” e não mais no matrimônio monogâmico e estável com bases religiosas, etc.

Observa-se, então, que as pessoas aceitariam o termo clássico (sexo) com um conteúdo novo (gênero). Estaria imposta, por uma forte “heterossugestão”, um novo modelo de pensar: simples homens e mulheres, sem qualquer pressuposto filosófico, sociológico ou antropológico, estaria falando, de modo falacioso, que gênero é a “autoconstrução livre da própria sexualidade”. A opinião pública estaria dominada para acatar todo tipo de “vida sexual” contrária à natureza: poligamia, prostituição, orgias, pedofilia, pornografia, zoofilia (relação sexual com animais), necrofilia (encenação de ato sexual com defuntos) etc.

Tudo isso graças ao substrato de uma nova linguagem de características obscuras, próprias para causar confusão na mente de quem com elas toma contato, evitando, assim, que o ouvinte ou o leitor consiga rebater a mensagem implícita naqueles termos que parecendo esdrúxulos têm uma finalidade muito específica na veiculação da ideologia de gênero. Alguns deles são “sexismo”, sexualidade polimórfica, homofobia, “androcentrismo”, tipos de família, “parentalidade”, heterossexualidade obrigatória, etc. e quem toma contato, sem pressupostos, aceita às escuras tais termos e os repete trabalhando, ingenuamente, para a ideologia de gênero e, por consequência, contra a vida, a família e os alicerces da própria sociedade.

Pergunta-se, então, se diante de uma ideologia “revolucionária” e perversa, como se revela ser a ideologia de gênero, cabe aos católicos a coragem ou o medo? – Scala responde com uma citação de Jean Gitton, filósofo francês, que diz o seguinte: “Em todos os séculos, diz-se que a Igreja vai cair, e ela se mantém. É incrível. Em cada século diz-se que não é como os séculos precedentes, que desta vez é definitiva e que a Igreja não se salvará. E sempre se salva. Veja, ainda no século XX. O comunismo a enterraria. Todo mundo dizia isso. Eu também esperava o pior, na Europa e em todos os lugares. O que aconteceu? A Igreja enterrou o comunismo. E já veremos que a mesma coisa vai acontecer com o liberalismo que se acredita eterno. Aos olhos humanos nenhuma pessoa sensata poria um centavo nas ações do ‘Catolicismo’. Hoje em dia se diz: o consumismo e o sexo varrerão a Igreja. Bom, eu não acredito. Uma vez mais, acontecerá algo, não sei o quê. Repito: é incrível. Toda esta história é inverossímil” (Mi testamento filosófico apud Scala, p. 195).

Certo é que não basta só confiar nessa força sobrenatural da Igreja, é preciso fazer a nossa parte conhecendo e apresentando ao público a verdadeira face da ideologia de gênero escondida atrás de uma fantasia carnavalesca. Olha-nos sorridente para conquistar-nos. Uma vez conseguido seu intento, fecha sua carranca e ataca-nos impiedosamente para destruir a vida, a família e os valores sociais alicerçados na lei natural moral que ensina a fazer o bem e evitar o mal. Todavia, quem se julgar livre para defender os valores naturais e cristãos pode ser duramente perseguido, moral e fisicamente, como já se faz, ainda que um tanto veladamente, em não poucos países. A classificação de “retrógrado” e outros nomes é muito comum na verbalização e condenação daqueles que conseguem refletir sobre esses fatos.

Em tempos como os nossos, ter coragem para defender os princípios cristãos libertadores – é para a liberdade que Cristo nos libertou, Gl 5,1 – é expor-se ao próprio martírio de sangue, mas as palavras do Senhor Jesus nos encorajam: No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo (cf. Jo 15,18-27).

Fazemos votos para que todas as forças vivas da nação se unam em defesa da vida e da família e, consequentemente, da sociedade em geral a fim de que possamos, diante de Deus, deixar ao nosso povo em geral, especialmente às nossas crianças, adolescentes e jovens, a certeza de que não fomos omissos e lutamos, dentro da lei e da ordem, para que uma ideologia que pretende ser “revolucionária” como a de gênero não os prejudicasse. Nem hoje, nem amanhã.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.

Originalmente publicado aqui.