“Também estou morrendo, mas me suicidar não é a resposta”

Mãe de quatro filhos com tumor em fase terminal pede a Brittany Maynard, a americana que escolheu a eutanásia, reconsiderar sua decisão

Kara Tippetts 2
mundanefaithfulness.com
Kara Tippetts é esposa de um pastor e mãe de quatro filhos. Ela é autora do livro “The Hardest Peace” (A paz mais difícil), além de ter um blog. Após saber da história de Brittany Maynard, a norte-americana de 29 anos que decidiu realizar a eutanásia logo após descobrir que um tumor no cérebro poderia matá-la em dois meses, resolveu escrever uma carta. Eis a carta:O meu oncologista e eu permanecemos com o meu coração entristecido pela sua história. Falamos do difícil caminho que nos foi pedido percorrer.Cheguei em casa, eu e meu amigo nos sentamos na cama da minha filha de cinco anos e rezamos por você. Rezamos simplesmente para que você pudesse escutar minhas palavras, que nascem do lugar mais sensível do meu coração.

Rezamos para que pudesse escutar as palavras que escrevi, que partem de um lugar de amor sensível e sábio. Sabendo o que quer dizer o horizonte dos seus dias que, um dia pareciam ilimitados, e agora parecem escurecer.

Escute estas palavras de um coração cheio de amor por você. Brittany, a sua vida é importante, a sua história e o seu sofrimento são importantes. Obrigada por ter saído da privacidade da sua história e tê-la compartilhado abertamente.

Nós a vemos, vemos a sua história, e existem inúmeras pessoas que a amam e estão rezando para que você mude de ideia.

Brittany, amo você e sinto muito por você estar morrendo. Sinto muito que a ambas de nós tenha sido pedido seguir uma estrada que parece simplesmente impossível de percorrer.

Acredito que contar a sua história seja importante. Acredito que seja positivo para a nossa cultura saber o que está acontecendo em Oregon.

É uma discussão que deve ser levada além dos pontos de vista cômodos e levada à luz. Compartilhando a sua história aconteceu isto. É imensamente importante. Obrigada.

Digo de forma muito simples que não concordamos. O sofrimento não é inexistência da bondade, não é inexistência da beleza, mas talvez pode ser o lugar onde conhecer a verdadeira beleza.

Escolhendo a sua morte, você está retirando daqueles que a amam com tanta ternura a oportunidade de estar com você nos seus últimos momentos e de poder lhe oferecer amor no último suspiro.

Enquanto eu estava sentada na cama da minha filha rezando por você, perguntei-me sobre a impossibilidade de entender que um dia a história da minha pequena será bonita, porque presenciou a minha morte.

Aquele último beijo, aquela última carícia, aquele último respiro contam, mas nunca pensamos em decidir quando seria exalado o último respiro.

Conhecer Jesus, saber que Ele conhece o meu difícil partir, que Ele caminha comigo na minha agonia, meu coração deseja que você O conheça na Sua morte. Porque na Sua morte, Ele protegeu a minha vida. A minha vida para além deste mundo.

Brittany, quando confiamos no fato de que Jesus toma sobre Si, protege e redime o nosso coração, a morte não é mais uma agonia. O meu coração deseja que você conheça esta verdade, este amor, esta vida eterna.

Eu lhe disse uma mentira. Uma terrível mentira. Que a sua morte não será bonita. Que o sofrimento será muito grande.

O meu oncologista e eu falamos hoje da sua agonia, da minha e da bela colaboração que tenho com os meus médicos, que me acompanham nestes últimos momentos com cuidados amorosos. Por dois mil anos os médicos estiveram ao lado da defesa da vida, cuidando com amor dos pacientes que morrem na graça.

O médico que lhe prescreveu a pílula que irá acelerar a sua morte se desviou do Juramento de Hipócrates, que diz que primeiramente não se deve fazer o mal. Ele, ou ela, se desviou do juramento que defende a vida e o morrer bem que nos é concedido.

Há pessoas que falam, em tons desagradáveis, que nós que acreditamos em Jesus nos sentimos inseguros, não desejados e não amados. Mas no meu sussurro, na minha súplica, minha querida, escutará o meu coração que lhe pede, lhe pede por favor, lhe suplica, para não tomar esta pílula. Sim, a sua morte será difícil, mas não será privada de beleza.Por favor, você confiaria em mim nesta verdade? E, algo ainda mais importante, você escutará do seu coração que Jesus a ama? Ama. Sofreu uma morte horrível sobre uma cruz para que você o conhecesse hoje, para que nós não precisássemos viver separados Dele na nossa morte. Morreu e a Sua morte aconteceu; não é simplesmente uma história.Morreu e venceu a morte três dias depois, e vencendo a morte venceu a morte que você e eu estamos enfrentando com o nosso câncer. Quer lhe conhecer, guiá-la na sua agonia e lhe dar vida e em abundância: a vida eterna.

Para cada ser vivente a morte é iminente – todos a enfrentarão um dia -, e a pergunta mais importante é: “Quem é este Jesus, e o que tem a ver com a minha agonia?” Por favor, não tome esta pílula antes de se fazer esta pergunta. É uma pergunta que precisamos fazer, visto que todos morreremos.

Recentemente escrevi um livro: The Hardest Peace (A paz mais difícil), e escrevi também em meu blog sobre meu percurso de vida e minha viagem em direção ao meu último respiro. Não é simplesmente uma história sobre o fato de morrer de câncer, mas de viver aquele respiro. É um livro sobre cada um de nós que tem ainda a possibilidade de respirar, de abraçar a vida e de olhar a morte com graça. Viver no Grande Amor e encontrar meu fim no amor. Surpreendente, importante, o amor.

Subiria em um a avião amanhã mesmo para ir vê-la e compartilhar minha história e encontrar-lhe na sua casa, se você quiser me receber.

Rezo para que estas palavras cheguem até você. Rezo para que cheguem a multidões que estão olhando a sua história e acreditando na mentira de que o sofrimento é um erro, que morrer não é ser corajoso, mas que escolher a nossa morte é ser corajoso.

Não, acelerar a morte nunca foi a intenção de Deus. Mas na nossa agonia, Ele nos doa a Sua graça.

O Juramento de Hipócrates é importante, e aqueles que escolhem se afastar precisam ser desafiados. Me faz mal ao coração saber que decidiram se afastar da proximidade da graça que protege a nossa vida e a nossa morte.

Decidi cooperar com o meu médico na minha agonia, e será uma viagem bela e dolorosa para todos nós. Mas me escute: não é um erro. A beleza nos encontrará no nosso último suspiro.

Originalmente publicado aqui.
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