Google/Tradutor – Temer diz nos EUA que, se Dilma cair e se ele assumir, Joaquim Levy fica na Fazenda

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) está nos EUA. Falou a investidores. Seu discurso tem de ser interpretado e vale mais por aquilo que está apenas sugerido do que por coisas que disse, mas nas quais certamente não acredita — sem querer ser adivinho. Comentou, por exemplo, os apenas 7,7% de ótimo e bom do governo Dilma na pesquisa CNT/MDA: “Isso é cíclico, né? Aconteceu em muitos governos, e a avaliação depois melhora. Vamos aguardar o futuro”. Pode ocorrer, de fato, de um governante reverter a avaliação a seu respeito, mas Temer sabe que isso depende de circunstâncias objetivas — por exemplo, uma melhora na economia. Vai acontecer? Não tão logo! O vice sabe que a imagem do Brasil entre investidores se deteriorou terrivelmente. E tentou se apresentar, e ao PMDB, como âncora da estabilidade. E ele o fez na base do “Fica Levy”. Explico.

Temer afirmou que, caso seja candidato à Presidência em 2018 e vença a disputa, Joaquim Levy permanecerá no Ministério da Fazenda. Na verdade, foi indagado a respeito dessa hipótese e respondeu: “Claro, claro! Ele está fazendo um belo trabalho”.

Não existe ainda um “Google/tradutor” que verta a linguagem dos políticos para o português claríssimo. Se houvesse, a resposta do programa seria esta: “Caso Dilma caia e eu assuma a Presidência, Levy fica. Afinal, se estou dizendo que eu mesmo o levaria se fosse eleito, por que não o manteria se assumisse a cadeira de Dilma?”. Ou por outra: Temer, mui respeitosamente, admite que os investidores se importam menos com quem ocupa a cadeira da Presidência do que com quem ocupa a do Ministério da Fazenda.

Cumprindo seu papel institucional, defendeu o governo no caso das chamadas “pedaladas fiscais” e disse ter a certeza de que o Planalto está juridicamente amparado. Vamos ver.

Antes, em palestra a advogados, afirmou que, em algum momento, o PMDB deixará o governo porque pretende disputar a Presidência da República em 2018. Vai mesmo? Sei lá eu. Parece que tudo caminha para isso. De novo, é preciso interpretar: se o partido teria de deixar os cargos que ocupa, é um sinal de que, qualquer que seja o seu destino, não estará em companhia do PT.

Temer fez considerações sobre a oposição:
“No Brasil, sempre foi assim. Quem perdeu a eleição acha que tem que contestar. [A oposição] deve se opor por uma questão de mérito, não simplesmente porque perdeu. O sistema jurídico impõe que a oposição fiscalize, critique, observe, contrarie e controverta, precisamente para ajudar a governar”.

O vice-presidente fez questão de deixar claro que se tratava de uma crítica genérica ao comportamento das oposições, não a esta que está aí. Disse: “Tenho colegas jornalistas brasileiros aqui e não estou fazendo nenhuma crítica à oposição lá do Brasil. Os que foram oposição hoje foram situação no passado e poderão vir a ser situação no futuro. A coisa é sempre a mesma. Enquanto você não mudar os costumes políticos, ninguém vai ter esse conceito jurídico positivo de situação e oposição”.

É… Parece-me um bom retrato de como o PT se comportou desde a sua fundação, em 1980, até a chegada ao poder, em 2003.

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, respondeu à analise do vice e afirmou que os oposicionistas brasileiros defendem as instituições e que, como quer Temer, atuam em função do mérito do governo, em defesa das instituições e da população brasileira: “Somos oposição porque respeitamos o Brasil e os brasileiros”.

Por Reinaldo Azevedo

Originalmente publicado aqui.

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