Como estará o apoio a Dilma em abril?

Planalto não terá como evitar forte desgaste político nos próximos meses. O tempo conspira contra a presidente

Janeiro se foi. O Congresso está prestes a retomar suas atividades. Passado o carnaval, o Planalto estará de novo às voltas com a batalha do impeachment. Mas muitos analistas estão convencidos de que a presidente tem razões de sobra para se tranquilizar. Com a intervenção do STF e o fortalecimento da resistência ao impeachment na base aliada, especialmente no Senado, o risco de afastamento da presidente teria desaparecido. O impeachment estaria enterrado de vez. Será?

É curioso que, em geral, esses mesmos analistas contemplam cenários extremamente pessimistas. Vislumbram grave aprofundamento do quadro recessivo e persistência da inflação muito acima da meta. Assustam-se com o crescimento explosivo do endividamento público e com o brutal aumento adicional de desemprego previsto para os próximos meses. E alarmam-se com a paralisante falta de perspectiva com que se debatem investidores, empresas e famílias, descrentes de que a presidente possa retirar o país da colossal crise econômica em que o meteu.

A percepção de desgoverno vai muito além da política econômica. Um bom exemplo é o que vem ocorrendo na área da Saúde. Dilma parece ter se dado conta, afinal, de que o ministro da Saúde — nomeado de afogadilho em outubro, em desesperada manobra para reforçar o apoio do PMDB na Câmara — não tem envergadura para enfrentar os enormes desafios com que o governo vem tendo de lidar na área. Mas terá Dilma condições de demitir o titular do ministério de maior orçamento na Esplanada, num momento político tão delicado, sem risco de um desabamento sério no castelo de cartas a que está reduzido seu apoio parlamentar? Claro que não. As urgências da Saúde terão de esperar.

Seja pelo aprofundamento da crise econômica, seja pela paralisia administrativa, justo quando a eficácia das políticas públicas se faz mais necessária, o Planalto não terá como evitar forte desgaste político nos próximos meses. O tempo conspira contra a presidente. Alguns meses mais podem lhe ser fatais. E é bem possível que o Congresso não se pronuncie sobre o afastamento de Dilma antes de abril. Em que estado estará a imagem da presidente em abril?

Há também que se ter em conta o desgaste adicional que advirá da longa e estreita relação de Dilma com a Petrobras. Há cerca de um ano e meio, na campanha presidencial de 2014, Dilma ainda não se dera conta das proporções do desastre que se abatera sobre a Petrobras. Ainda se congratulava por seu envolvimento de mais de uma década com a empresa: “Quem olhar o que aconteceu com a Petrobras nos últimos dez anos e projetar para o futuro, conclui que fizemos um grande ciclo. Eu estive presente em todos os momentos”. (“Folha de S. Paulo”, 2/7/2014)

Seja pela percepção cada vez mais nítida de quão devastadora foi a gestão da empresa no período, seja pelo fluxo cada vez mais intenso de revelações constrangedoras da Operação Lava-Jato, seja pelo avanço de ações judiciais que vêm sendo movidas no exterior contra administradores da empresa, a presidente está fadada a ficar cada vez mais desgastada com o descalabro da Petrobras. Em que estágio estará esse desgaste em abril?

Por sólidas, precisas e bem embasadas que sejam as razões formais que deram lugar ao pedido de abertura do processo de impeachment, ao fim e ao cabo, o julgamento de Dilma será político. A presidente será julgada pelo conjunto da obra. Em instigante artigo na “Folha de S. Paulo”(21/1), Marcus André Mello resgatou oportuna citação de Gerald Ford, o desajeitado presidente que foi guindado à Casa Branca quando Richard Nixon se viu obrigado a renunciar para evitar o impeachment: “um delito merecedor do impeachment é todo aquele que dois terços da Câmara de Deputados considerarem que assim seja, com a concordância do Senado”. Como o conjunto da obra de Dilma será avaliado pelo Congresso em abril?

A verdade é que ainda falta muito para que o impeachment chegue a seu desfecho. E a presidente bem sabe que, quanto mais demorado for o processo, mais provável será seu afastamento.

Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

 

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Jovem agnóstico se converte à Igreja Católica através da arte sacra

“Depois de copiar as pinturas de Rafael e de Fra Angelico, descobri que o que fazia bonitas aquelas obras não era simplesmente a técnica, mas a espiritualidade por trás delas.”

O Papa Bento XVI ensinou, certa feita, que “uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, impelindo-nos rumo ao alto”. Foi justamente o que aconteceu com Osamu Tanimoto. Filho de um engenheiro elétrico e de uma dona de casa, esse artista japonês descobriu a Fé enquanto estudava as obras clássicas do Renascimento, em Florença – e se tornou parte de um movimento global de artistas que estão redescobrindo a Igreja Católica.

Confira a seguir trechos de uma entrevista exclusiva concedida por esse jovem pintor ao site Regina Magazine.

 

O primeiro contato com a arte

Osamu, conte-nos sobre a sua vida no Japão e sobre a relação da sua família com as artes.

Fui criado em Tóquio, o caçula de três irmãos. Meu pai era professor de engenharia elétrica e minha mãe, dona de casa. Meu irmão mais velho é consultor e o outro trabalha em um banco. Minha família não tinha nada a ver com artes. Meu pai, principalmente, não entendia por que eu perdia meu tempo com isso… Era a impressão que ele tinha, até um dia ele perceber que as artes valiam a pena. Não posso culpá-lo por nada, porque toda a arte contemporânea confunde as pessoas e faz com que elas questionem se, afinal, os artistas não são apenas pessoas “fora da caixa” sem qualquer habilidade ou virtude. Eles não parecem pessoas à procura da verdade e da beleza.

Ainda que desde jovem eu fosse sempre entusiasmado com a arte, estudei educação na Universidade de Waseda, em Tóquio, para fazer a vontade do meu pai, que não queria que eu seguisse a carreira de artista.

Depois, mudei-me para a Temple University, para tentar estudar fora e seguir seriamente a profissão artística. Lá, encontrei meu primeiro professor de pintura a longo prazo, Walderedo, que retratou as florestas amazônicas e os americanos nativos. Comecei a reproduzir obras-primas, com as mesmas técnicas que eram utilizadas antigamente, como o afresco, a têmpera de ovo, a ponta de prata etc. No mesmo ano, entrei na nova Academia Russa de Arte, em Florença, para estudar desenho, pintura e composição. Fui treinado na tradição acadêmica russa e graduei-me em 2014 com o meu trabalho de conclusão The Return of the Prodigal Son (“O Retorno do Filho Pródigo”). Hoje, trabalho como professor na Escola de Arte Sacra, desde 2013.

O primeiro contato com a Fé

Vim a Florença atraído pela harmonia das obras renascentistas. Depois de copiar as pinturas de Rafael e de Fra Angelico, descobri que o que fazia bonitas aquelas obras não era simplesmente a técnica, mas a espiritualidade por trás delas.

Aqui, tive a graça de conhecer o escultor irlandês Dony MacManus, que depois se tornou meu padrinho. Foi ele quem me introduziu na história de Jesus Cristo, o homem que era Deus – não como um pregador, mas como um amigo. Muitas coisas que Jesus dizia eram surpreendentes e controversas, e o que a Igreja ensinava me parecia ir contra a corrente. Mas, do fundo do meu coração, eu via que essas coisas estavam certas.

A que você se refere?

Refiro-me a como a Igreja enxerga a relação entre o homem e a mulher no contexto do matrimônio, a como a razão e a fé dão as mãos uma à outra e caminham juntas. O que mais me impressionou e inquietou foi o mistério da Ressurreição. O fato de que qualquer sofrimento valeria a pena e, levado com fé, não deveria apagar a minha esperança, virou todo o meu mundo de ponta cabeça.

No Japão, eu era completamente alheio ao cristianismo. A religião cristã não é algo grande em meu país e, além disso, a sociedade é muito secularizada. Em Tóquio, por exemplo, as pessoas simplesmente nunca ouviram falar de Jesus Cristo. De alguma forma, isso me ajudou, porque, pelo menos, eu não tinha nada contra a Igreja quando escolhi (ou fui escolhido para) ser batizado.

Como a sua família reagiu à sua conversão?

Embora meus familiares não sejam religiosos – provavelmente têm alguma influência cultural do budismo e do xintoísmo –, eles respeitaram bem a minha escolha de conversão. O fato de minha tia também ser uma convertida pode tê-los ajudado a entender a minha decisão. Hoje, sou feliz que eles vejam e se alegrem com minhas pinturas – especialmente “O Retorno do Filho Pródigo” –, ainda que não sejam cristãos.

A arte sacra como caminho de conversão

“The Return of the Prodigal Son”, óleo sobre tela.

Para você, então, a arte foi um caminho para entender a doutrina cristã?

Sim. Todos aqueles corpos representados na arte sacra me ajudaram a entender o conceito de “Encarnação”. Os corpos são templos do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6, 19) e o mais belo e nobre projeto criado por Deus.

A Capela Sistina, de Michelangelo, só faz sentido porque celebra a beleza do corpo humano no seu contexto espiritual. É claro que, depois de minha conversão oficial, cinco anos atrás, minha conversão ainda continua. Agora, eu crio obras de arte imitando basicamente a Deus, e isso me faz amadurecer na fé, porque, quando eu pinto um tema religioso, eu rezo mais. Para mim, a virtuosidade na arte e na vida crescem lado a lado.

A arte sacra foi a minha porta de entrada nos mistérios da fé. Ela tocou o meu coração e elevou a minha alma com a sua harmonia. Por exemplo, a “Anunciação”, de Pontormo, o modo como o anjo se aproxima, e a doçura da expressão, da postura e das cores de Maria… Dentro dessa linguagem natural das obras de arte, abre-se todo um mundo sobrenatural. Essas pinturas e esculturas, mais do que científicas, são espirituais.

Posso dizer que eu era como o analfabeto na Idade Média – geralmente, eu via as imagens do Evangelho primeiro e só depois lia a passagem e entendia a história. Provavelmente, por entender as coisas visualmente, a arte cristã desempenhou um papel maior em ajudar-me a conhecer os Evangelhos.

A arte sacra como profissão

Você diz que a sua vocação como artista é “traduzir o Evangelho para a arte de hoje”. Quais cenas da Bíblia você tem interesse em pintar?

Quero pintar quantas eu conseguir, uma por uma. A ressurreição da filha de Jairo é um episódio importante para mim porque também é uma história de conversão. Jesus a ressuscitou dos mortos. Ele fez o milagre. Essa é exatamente a experiência que eu tive quando me converti e é essa a beleza que eu quero comunicar. Também há outras realidades envolvidas nessa cena, como a surpresa dos discípulos e a alegria dos seus pais…

Você parece ter gastado um bom tempo pensando nisso…

Para mim, também é importante comunicar a extraordinariedade do evento. É claro, os discípulos tinham confiado no que Jesus estava dizendo e fazendo, mas a reação deles deve ter sido extremamente humana, simples e espontânea. A alegria dos pais da menina deve ter sido o máximo. Vale a pena visualizar especialmente esses aspectos emocionais em torno de Jesus. Eu espero que eles falem ao homem de hoje, aos que querem “ver para crer”, como o Apóstolo Tomé quis ver Jesus e tocá-Lo, antes de acreditar que a Sua ressurreição era verdadeira.

A vida como católico em Florença

Como você leva a sua vida hoje, sendo um católico expatriado em Florença?

Estou vivendo em Florença há seis anos e meio. A melhor parte é que há tantas igrejas na cidade, e tantas delas bonitas, que eu posso escolher a qual Missa ir e no horário que quiser.

Ainda que alguns florentinos pratiquem a fé e outros não, a maioria está culturalmente familiarizada com os valores da doutrina da Igreja no cotidiano, como a caridade, a hospitalidade etc. As pessoas estão acostumadas a compartilhar as coisas e isso é bonito. Ao mesmo tempo, a sociedade de Florença é construída em uma ordem hierárquica bem rígida e há uma mentalidade legalista fortemente presente. Apesar disso, de alguma forma, aqui eu me sinto em casa, por causa da minha conversão à Fé.

Toda vez que eu vejo o afresco de Vasari na cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore, eu me lembro do meu batismo. Sei que, na prática, essa não é a minha casa, sou um estrangeiro e sempre serei. Eu me pergunto, porém, onde era a casa de Jesus. Nazaré ou a casa do Seu Pai? Certamente, também lá é o meu lugar.

Fonte:Regina | Tradução e adaptação: Equipe CNP

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Coletivismo Olavette

Quem me conhece ou me lê há algum tempo sabe que o Olavo de Carvalho foi influente na minha forma de pensar e escrever. Sem o Pondé eu nunca teria me posicionado à direita, mas o Olavo passou a ser mais importante pra mim depois de eu abandonar a esquerda oficialmente, em 2013. Mas eu já lia ambos desde 2008, quando eu ainda era um esquerdista dissidente.

Sim, nunca me encaixei bem no que a esquerda esperava de mim, e a leitura do Olavo e do Pondé só acentuava o problema. Em 2012, eu lia A Filosofia e seu Inverso, sempre escondido na bolsa, protegido entre outros livros, quase como se fosse uma coisa proibida – e de fato era. Mas em 2012 poucas pessoas conheciam o Olavo fora do seu círculo de alunos e leitores ocasionais. Foi em 2013, com o lançamento do Mínimo, que o Olavo tornou-se razoavelmente mais conhecido.

O que eu gosto no Olavo é seu raciocínio quase sempre lógico aliado a uma boa retórica. Mas é claro que o Olavo comete erros, como qualquer autor. Já disseram – e o Olavo mesmo concordou que havia verdade nisso – que ele é uma mistura de Aristóteles com Alborguetti. Ser comparado a Aristóteles não é pouca coisa, é o filósofo mais genial, rigoroso e lúcido que já li. O problema é que essa metáfora parece ter tomado uma dimensão real na psique do Olavo. É duro escrever isso, e não o faço com a menor alegria, mas hoje eu vejo que o Olavo tornou-se mais um exemplo de sua paralaxe cognitiva – o que ele é e sua obra não estão exatamente de acordo. Há o filósofo, escritor, e analista político de um lado; e há o líder de seita, histriônico, sofista que “sempre tem razão” do outro. Quase sempre eles podem ser distinguidos segundo o veículo em que se expressam: o filósofo escreve livros, o sofista escreve posts de facebook.

O que eu vejo hoje na direita é a péssima influência do “olavismo cultural”, que criou uma cultura histérica, persecutória, neurótica, e coletivista. O espírito da manada está entre nós, e a manada atropela, pisoteia, porque é estúpida. O populacho olavette lincha os dissidentes – que podem ser reais, ou meramente alguns coitados dotados de espírito e inteligência. O coletivismo que vivemos hoje fomenta a burrice, porque é necessário abandonar toda a inteligência para ser capaz de atacar qualquer um que não esteja alinhado, enquadrado, catalogado no paupérrimo imaginário moral e político dos seguidores do Olavo.

Na época em que Olavo e Francisco Razzo tiveram sua treta, só oGustavo Nogy – aluno de longa data do Olavo – teve coragem pra dizer – muito respeitosamente – que o rei estava nu, e acrescento da minha parte: sofrendo de delírios megalômanos. O Olavo se ressentiu por não ser citado pelo Razzo como influência em sua formação, e assim persistiu em sua posição por tempo indeterminado. Note que há uma contradição implícita em ridicularizar e ofender alguém que você gostaria que admitisse que recebeu sua influência.

Muitos conservadores, por medo de discordar do Olavo, se calaram quanto a isso, inclusive eu. Eu pensei: “isso vai passar, é só um siricutico do Olavo”, mas não passou. Piorou. Os episódios de perseguição se seguiram para todo e qualquer pensador de direita que não lhe dê as primícias de sua obra. A perseguição chegou a fazer um “expurgo” de suas alunas protestantes no ano passado (2015), um episódio vergonhoso, em que o Olavo de Carvalho exigiu expressões públicas de fidelidade de seus alunos. Pessoas realmente boas e sinceras foram humilhadas e excluídas do “convívio dos eleitos”.

Agora, os olavettes estão flertando com discursos revolucionários, e criticam todos os que não reconhecem o Olavo como senhor e salvador. No fundo esses jovens são pobres diabos aterrorizados pelo poder retórico do seu professor, a quem chamam abertamente de “mestre” – o que é vergonhosamente aprovado e estimulado pelo filósofo. É o retrato claro de uma geração se afogando no naufrágio moral da modernidade, se agarrando a ídolos de barro em busca de salvação.

O Olavo hoje acredita que ele influenciou milhões de pessoas a irem às ruas pedir o Impeachment da Dilma – o que é totalmente falso. Poucas pessoas levantaram cartazes declarando que “Olavo Tem Razão”, eu estava entre elas. O resto do povo jamais tinha ouvido falar de Olavo nenhum.

Ele acredita que vai restaurar a alta cultura formando uma legião de adoradores irracionais, robóticos, que só sabem reclamar do governo e, agora, dos que trabalham para derrubá-lo dentro da ordem política. Por isso o Olavo vomita ofensas e baixarias alborguettianas sobre o MBL, Kim Patroca Kataguiri, Reinaldo Azevedo, Fábio Osterman e outros. Até o Rodrigo Constantino, que já deu provas contundentes de que não é um liberal relativista, e sim um homem sério e comedido, foi soterrado com a torrente de ofensas alucinadas do Olavo.

O problema – entendam bem aqui meu ponto – é que precisamos parar de isentar o Olavo da responsabilidade sobre sua militância histriônica e burra. O Olavo ajudou a criar o monstrinho, ele moldou essa galera à sua imagem e semelhança, os alimentou com intrigas, e com aquilo que ele mesmo chama de auto-persuasão hipnótica. Essas crianças acreditam que são templários, mestres apologetas, gênios da filosofia universal que não conseguem compreender a diferença entre um non sequitur e uma bicicleta! Estes bostinhas não podem sequer colocar ordem na Igreja Católica, que está apinhada de comunistas, e vêm querer opinar sobre a política do Brasil?

O próprio Olavo falou tantas vezes que a estratégia deveria ser a ocupação dos espaços, a ocupação dos jornais, das universidades e dos partidos políticos. “Tomem um partido político antes de pensarem em intervenção militar” – dizia ele. Agora os caras do MBL vão lá ocupar espaços no PSDB, na Folha, no Senado, e o Olavo fala tudo o contrário do que havia dito! Uma das características do sofista é que ele está sempre certo, mesmo quando ele diz hoje o contrário do que disse ontem, vide Górgias. Vocês nunca repararam que o Olavo afirma uma coisa agora, e o exato oposto disso semanas depois com a mesma convicção enfática?

O Olavo poderia ter sido o unificador de toda a direita brasileira em um programa liberal-conservador, uma aliança estratégica para tornarmos o Brasil um país habitável, minimamente civilizado, e menos hostil à inteligência e à cultura. Mas essa oportunidade passou, e a oportunidade se toma no momento, ou se perde para sempre. Ele só precisava ter convocado um debate aberto, chamado os líderes das diversas frentes para conversar, estimulado a cooperação estratégica. Mas houve um problema de ego inflamado, e isso tornou-se impossível. O Olavo tem outros interesses que não são exatamente a reforma nacional.

A única coisa que os olavettes serão capazes de fazer hoje é espernear, inventar apelidos toscos pra gente, se enfurnarem em sua seita, difamar as “conservadias” (como eles dizem), tremerem e odiarem os “socialistas fabianos”. Se você é conservador, ou gostaria de ser, faça um favor a si mesmo e leia Edmund Burke, leia Russel Kirk, Michael Oakeshott, leia nosso portuga João Pereira Coutinho. Leia Chesterton, Montaigne, Pascal, Bernanos, Tomás de Aquino, Santo Agostinho. Eu sei que é fácil pegar tudo isso mastigado nos artigos do Olavo, mas o que vem mastigado vem também babado de saliva pegajosa. É uma questão de higiene.

 

 

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12 razones por las que el cristianismo «progre» morirá en este siglo XXI, según un exprotestante

12 razones por las que el cristianismo «progre» morirá en este siglo XXI, según un exprotestante
Las iglesias que no se toman en serio la Biblia y la Tradición están destinadas a ser cada vez menores y más irrelevantes

Dwight Longenecker es sacerdote católico y capellán de un colegio en Estados Unidos. Se crió en una familia y un colegio evangélicos fundamentalistas. En Inglaterra se hizo pastor anglicano. Casado y con hijos, entró en la Iglesia Católica y de vuelta a Estados Unidos es sacerdote católico por una dispensa especial. Su blog en inglés es StandingOnMyHead, muy leído y popular.

Con motivo de la reciente “expulsión” de los episcopalianos de la plena Comunión Anglicana (han quedado reducidos a la condición de “oyentes”), el padre Longenecker defiende que hoy la verdadera división se da entre cristianos “históricos o tradicionales” y cristianos “progresistas o liberales”, y vaticina que antes de un siglo la opción “progre” habrá desaparecido (o habrá dejado de tener nada que ver con el cristianismo). Para ello da 12 razones que resumimos a continuación.

1 – “Los modernistas niegan lo sobrenatural”
La religión, explica Longenecker, “es una transacción con lo sobrenatural; sea gente primitiva danzando junto al fuego o una Misa Solemne en una catedral católica, la religión trata de un intercambio con el Otro Mundo”. La religión trata de almas, pecados, cielo, infierno, condenación, la otra vida, ángeles y demonios, “y todo eso”.

Una religión “para ser buenos”, luchar por la igualdad de derechos y trabajar causas sociales desaparecerá, porque esas tareas se pueden trabajar sin religión, sin nada sobrenatural. Así, la primera generación de cristianos modernistas aún va a la iglesia, la segunda sólo va a veces, la tercera no va casi nunca y las siguientes ni van ni se lo plantean. Si no crees en lo sobrenatural, el ritual no vale la pena. Y dejas la iglesia.

2- La religión progresista fomenta el individualismo, no la comunidad
Si cada persona puede decidir en qué creer, no necesita juntarse con otras personas, de hecho no lo valorará. Tenderá a mezclarse con los pocos que crean exactamente igual que él en todo, grupos cada vez más pequeños, débiles e irrelevantes, que tenderán a desaparecer.

3- El cristianismo progresista es demasiado subjetivo y sentimental
Si lo que importa no es la moral ni la doctrina, sino el “sé tú mismo” y “siéntete bien”, si lo que se valora es básicamente el sentimiento, que es una experiencia individual, tenderá a desatenderse el compromiso formal, el comprometerse con una asociación o comunidad.Se puede “creer sin pertenecer”, y como es más fácil, es lo que se hará.

4- El cristianismo progresista es revisionista y se separa de la tradición
Al cortar con la tradición y despreciar la historia, sólo le queda “lo que ahora está de moda” (que dejará de estarlo muy pronto) y el esfuerzo agotador por someterse a las exigencias siempre variables e insaciables de la cultura contemporánea. A quien no tiene raíces se lo lleva el viento.

5- El cristianismo progresista se basa en biblistas ya caducos
Muchos cristianos “progres” dicen seguir “la crítica moderna”… y repiten lo que dijeron biblistas alemanes del siglo XIX o de antes de la II Guerra Mundial, porque les sonaba “desmitificador”. Todo eso ha caducado ante los avances de los biblistas modernos de verdad, los que publican en el siglo XXI y aplican métodos de historia y arqueología, no de ideología, y que refuerzan la fiabilidad de la Biblia.

6- El cristianismo “progre” morirá porque no es exigente con sus fieles
Los clérigos “progres” llevan 4 décadas diciendo que no es obligatorio ir a la Iglesia, que sólo hay que acudir si se tienen ganas… y ahora descubren con asombro que tienen las iglesias vacías. No piden a los fieles nada exigente… y estos se van porque lo menos exigente es quedarse en casa tranquilamente.

7 – El cristianismo progre fomenta el declive moral y eso lo debilita
En cualquier religión que cree en lo sobrenatural se predican las virtudes, que implican esfuerzo. Se pide pureza moral, autocontrol, disciplina… Pero la religión progre ofrece, en realidad, hedonismo, aunque un poco aguado. Las personas quieren religión en serio o hedonismo sin aguar, así que dejarán la religiosidad “progre” y elegirán entre esas dos opciones.

8- El cristianismo progre no tiene natalidad
Una religión que no tiene hijos desaparece con rapidez. Una religión que admite la anticoncepción e incluso la alaba, o que permite el aborto, será demográficamente irrelevante muy rápido, especialmente si compite con otras que fomentan la fecundidad y la familia.


Pastoras de una iglesia muy liberal a favor del aborto (“pro-choice”)

9- El cristianismo del Sur está en alza
Los episcopalianos de EEUU han sido castigados en la Comunión Anglicana por los anglicanos de África, que son inmensa mayoría y en crecimiento. El cristianismo en África, Asia y Sudamérica es creativo, vigoroso, crece y enlaza con la Biblia y la tradición histórica y moral. Será el que marque la línea en este siglo XXI.

10- Los “progres” ya son “establishment”, “mainstream”, “lo estándar”, lo aburrido…
Hoy ser “progre” es lo estándar, es lo que todos hacen, es burgués y mediocre… Los antiguos radicales hoy son parte del “establishment”. Son el sistema. Y la verdadera religión siempre tiene algo de antisistema, de rebelión ante la lógica de la mediocridad establecida. Por eso la religión progre aburguesada no atraerá a las personas que buscan verdadera religión.


Obispesas episcopalianas en EEUU: la Comunión Anglicana ha reducido a esta iglesia, hace un siglo la más prestigiosa del país, a mera “oyente”

11- Hoy los verdaderos radicales son los cristianos históricos, tradicionales
Si todo el mundo es progre, el conservador es el nuevo radical. En un mundo promiscuo, el casto es radical. En un mundo glotón, el que ayuna es radical. En un mundo relativista, quien tiene convicciones firmes es radical. En un mundo materialista, quien cree en lo sobrenatural es radical. Y esa radicalidad atrae a la gente.

12- El cristianismo progre se vacía… por sus puertas tan abiertas
El gran dogma “progre” es “las puertas están abiertas para todos”. Pero nadie quiere apuntarse a un club que no tiene reglas de admisión. Un club para todos en realidad es un club para nadie. Una iglesia sin dogmas ni moral no rechazará a nadie, pero nadie va a sentir que deba acudir o pertenecer a ella. Por esas puertas tan abiertas nadie va a entrar para quedarse, y muchos de los que estaban, se marcharán.

La paradoja que los sociólogos y el padre Longenecker detectan es que, al final, las religiones exigentes en lo moral, con doctrinas claras, llamado comunitario (no individualista) y visión sobrenatural son las que sobrevivirán a la prueba del siglo XXI y crecerán.

 

 

 

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Números são um ‘endosso à lisura’ das decisões, diz ex-presidente do STF

Para Carlos Ayres Brito, ‘não se pode descartar o conteúdo do manifesto’ dos advogados, mas baixo índice de reforma das decisões do juiz da Lava Jato nas instâncias superiores são dado objetivo de ‘legitimidade’.

Ex-presidente do STF Carlos Ayres Brito

Atualizada às 19h48 do dia 25 de janeiro

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto avaliou que o baixo índice de reforma das decisões de Sérgio Moro nas instâncias superiores funcionam como uma espécie de “endosso” para o juiz federal responsável pela condução da Operação Lava Jato na primeira instância.

Para Ayres Britto, trata-se de um caso “emblemático de zona cinzenta”. Na sua opinião, “não se pode descartar o conteúdo do manifesto” assinado por advogados que considera “de altíssimo preparo científico”. “Por outro lado, você tem essa estatística judiciária em favor do juiz Sérgio Moro. São dados objetivos. As decisões não têm sido, como característica central, muito pelo contrário, reformadas pelas instâncias superiores a ele”, afirmou o ex-ministro. “Esses dados são como endosso à lisura, à legitimidade das decisões dele.”

Em defesa de Moro, Ayres Britto destacou que as entidades representativas dos procuradores da República e dos juízes federais reagiram prontamente com manifestações de desagravo ao magistrado da 13ª Vara Federal de Curitiba.

O ex-presidente do STF também discorda das críticas dos defensores, que apontaram risco de ameaça ao estado de direito no País. “Não vejo maior risco sistemático aos direitos e garantias fundamentais”, afirmou. “Eu não subscreveria essa acusação de que estamos no vórtice de uma neoinquisição.”

Para ilustrar sua opinião, ele recorreu a uma metáfora: “Quando a gente vai fazer uma limpeza necessária, é preciso tomar cuidado para não jogar o balde de água fora com a criança dentro. Então minha opinião é que não está acontecendo isso. A Lava Jato não chegou a esse ponto censurável de desvirtuamento a ponto de jogar a água suja fora com a criança dentro.”

 

 

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A educação moderna criou adultos que se comportam como bebês Leia mais: http://www.fasdapsicanalise.com.br/a-educacao-moderna-criou-adultos-que-se-comportam-como-bebes/#ixzz3xsUrMdmI

A educação moderna exagerou no culto à autoestima – e produziu adultos que se comportam como crianças. Como enfrentar esse problema é o tema da reportagem a seguir, publicada na revista Época.

Os alunos do 3º ano de uma das melhores escolas de ensino médio dos Estados Unidos, a Wellesley High School, em Massachusetts, estavam reunidos numa tarde ensolarada para o momento mais especial de sua vida escolar: a formatura. Com seus chapéus e becas coloridos e pais orgulhosos na plateia, todos se preparavam para ouvir o discurso do professor de inglês David McCullough Jr. Esperavam, como sempre nessas ocasiões, uma ode a seus feitos acadêmicos, esportivos e sociais. O que ouviram do professor, porém, pode ser resumido em quatro palavras: vocês não são especiais. Elas foram repetidas nove vezes em 13 minutos. “Ao contrário do que seus troféus de futebol e seus boletins sugerem, vocês não são especiais”, disse McCullough logo no começo. “Adultos ocupados mimam vocês, os beijam, os confortam, os ensinam, os treinam, os ouvem, os aconselham, os encorajam, os consolam e os encorajam de novo. (…) Assistimos a todos os seus jogos, seus recitais, suas feiras de ciências. Sorrimos quando vocês entram na sala e nos deliciamos a cada tweet seus. Mas não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são”.

 

O que aconteceu nos dias seguintes deixou McCullough atônito. Ao chegar para trabalhar na segunda-feira, notou que havia o dobro da quantidade de e-mails que costumava receber em sua caixa de entrada. Paravam na rua para cumprimentá-lo. Seu telefone não parava de tocar. Dezenas de repórteres de jornais, revistas, TV e rádio queriam entrevistá-lo. Todos queriam saber mais sobre o professor que teve a coragem de esclarecer que seus alunos não eram o centro do universo. Sem querer, ele tocara num tema que a sociedade estava louca para discutir – mas não tinha coragem. Menos de uma semana depois, McCullough fez a primeira aparição na TV. Teve de explicar que não menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário alertá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como eles crescem cercados por adultos que os tratam como preciosidades”, disse ele à revista Época. “Mas, para se dar bem daqui para a frente, eles precisam saber que agora estão todos na mesma linha, que nenhum é mais importante que o outro”.

 

A reação ao discurso do professor McCullough pode parecer apenas mais um desses fenômenos de histeria americanos. Mas a verdade é que ele tocou numa questão que incomoda pais, educadores e empresas no mundo inteiro – a existência de adolescentes e jovens adultos que têm uma percepção totalmente irrealista de si mesmos e de seus talentos. Esses jovens cresceram ouvindo de seus pais e professores que tudo o que faziam era especial e desenvolveram uma autoestima tão exagerada que não conseguem lidar com as frustrações do mundo real. “Muitos pais modernos expressam amor por seus filhos tratando-os como se eles fossem da realeza”, afirma Keith Campbell, psicólogo da Universidade da Geórgia e coautor do livro Narcisism epidemic (Epidemia narcisista), de 2009, sem tradução para o português. “Eles precisam entender que seus filhos são especiais para eles, não para o resto do mundo”.

Em português, inglês ou chinês, esses filhos incensados desde o berço formam a turma do “eu me acho”. Porque se acham mesmo. Eles se acham os melhores alunos (se tiram uma nota ruim, é o professor que não os entende). Eles se acham os mais competentes no trabalho (se recebem críticas, é porque o chefe tem inveja do frescor de seu talento). Eles se acham merecedores de constantes elogios e rápido reconhecimento (se não são promovidos em pouco tempo, a empresa foi injusta em não reconhecer seu valor). Você conhece alguém assim em seu trabalho ou em sua turma de amigos? Boa parte deles, no Brasil e no resto do mundo, foi bem-educada, teve acesso aos melhores colégios, fala outras línguas e, claro, é ligada em tecnologia e competente em seu uso. São bons, é fato. Mas se acham mais do que ótimos.

A expectativa exagerada dos jovens foi detectada no livro Generation me (Geração eu), escrito em 2006 por Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos. No trabalho seguinte, em parceria com Campbell, ela vasculhou os arquivos de uma pesquisa anual feita desde os anos 1960 sobre o perfil dos calouros nas universidades. Descobriu que os alunos dos anos 2000 tinham traços narcisistas muito mais acentuados que os jovens das 3 décadas anteriores. Em 2006, dois terços deles pontuaram acima da média obtida entre 1979 e 1985. Um aumento de 30%. “O narcisismo pode levar ao excesso de confiança e a uma sensação fantasiosa sobre seus próprios direitos”, diz Campbell. Os maiores especialistas no assunto concordam que a educação que esses jovens receberam na infância é responsável por seu ego inflado e hipersensível. E eles sabem disso. Uma pesquisa da revista Time e da rede de TV CNN mostrou que dois terços dos pais americanos acreditam que mimaram demais sua prole.

 

Sally Koslow, uma jornalista aposentada, chegou a essa conclusão depois que seu filho, que passara 4 anos estudando fora de casa e outros dois procurando emprego, voltou a morar com ela. “Fizemos um superinvestimento em sua educação e acompanhamos cada passo para garantir que ele tivesse sua independência”, diz ela. “Ao ver meu filho de quase 30 anos andando de cueca pela sala, percebi que deveria tê-lo deixado se virar sozinho”. Que criação é essa que, mesmo com a garantia da melhor educação e sem falta de atenção dos pais, produz legiões de narcisistas com dificuldade de adaptação? Os estilos de criação modernos têm em comum duas características. A primeira é o esforço incansável dos pais para garantir o sucesso futuro de sua prole – e esse sucesso depende, mais do que nunca, de entrar numa boa universidade e seguir uma carreira sólida. Nos Estados Unidos, a tentativa de empacotar as crianças para esse modelo de vida começa desde cedo. Escolas infantis selecionam bebês de 2 anos por meio de testes. Isso acontece no Brasil também. No colégio paulista Vértice, um dos mais bem classificados no ranking do Enem, há fila para uma vaga no jardim da infância.

O segundo pilar da criação moderna está na forma que os pais encontraram para estimular seus filhos e mantê-los no caminho do sucesso: alimentando sua autoestima. É uma atitude baseada no “movimento da autoestima”, criado a partir das ideias do psicoterapeuta canadense Nathaniel Branden, hoje com 82 anos. Em 1969, ele lançou um livro pregando que a autoestima é uma necessidade humana. Não atendida, ela poderia levar a depressão, ansiedade e dificuldades de relacionamento. Para Branden, a chave para o sucesso tanto nas relações pessoais quanto profissionais é nutrir as pessoas com o máximo possível de autoestima desde crianças. Tal tarefa, diz ele, cabe sobretudo a pais e professores. Foi uma mudança radical na maneira de olhar para a questão. Até a década de 1970, os pais não se preocupavam em estimular a autoestima das crianças. Temiam mimá-las. O movimento de Branden chegou ao auge nos Estados Unidos em 1986, quando o então governador da Califórnia, George Deukmejian, assinou uma lei criando um grupo de estudos de autoestima. Os pesquisadores deveriam descobrir como as escolas e as famílias poderiam estimulá-la.

Os pais reuniram esses dois elementos – o desejo de ver o filho se dar bem na vida e a ideia de que é preciso estimular a autoestima – e fizeram uma tremenda confusão. Na ânsia de criar adultos competentes e livres de traumas, passaram a evitar ao máximo criticá-los. O elogio virou obrigação. Para fazer com que as crianças se sintam bem com elas mesmas, muitos pais elogiam seus filhos até quando não é necessário. O resultado é que eles começam a acreditar que são bons em tudo e criam uma imagem triunfante e distorcida de si mesmos. Como distinguir o elogio bom do ruim? O exemplo mais comum de elogio errado, dizem os psicólogos, é aquele que premia tarefas banais. Se a criança sabe amarrar o tênis, não é necessário parabenizá-la por isso todo dia. Se o adolescente sabe que é sua obrigação diária ajudar a tirar a mesa, diga apenas “obrigado”. Não é preciso exaltar sua habilidade em dobrar a toalha. Os elogios mais inadequados são feitos quando não há nada a elogiar. Se o time de futebol do filho perde de goleada – e o desempenho dele ajudou na derrota –, não adianta dizer: “Você jogou bem, o que atrapalhou foi o gramado ruim”. Isso não é elogio. É mentira.

Para piorar, um grupo de psicólogos afirma agora que a premissa fundamental do movimento da autoestima estava errada. “Há poucas e fracas evidências científicas que mostram que alta autoestima leva ao sucesso escolar ou profissional”, diz Roy Baumeister, professor de psicologia da Universidade Estadual da Flórida (EUA). Ele é responsável pela mais extensa e detalhada revisão dos estudos feitos sobre o tema desde a década de 1970. Descobriu que a autoestima alta é provocada pelo sucesso – não é causa dele. Primeiro vêm a nota boa e a promoção no trabalho, depois a sensação de se sentir bem – não o contrário. “Na verdade, a autoestima elevada pode ser muitas vezes contraproducente. Ela produz indivíduos que exageram seus feitos e realizações”. Outra de suas conclusões é que o elogio mal aplicado pode ser negativo. “Quando os elogios aos estudantes são gratuitos, tiram o estímulo para que os alunos trabalhem duro”, afirma.

 

Com uma visão distorcida de suas qualidades, com dificuldade para lidar com as críticas e aprender com seus erros, muito jovens narcisistas não conseguem se acertar em nenhuma carreira. Outros vão parar na terapia. Esses jovens acham que podem muito. Quando chegam à vida adulta, descobrem que simplesmente não dão conta da própria vida. Ou sentem uma insatisfação constante por achar que não há mais nada a conquistar. Eles são estatisticamente mais propensos a desenvolver pânico e depressão. Também são menos produtivos socialmente. Em terapia desde os 15 anos, Priscila Pazzetto tem hoje 25 e não hesita em dizer que foi e ainda é mimada. “Uma vez pedi para minha mãe me pôr de castigo, porque não sabia como era”, afirma. Os pais se referem a ela como “nossa taça de champanhe”, a caçula de três irmãos que veio brindar a felicidade da família num momento em que seu pai lutava contra um câncer. “Nasci no Ano-Novo. Quando assistia às chuvas de fogos na TV, meus pais diziam que aquilo tudo era para mim, para comemorar meu aniversário”, diz Priscila. Quando cresceu, nada disso a ajudou a terminar o que começava. Tentou inglês, teatro, tênis, karatê, futebol, jiu-jítsu e natação. Interrompeu até o hipismo, pelo qual era apaixonada. Estudou em 7 colégios particulares de São Paulo e, com frequência, seu pai precisou interferir para que ela passasse de ano. Passou em 3 vestibulares, mas não concluiu nenhum curso superior. “Simplesmente não me sinto motivada a ir até o fim”, afirma. Ainda morando com os pais, Priscila acaba de fazer um curso técnico de maquiagem e diz que arrumou emprego na butique de uma amiga. Tenta começar de novo.

Esses modelos de criação domésticos são chamados pelos psicólogos de “estilo parental”. Não é uma atitude isolada ou outra. É o clima emocional criado na família graças ao conjunto de ações dos pais para disciplinar e educar os filhos. Eles começaram a ser estudados em 1966 pela psicóloga Diana Baumrind, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley. De acordo com sua observação, ela dividiu os pais em 3 tipos: os autoritários, os permissivos e aqueles que têm autoridade, os competentes. O melhor modelo detectado por psicólogos, claro, são os pais competentes. Eles são exigentes – sabem exercer o papel de pai ao impor limites e regras que os filhos devem respeitar –, mas, ao mesmo tempo, são flexíveis para escutar as demandas das crianças e ceder, se julgarem necessário. A criança pode questionar por que não pode brincar antes de fazer o dever de casa, e eles podem topar que ela faça como queira, contanto que o dever seja feito em algum momento. Mas jamais admitirão que a criança não cumpra com sua obrigação. Ao dar limites, podem ajudar o filho a aprender a escolher e a administrar seu tempo. Os filhos de pais competentes costumam ser muito responsáveis, seguros e maduros. Têm altos índices de competência psicológica e baixos índices de disfunções sociais e comportamentais .

Os piores resultados vêm da criação de pais negligentes. Eles não são exigentes, não impõem limites e nem estão abertos a ouvir as demandas dos filhos. Segundo pesquisas brasileiras – com amostras pequenas, que não devem ser tomadas como definitivas –, esse é o estilo parental que predomina no país nos últimos anos. Quando se fala em estilo negligente de criação, isso não quer dizer que a criança está abandonada e não receba o suficiente para suprir suas necessidades materiais e de afeto. O problema é mais sutil. Com medo de parecer repressores, esses pais hesitam em impor limites. “É uma interpretação errônea dos modelos educacionais propostos a partir da década de 1970. Eles pregavam que a criança não deveria ser cerceada para que pudesse manifestar todo seu potencial”, diz Claudete Bonatto Reichert, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Luterana do Brasil. “Provavelmente, a culpa que os pais sentem por trabalhar fora leva a isso”.

Se parece difícil implantar em sua casa o modelo dos pais com autoridade, ainda há outra esperança. Nem todos concordam que os pais sejam totalmente responsáveis pela formação da personalidade dos filhos. A psicóloga britânica Judith Harris, de 74 anos, ficou famosa por discordar do tamanho da influência dos pais na criação dos filhos. Para ela, se os filhos lembram em algo os pais, não é graças à educação, mas à genética. “Os pais assumem que ensinaram a seus filhos comportamentos desejáveis. Na verdade, foram seus genes”, afirma. O resto, diz Judith, ficará a cargo dos amigos, a quem as crianças se comparam. É por isso que ela acha inútil tentar dar aos filhos uma criação diferente da turma do “eu me acho”. “Houve uma mudança enorme na cultura”, afirma. “As crianças são vistas como infinitamente preciosas. Recebem elogios demais não só em casa, mas em qualquer lugar aonde vão. O modelo de criação reflete a cultura”.

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(Fonte: charlezine.com.br)

Originalmente publicado aqui.

Armando Castellar: “É preciso estancar a desindustrialização do Brasil”

Em defesa da indústria

Por que o autoritarismo econômico, à direita e à esquerda, é tão popular entre nós, enquanto o liberalismo é tratado quase como um Judas em sábado de Aleluia? Uma das razões, me parece, é a maior capacidade dos economistas autoritários tecerem narrativas atraentes, quando comparados aos liberais. E a narrativa, estou convencido, é um elemento central para construir apoio social a qualquer política. Muitas vezes, mais importante que os próprios fatos, aos quais os liberais tendem a se prender.

A política industrial, o conjunto de políticas públicas orientadas para desenvolver a indústria de transformação, é uma das áreas em que isso é mais evidente. Na narrativa autoritária, essa política visa dar ao Estado (o mocinho) meios para resgatar a indústria nacional (a mocinha indefesa) dos empresários e estrangeiros (os bandidos), que apenas visam o lucro e se lixam para a expansão da indústria nacional.

É uma história do bem contra o mal. O Estado é “100% anjo” e onisciente, enquanto o mercado faz o mal, pois não sabe o que faz, tem más intenções ou não se preocupa com o povo. Numa situação dessas, os fins justificam os meios: não é preciso ter metas, prazos, olhar custos ou considerar alternativas. É uma narrativa errada, mas clara e empolgante.

Os liberais não têm uma narrativa atraente. Eles observam que a existência de falhas de mercado implica que, em tese, a atuação do Estado pode gerar um benefício líquido para a sociedade. Mas isso teria de ser avaliado caso a caso. E não basta considerar os benefícios: há também que avaliar os custos, se não há caminhos melhores para atingir o objetivo pretendido, e considerar as limitações práticas do próprio Estado. Muito técnico, não?

No último decênio o governo brasileiro embarcou em diversas formas de política industrial autoritária. Seis delas se destacam. Primeiro, a grande alta dos subsídios concedidos pelos bancos públicos. Segundo, as políticas de redução de custos industriais, destacando-se a desoneração da folha de pagamentos e a redução do preço da energia elétrica. Terceiro, a preferência local nas compras governamentais, que obriga o governo a pagar mais por certos produtos fabricados no país do que por outros trazidos de fora. Quarto, a política de conteúdo nacional no setor de óleo e gás. Quinto, a política de campeões nacionais, que além de dar subsídios eleva o poder de mercado dos produtores locais. Sexto, o aumento das barreiras à importação.

A narrativa foi sempre a mesma: eram políticas para expandir a indústria nacional. Nunca se mencionou, porém, os custos. De um lado, para o contribuinte: foram centenas de bilhões de reais de dinheiro público gastos com subsídios creditícios e à energia elétrica, isenções tributárias e custos mais altos nas licitações públicas. De outro, para as empresas: a política de conteúdo nacional, junto com a corrupção, a incompetência e o controle de preços da gasolina, arruinou as finanças da Petrobras e gerou as crises que vivem os setores naval e de óleo e gás. E, de outro ainda, para os consumidores, obrigados a pagar mais por produtos de menor qualidade.

Você pagou e ainda vai pagar muito por essas iniciativas. Alguém lhe alertou para isso?

Mas, e o bem, foi feito? Nem isso: a mocinha, de fato, vai de mal a pior. No último decênio, a produção da indústria de transformação brasileira aumentou apenas 0,15% ao ano: ou seja, não foi a lugar nenhum. O desempenho do PIB manufatureiro foi semelhante. Também não se geraram os prometidos empregos: o número de trabalhadores caiu 8%, enquanto o de horas pagas ficou 10% menor. E, confirmadas as projeções do IBRE, a participação da indústria de transformação no PIB cairá de 17% em 2005 para 12% em 2016. Ou seja, se andou para trás.

E não se deixe iludir por quem diz que teria sido pior sem essas políticas, sem apresentar qualquer evidência (combinando benesses e custos, claro): os números são ruins demais para que isso pudesse ser verdade.

O industrial reclama, com toda razão, das péssimas condições competitivas do Brasil: carga tributária elevada, infraestrutura ruim, regulação pública complexa e instável, mão de obra pouco qualificada, etc. Mas parece não se dar conta de que isso é o outro lado da moeda de políticas públicas construídas com base na narrativa autoritária. Os impostos, a instabilidade macroeconômica, a caótica intervenção estatal são reflexos do Estado que gasta como se não houvesse amanhã e acha que sabe tudo.

Ter uma indústria moderna e competitiva é obviamente importante: por isso, é preciso estancar o processo de desindustrialização em que meteram o Brasil. Insistir no autoritarismo econômico é o caminho errado para isso. Depois do retumbante fracasso das políticas autoritárias, não seria hora de refletir se não é melhor para a indústria trabalhar com um Estado mais leve, mais impessoal, mais eficiente, e que se preocupe mais com prover uma boa infraestrutura e focar na melhoria dos indicadores sociais?

Fonte: Valor Econômico, 8 de janeiro de 2015.

 

 

 

Originalmente publicado aqui.