Susan Greenfield e as tecnologias que infantilizam o cérebro humano

Em seminário na Capital, neurocientista falou sobre o risco do uso excessivo das redes sociais

18/09/2012 | 03h55

Susan Greenfield e as tecnologias que infantilizam o cérebro humano Félix Zucco/Agencia RBS

A neurocientista e pesquisadora de Oxford Susan Greenfield falou ao público da CapitalFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

Uma geração de crianças incapazes de pensar por si próprias.

Esse é um dos riscos das novas tecnologias apresentados pela neurocientista e pesquisadora da Universidade de Oxford Susan Greenfield, durante o seminário Fronteiras do Pensamento segunda-feira, no Salão de Atos da UFRGS.

Ao revelar uma estreita relação entre os efeitos das novas tecnologias de comunicação e a química cerebral, Susan alertou: navegar em excesso por redes sociais pode fazer o cérebro regredir:

— A exposição repetida a flashes de imagens em programas de TV, jogos de videogame ou redes sociais pode infantilizar o cérebro, tornando-o similar ao de uma criança pequena.

Segundo Susan, pesquisas sobre transtorno de vício e uso obsessivo de internet preocupam por mostrarem que crianças e adolescentes estão deixando de viver a vida real para se entregarem a experiências virtuais diante da tela.

A experiência que teve em Oxford ao dissecar um cérebro foi descrita pela baronesa como o momento em que decidiu voltar-se para pesquisas neurológicas. Ela se sentiu atraída por saber como as emoções e memórias iriam mudar ao longo dos anos.

Usando o exemplo dos taxistas de Londres, que precisam passar por um teste de memória sobre ruas da cidade, falou de uma pesquisa que escaneou o cérebro desses profissionais e mostrou que o hipocampo é maior do que o da maioria das pessoas:

— Quanto mais você usa seu cérebro, mais desenvolvido e potente ele fica.

Células fortalecidas por interações

Segundo Susan Greenfield, aprender é a capacidade do ser humano que o torna diferenciado dos outros seres vivos. À medida que a pessoa evolui, segundo ela, se libera da tirania de seus genes.

Ao falar sobre a influência do meio na cognição, a pesquisadora disse que o ambiente é a chave para fazer a pessoa ser o que é, e que as células cerebrais são fortalecidas conforme as interações e experiências de cada pessoa.

— O cérebro humano é muito sensível ao ambiente, mudando a todo momento em reação a ele — afirmou.

Uma das contribuições da tecnologia está no nível da compreensão metafórica. Para Susan, as conexões das células cerebrais ajudam a compreender além do nível sensorial e entender o nível metafórico das informações.

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é apresentado pela Braskem e tem patrocínio de Unimed Porto Alegre, Natura, Gerdau e Grupo RBS. O projeto conta com parceria da UFRGS, apoio da Petrobras no módulo educacional e parceria cultural de Unisinos, prefeitura de Porto Alegre e governo do Estado do Rio Grande do Sul.

 

 

Originalmente publicado aqui.

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