PLN 36 e a estratégia revolucionária

É uma pena que os políticos no parlamento conheçam tão pouco as táticas marxistas e sejam tão pouco estudados. Embora a questão do PLN 36 tenha um aspecto bem politiqueiro (livrar a cara da Dilma do crime de responsabilidade fiscal), há também na iniciativa uma estratégia revolucionária orientada pelo próximo Karl Marx.

Disse Marx:

“(…) se os pequeno-burgueses [= classe média e alta] propuserem comprar as ferrovias e as fábricas, têm os operários [= os comunistas] de exigir que essas ferrovias e fábricas – enquanto propriedade dos reacionários – sejam confiscadas simplesmente e sem indenização pelo Estado.

Se os democratas propuserem o imposto proporcional, os operários exigirão o progressivo; se os próprios democratas avançarem a proposta de um [imposto] progressivo moderado, os operários insistirão num imposto cujas taxas subam tão depressa que o grande capital SEJA COM ISSO ARRUINADO; se os democratas exigirem a regularização da DÍVIDA PÚBLICA, os operários exigirão a BANCARROTA do Estado”.
(K. Marx e F. Engels, Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas).”

Ou seja, destruir a engrenagem econômica – produzir crises – faz parte da estratégia revolucionária do marxismo clássico. De modo que o mau desempenho na fase democrática da sociedade que será subvertida NÃO É um acidente de percurso ou mera incompetência ou inépcia admnistrativa. A carestia, a fome, os saques, o roubo dos famélicos, a inflação, a destruição da moeda, tudo isso insufla na população o sentimento de insatisfação e insurreição propiciando a atuação de demagogos que manipularão a população empobrecida ao mesmo tempo que propricia a DESTRUIÇÃO da elite dita “reacionária”.

O melhor analista político em atividade hoje no Brasil, Heitor de Paola, explicou:
“(…) Quem tentar entender a lógica interna e a atuação de um partido comunista ou de linha auxiliar do comunismo com os métodos tradicionais de análise política, CERTAMENTE SEGUIRÁ UM CAMINHO ERRADO E FICARÁ EXPOSTO A SURPRESAS E DESILUSÕES SEM FIM (…) [os partidos comunistas] encaram a política como guerra de extermínio e para isto se utilizam de métodos estranhos aos demais partidos (…) Consideram os demais partidos ‘burgueses’ não como adversários dos quais podem ganhar ou perder (…) mas inimigos a serem aniquilados (…) no cerne da própria estratégia está a abolição, em algum momento no futuro, dos mecanismos ‘burgueses’ da ESCOLHA DOS DIRIGENTES PELOS ELEITORES. Sua luta NÃO É política, embora dêem a impressão (…) a Sociedade terá que ser enganada até o momento em que [esta] se torne INCAPAZ DE MUDAR OS PRÓPRIOS DESTINOS PELA VIA ELEITORAL ou que esteja de tal modo encharcada de lixo marxista que já não reconheça nada diferente. Para ludibriar a sociedade os partidos comunistas lançam mãos de duas táticas simultâneas: uma ‘POLÍTICA’ democrática exigindo e se comprometendo com o maior grau de democracia possível, e uma ‘ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO’ que faz uso das franquias democráticas para acabar com elas (…)”
(PAOLA, Heitor. O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, pg. 74 e 75.)

Logo em seguida o Heitor de Paola explica a diferença que há entre uma ‘política’ e uma ‘estratégia’. A ‘estratégia’ contém dentro de si um SEGREDO e uma MANOBRA DE DESPISTAMENTO que se destina a surpreender o adversário e obter a vitória final.

Um dos segredos contidos no PLN 36 é precisamente a função de DESTRUIR A ORDEM ECONÔMICA com fins revolucionários.

Infelizmente para nós, os políticos de “oposição” (cujos partidos se enquadram naquilo que é definido por PAOLA como ‘companheiros de viagem’) mantém o discurso rigorosamente dentro da clave da mentalidade burguesa, i.e., critica a iniciativa desde uma perspectiva unicamente ‘ADMINISTRATIVISTA’ passando ao longe de onde verdadeiramente reside o ardil revolucionário. Uma oposição anti-comunista, antes de qualquer coisa, deveria denunciar e revelar a estratégia revolucionária.

Da sua parte os representantes do Foro de São Paulo fingem preocupação com as falas da pseudo-oposição. Independente de qual seja o desfecho o simples fato de uma proposta dessas estar em discussão com sérias chances de aprovação é – por si só – um imenso avanço do comunismo. A cabeça da presidente Dilma Rousseff pode até vir a rolar, porém, JÁ EXISTE uma situação onde começa a se tornar forçoso a abolição dos controles fiscais.

Marx foi claro:

“(…) se os democratas exigirem a regularização da DÍVIDA PÚBLICA, os operários exigirão a BANCARROTA do Estado”

Não é o que estão fazendo?

Francis Lauer.

Originalmente publicado aqui.

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