Desinformação e “idiotas úteis”

Usaremos o “idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus“. Assim Vladimir Lênin trabalhava sua loucura soviética, principalmente com os “tidos aliados” externos do Kremlin. A lógica era muito simples, embora a pessoa, o “idiota útil”, podia ser ingênuo sob a ótica aliada dos soviéticos, ou até mesmo de outras ideologias socialistas e comunistas, os mesmos eram desprezados pelos soviéticos e pela central do poder, e óbvio, que eram usados da forma mais cínica possível, e depois descartados como simples objetos sem valor algum para o Estado, ou para o projeto de poder do partido.

Ou como diria Karl Sílex, jornalista alemão do período nazista comentando para a sociedade alemã sobre os 15 pontos de controle da mídia por parte do Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, “a profissão de jornalista se tornou cargo público”.

Ou pela lógica nefasta do próprio Goebbles, “conte uma mentira mil vezes, que aos poucos ela se torna verdade”.

Sem contar os exemplos de manipulação da cultura e dos aparelhos sociais por parte do Partido Comunista Chinês.

O que mais me assusta na verdade, está no fato do Estado ganhar este corpo de Deus como Lênin pensava. Primeiro em apresentar um Brasil lindo e glorioso, como os nazistas faziam, e ao mesmo tempo o uso da propaganda e da técnica de desinformação junto aos grupos que se alimentam totalmente de desinformações com corpo, e ódio, para atacarem os contrários ao partido. Por exemplo, se você fala mal da Copa do Mundo, você é “coxinha, reacionário e PSDB”, se você fala bem da Copa do Mundo, você é “PT, leva bola do governo, ou é alinhado da Dilma”. Espera um pouco, o Brasil é bipolar? Nós vivemos em uma democracia, ou não?

Existe uma lógica muito simples na política, como diria um amigo, “a política não aceita a verdade”, e o atual jogo político, nefasto e sórdido coloca em xeque a democracia brasileira.

Existe muita desinformação no ar, por mais que em alguns órgãos do Estado, pessoas de bem contrariem os mandos governamentais, o jogo da informação ainda persiste em desestabilizar, ou como Romeu Tuma Júnior apresentou, “assassinar reputações”.

O episódio da abertura da Copa do Mundo foi um clássico exemplo, que o Lula e o governo federal souberam utilizar. A Presidente Dilma Rousseff é xingada ao extremo. O episódio pode até parecer deselegante e irreal para os padrões brasileiros, mas demonstrou o cansaço da população com tanta deselegância por parte do governo com a própria população. E como o governo saiu pela tangente? Incitando o ódio e o racismo. Como diria o ex-presidente e alguns “jornalistas já preparados”, “a culpa é da elite branca paulista”. Ou a pior, “quase não vi negros na torcida”. Ou a melhor da pior, “aquela não era a torcida brasileira”.

Bom vamos aos fatos. Esta elite branca paulista, salvo os políticos, esportistas famosos, ministros, banqueiros e construtores que tiveram os seus acessos na área VIP do “Itaquerão” bancados pelo governo e pela FIFA, é a elite formada por milhares de descendentes de imigrantes estrangeiros e de migrantes nordestinos que construíram a cidade de São Paulo, e se deram muito bem? Só para entender, que muitos que pagaram uma fortuna para estar ali no “Itaquerão”, no mínimo foram desinformados através da lógica “Vai ter Copa do Mundo no Brasil”. Será esta a elite branca paulista? Já que o governo se sentiu tão ofendido, a solução era muito simples, em vez de Copa do Mundo, investisse em um Projeto de País, ou pelo menos criasse a “Cota Estádio”. Com certeza o coro seria bem diferente. Praticamente todos os “paulistas” de hoje são descendentes de pobres estrangeiros, além dos sofridos nordestinos que chegaram na cidade de São Paulo, e também pelo interior do Estado, e ajudaram a construir com muito suor a riqueza desta região para todo o país. Esta fala de elite branca é criminosa, e lógico uma ofensa. E por sinal, boa parte da torcida, mas boa parte mesmo, é a mesma classe média tão odiada pela professora Marilena Chauí em suas palestras sob patrocínio do partido, e do próprio ex-presidente Lula. É bom lembrar de dois pontos, a história de agressão verbal e assassinato de reputações vem de longe. Lembra das ofensas do Lula contra o ex-Presidente Itamar Franco? Ou do dossiê contra a ex-Primeira Dama, Ruth Cardoso?

xingamentos

Mas voltando aos pontos, segundo dados do IBGE (2010), 5% da população brasileira é negra, assim seria bem difícil ter negros lá no “Itaquerão”. Mas como sempre, e de forma segregadora e racista, o governo esquece mais uma vez dos pardos, que representam 82 milhões de habitantes, contra 91 milhões de habitantes brancos. Assim, é óbvio que o governo não iria ver negros na torcida. Mas por sinal, o que o mesmo fez para trazer os negros para dentro do estádio? Por que o governo não trouxe os descendentes “quilombolas” para assistir aos jogos?

Por Amarildo.

Agora, a pior, ou melhor da pérola da desinformação, “aquela não era a torcida brasileira”, essa sim está correta. Pela violência, as famílias brasileiras não vão aos estádios. As torcidas organizadas, na sua grande maioria envolvidas com tráfico de drogas e crime organizado, dominam os estádios. A violência impera. Assim, a verdadeira torcida brasileira não é aquela do primeiro dia de Copa do Mundo, e não será até o último dia.

Mas estamos assistindo o mesmo ocorrido em São Paulo em outros estádios. Mas a desinformação corre solta, e agora com patrocínios ao sistema de comunicações. Prática bem “Goebbels”. Como diria um amigo, o Brasil vive o momento “jus esperne”, no momento só exercemos o direito de “espernear”, e só.

O Estado está construindo um monstro avassalador contra a democracia brasileira. Lembrei de Daniel Jonah Godhagen e sua fantástica, e também esclarecedora obra, “Os carrascos voluntários de Hitler”, que mostra o quanto cidadãos foram manipulados para a construção do holocausto nazista contra os judeus. Muitos cidadãos alemães, ingênuos e “de bem”, foram literalmente manipulados e levados a prática nefasta do antissemitismo, além da construção do poder do partido nazista e do poder individual de Hitler. Por isso a minha cobrança diária de um Projeto de País e não de poder. Muitas vezes não me sinto brasileiro. Parece que nossa política nacional só é feita para quem atende ao processo de desinformação. Só é brasileiro quem tem bolsa, pertence ou é simpatizante ao partido, ou tem um cargo ajeitado na estrutura pública? Muito se avançou no Brasil, mas por quê insistem em destruir tudo? Ou pelo menos continuar a avançar?

Muitas vezes me pergunto qual a eficiência da democracia brasileira, pois o próprio governo estimula a divisão, a segregação racial, e até mesmo o estímulo ao ódio. Por exemplo, por quê o ex-presidente Lula não se cansa de afirmar que a classe média brasileira não quer ver os pobres acessando comida, transporte e saúde? De onde ele tirou esta idéia coronelista, considerando que a classe média brasileira sempre se originou das bases mais sofríveis deste país? É cada vez mais latente a necessidade de uma democracia com o principio de sociedade bem-ordenada.

O jurista John Rawls lembrou bem disto em sua obra, “Uma teoria da justiça”. Para ele a sociedade bem-ordenada, “é uma sociedade na qual todos aceitam e sabem que os outros aceitam os mesmos princípios de justiça, e as instituições sociais básicas atendem e se sabe que atendem a esses princípios. A justiça como eqüidade está estruturada para estar de acordo com essa idéia de sociedade”. Este ordenamento parece se perder pelas lógicas onde o Estado pode tudo. Hoje muitos analistas estão preocupados com o novo pensamento de “O capital do século XXI” de Thomas Piketty, mas esquecem das lógicas nefastas de István Meszáros com a obra “Para além do Capital”, que após os impactos do final da Guerra Fria, o mesmo compreende novas análises sobre a lógica do capital e do socialismo, considerando inclusive um maior controle social, mesmo que utilizando a força, a manipulação e a desinformação.

E nesta lógica estatal, você começa a desconfiar do volume de informações desencontradas que chegam à sociedade. A lógica racial, a lógica econômica (principalmente no distanciamento entre pobres e classe média), a lógica de projeto de país ou de poder, a lógica de interesse nacional. Por sinal, quais são nossos interesses nacionais? Com a falta de um Projeto de País, nossos interesses estão desconexos.

É difícil aceitar a posição do ex-presidente Lula depois dos ocorridos no jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil. Sua lógica racista e populista, coloca em xeque o real projeto em relação ao Brasil. E agora, o partido aproveitando o momento histórico, correu para fazer uma revisão de posicionamento, onde o ódio não é mais bandeira. No final, a vitima (sociedade) se torna vilã. Como colocar tanto ódio na classe média, e achar que a mesma não quer ver o pobre usufruir do bem público e da sociedade? A classe média brasileira veio da base pobre, e está correndo o risco de voltar para lá. Por sinal, muito bem lembrado por Ricardo Antunes em artigo publicado no Jornal O Estado de São Paulo de domingo passado (15/06/2014), sob o titulo “Direito de se conformar”. Antunes lembrou sobre a classe média: “a ‘nova classe média’ ganha pouco, paga para estudar e depende de um transporte público privatizado e degradado”. Aí vem a pergunta: quem está sendo desrespeitado? A Presidente Dilma, ou os milhares de brasileiros odiados da classe média?

E para concluir a lógica da desinformação estrutural e política, David Martin, através de seu trabalho “Treze Técnicas para Suprimir a Verdade”, lista uma série de pontos importantes que desencadeiam este processo de manipulação para atender o mais nefasto sentimento da política brasileira, o de não aceitar a verdade.

Na desinformação, o vilão se torna vitima rapidamente, este é o objetivo. Pela lógica da técnica do posicionamento do articulador, do vilão vitimado, considera:

–       Não ouça o mal, não veja o mal, não fale o mal;

–       Torne-se incrédulo e indignado;

–       Crie boateiros;

–       Use um espantalho;

–       Desvie os adversários através de xingamentos e ridicularização;

–       Bata e corra;

–       Invoque autoridade;

–       Banque o idiota – ou “nunca saiba de nada”;

–       Fabrique uma nova verdade;

–       Crie distrações maiores;

–       Silencie os críticos.

(em um próximo artigo falarei mais sobre isto)

Acredito que você possa entender bem os pontos destacados, e ver uma linha tênue entre teoria, e o dia-a-dia da política nacional. Em todo processo de desinformação, o “operador” utilizaram jogos de palavras, como por exemplo: “inimigos do povo”, “inimigo interno”, “elite branca”, “elite branca paulista”, entre outras expressões, com cargas de racismo e segregação, principalmente com o intuito de incitar o ódio e a divisão. Uma lógica simples, dividir para ganhar. Bom, poderia aqui citar e citar diversos autores das áreas de inteligência, contra-espionagem e desinformação, ou pelo menos dissecar o trabalho de Vladimir Volkoff, “Pequena história da desinformação”, e ver o quanto os atuais impactos midiáticos e de poder são tão “manjados”.

Este jogo da desinformação ganha corpo com o trabalho da propaganda institucional, e também o uso dos novos “guerrilheiros virtuais”, que alimentam diariamente, e de forma contínua, as redes sociais e os diversos blogs patrocinados com conteúdos manipulados e direcionados, além do uso “criminoso” de imagens e vídeos editados e distorcidos da realidade. Por sinal, as campanhas políticas deste ano serão verdadeiras artilharias de boatos e desinformações. E uma técnica importante de desinformação que será muito utilizada é a técnica de “apelo ao povo”. Se preparem!

E para piorar, o jogo ainda conta com a bagunça institucionalizada da informação. Lembra, um dia antes do inicio da Copa do Mundo, Dilma Rousseff fala em cadeia nacional de rádio e televisão sobre suas conquistas inacabadas, seus projetos, e o possível futuro. No dia seguinte, até o IPEA (ele mesmo, o instituto que já cometeu suas gafes) corrige os dados da presidente, mas até aí o estrago já está feito. Ou mais engraçado ainda, como diria o filosofia presidencial, “nunca na história deste país” se inaugurou tanta obra “inacabada”. Um parênteses, se somarmos as “obras inacabadas”, mais os custos de investimentos e o longo “pay back” dos estádios construídos, o Brasil estará pronto com o projeto de 4 anos atrás somente em 2030. Que coisa, só com 56 anos vou começar a usufruir alguma coisa deste projeto de poder.

No fim a desinformação ganha corpo e tem resultado. Os idiotas úteis são facilmente manipulados, e viram víboras que destilam os venenos e as picadas por todas as redes e comunidades em defesa de um projeto de partido, e não necessariamente de um Projeto de País. Mas logo depois, os mesmos, serão descartados, e o pior, ainda acham válido. Assim, a roda gira mais uma vez para o projeto de poder. Só não podemos esquecer dos artistas atônitos com os xingamentos, mas apóiam descaradamente os Black Blocs e sua anarquia patrocinada e destruidora de patrimônios.

O Blog EXAME Brasil no Mundo, conversou mais uma vez com o ex-Secretário Nacional de Justiça e Delegado Aposentado da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Romeu Tuma Junior. Atualmente, Romeu Tuma Junior exerce a profissão de advogado.

Romeu Tuma Junior, além das credenciais nas áreas de justiça, segurança pública, também é um grande conhecedor da área de inteligência. Com a sua recente obra, “Assassinato de Reputações – um crime de Estado”, Tuma Junior apresenta uma série de acontecimentos onde a desinformação foi utilizada ao extremo por governos e políticos.

Brasil no Mundo: O senhor abre o seu livro, “Assassinato de Reputações – um crime de Estado”, com uma interessante frase de Victor Hugo, “quem poupa a vida do lobo condena à morte as ovelhas”. Sua obra revela muitos detalhes escondidos de nossa recente história, e ao mesmo tempo cobra verdades que devem ser esclarecidas, como por exemplo o caso Celso Daniel. Do lançamento da obra até hoje, como o senhor tem visto o impacto da mesma, e se o “lobo” ainda tem sua vida muito poupada?

Romeu Tuma Júnior: O impacto da obra e as verdades que ela revela, só não é maior porquê, salvo honrosas exceções, a mídia em geral e as instituições que as alimentam com anúncios, são chapa branca. Quanto ao Lobo, sem dúvida. Aliás, parece que temos uma maternidade de Lobos que são paridos no dia-a-dia formando uma alcatéia.

Brasil no Mundo: Parece que o Brasil vive um grande ambiente de desinformação. Muitas informações oficiais desencontradas, sem contar manipulações de dados. Inclusive o próprio IPEA reclassificou a informação da Presidente Dilma Rousseff sobre os pobres assistidos pelo governo federal. Como o senhor analisa estes procedimentos do governo federal, e até mesmo o conjunto de informações desencontradas sobre a realidade do Brasil? Parece que vivemos em um fantástico mundo que não conhecemos?

Romeu Tuma Júnior: Isto faz parte de um estratagema quase que criminoso. Consiste em manipular o sentimento, a sensação e até a expectativa da população através das notícias e dos números. É importante consignar que a desinformação é uma arma tão, ou mais poderosa quanto a informação. Dependendo do uso que você faz de cada uma delas, e com que objetivo, e em que contexto faz isso. A informação, em geral,  serve para prevenção, e a desinformação para uma ação premeditada.

Há diferenças entre desinformação como simples falta de informação, desconhecimento, e a desinformação como a propagação da falsa notícia, do boato, da foto/imagem montada, transformando a desinformação numa informação fraudada. Lembro quando noticiaram falsamente que meu pai havia falecido, faltando 15 dias para as eleições com o objetivo de transferir os votos dele para outros candidatos. Aquela informação noticiada via desinformação foi um golpe fatal na eleição dele. Os boatos de que se um candidato vencer as eleições vai acabar com o programa X ou Y, é a mesma coisa. É um jogo sórdido, porquê primeiro você tem que desmentir a notícia falsa e plantada, e convencer que é falsa, para depois apresentar e firmar sua proposta. Demanda muito mais tempo, energia e uma imensa capacidade de convencimento, em função da desconfiança que fica registrada numa população já cansada de promessas não cumpridas.

Brasil no Mundo: Em seu livro, o senhor desenvolve no capítulo 5 o tema “O projeto de poder de PT de Lula”. O senhor descreve uma série de pontos esclarecedores da construção de um Estado policial, e ao mesmo tempo um projeto privado de poder. Na continuidade do governo Dilma, como o senhor vê este projeto e o que poderá ser nos próximos 4 anos?

Romeu Tuma Júnior: Continua tudo igual. Todas as formas e instrumentos de Estado policial continuam operando. Pior, temos claros sinais de que o Governo tenta aparelhar o Judiciário, o que é a pior Ditadura que se pode ter, a da Justiça. Veja esse decreto ditatorial que foi editado.

Agora a Presidente da República quer botar a PF para investigar as mídias sociais atrás de quem a critica!? Onde vamos parar? O pior é que um membro da comissão de Ética do partido dela, ameaçou de morte o Presidente de um Poder, o Judiciário, veja bem, ameaçou de morte por escrito em público o Presidente da Suprema Corte do país, a PF acha o indivíduo e não acontece nada! A Dilma vai num estádio de futebol, é xingada e quer prender todo mundo, fala sobre “elite branca”, mas a copa não era do e para o povo?

Veja como se aparelha e se instrumentaliza a PF, para quem xinga no campo de futebol, cadeia, para quem quer matar o Presidente do STF, nada. Além do que estão enfraquecendo a instituição criando uma crise, uma guerra entre os Delegados e os Agentes e Escrivães para desestabilizar de vez perante a criminalidade.

Brasil no Mundo: O senhor já apontou de forma efetiva os problemas do grupo empresarial JBS Friboi com o BNDES. O crescimento vertiginoso em pouco tempo levanta suspeitas mais do que óbvias. Seria o próximo grande escândalo? Como o senhor analisa este caso, e também a grande natureza de poucas empresas escolhidas pelo governo darem saltos vertiginosos de crescimento sem ter um modelo de negócio concreto? (veja também o exemplo do Grupo X de Eike Batista)

Romeu Tuma Júnior: São os amigos do Rei. Escolhidos a dedo, criados e alicerçados como castelos de areia que quando chega o vendaval, todo mundo larga na não. Enquanto possível e interessante, são usados, depois descartados. Foi assim com O GRUPO DELTA, está sendo com a JBS/FRIBOI e será com todos aqueles que se propõe a fazer favores indecorosos ao governo e seus parceiros. São os famosos “fraudões” que já me referi, que o governo vai usar e descartar. Exceto quando houver contrapartida, pois aí amarra as partes por período maior. Hoje me parece que é o caso da ODEBRECHT.

É sempre um grande jogo de interesses onde o segredo, o sigilo, a discrição e manter reservas, é a Alma do “negócio”.

Brasil no Mundo: O senhor trabalhou na construção da Política Nacional de Inteligência (PNI), e também denunciou o engavetamento geral por parte da Presidente Dilma Rousseff. Considerando o caso do espião americano, Edward Snowden, e todas as denúncias que enfraquecem a inteligência brasileira e sua contra-espionagem, como o senhor analisa a postura do governo e quais as grandes necessidades do Brasil nesta área?

Romeu Tuma Júnior: Trabalhamos durante um longo período na construção de uma PNI e na reestruturação do SISBIN. Foi feito um trabalho sério, profissional com os maiores especialistas do Estado na matéria.

Isso foi em 2009, e ficou pronto para ser baixado um decreto ou encaminhado para o Congresso no início de 2010, mas até hoje está engavetado no Palácio do Planalto.

É fácil entender. Nisto o Lula pensava diferente da Dilma. Ele havia convivido conosco no Dops e sabia da importância de uma Política de Inteligência para um País, onde você contemple a inteligência de Estado, a de Segurança Pública, a Financeira, e outros ramos. Já a Dilma vem de outra origem. Ela foi militante do terror. Para ela serviço de inteligência é espionagem. Na sua concepção, a ABIN vai espionar ela mesmo por exemplo. Ela não consegue mensurar a inteligência como uma instituição de Estado a serviço do País e das instituições do Brasil, quer sejam do governo quer sejam particulares, mas que produzam riquezas e conhecimentos, que devem ser protegidos pelo Estado.

Veja por exemplo no jogo contra a Croácia. Ela foi se sentar ladeada por dois criminosos internacionais, um dos quais com prisão há anos decretada pela Suprema Corte brasileira. Ora, não tinha alguém para dizer para ela que deveria ficar longe dessa gente, e não se deixar fotografar com eles? Não tinha alguém para mandar sentar pessoas de sua equipe naqueles lugares?

Claro que não. Ela vê na agência de inteligência um órgão inimigo. É típica mentalidade de quem viveu em “aparelhos” terroristas, fugindo de instituições de Estado que buscavam informações preventivas.

É possível que ela sinta-se mais segura em saber do Snowden,  do que o Obama queira saber do Brasil! Creio que se depender dela, o Snowden seria asilado aqui e nomeado chefe de inteligência da Dilma, pois por tradição, no PT quando o tema é esse, sempre arruma uns aloprados.

Brasil no Mundo: Lênin, em toda sua loucura soviética, afirmava: ” Usaremos o ” idiota útil” na linha de frente. Incitaremos o ódio de classes. Destruiremos sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem de nossas mesas. O Estado será Deus”. Com tanta desinformação, “Estado policialesco”, “Assassinato de reputações”, alinhamentos internacionais mais do que suspeitos, decretos com ares soviéticos, manipulações de dados oficiais, e outros projetos de poder e de partido, podemos analisar que o Brasil sofre de um complexo de “idiotas úteis” a favor de um projeto de poder? Existe um futuro ou solução para isso?

Romeu Tuma Júnior: Não são idiotas úteis. Tentam nos fazer de idiotas úteis! Usar o povo como idiotas úteis, massa de manobra.

A coisa é muito mais grave do que parece. Essa tática é calculada milimetricamente para criar uma guerra de classes, de conceitos, de raça, de credos, de origem, tudo com objetivo de demolir as estruturas sociais e regar a desinformação em forma de falsa informação, buscando se perpetuar no poder.

A coisa é muito séria e precisa ser mostrada sem preconceito e sem meias palavras. Ou vai ou racha.

Brasil no Mundo: O senhor tem uma grande experiência na área de inteligência policial internacional, inclusive com grande experiência na Interpol. Como o senhor está avaliando o caso do ex-diretor da Petrobras, o caso Pasadena e também o caso do ex-diretor do Banco do Brasil? O Brasil está colocando em xeque todas as cooperações e relações internacionais na área de inteligência policial internacional?

Romeu Tuma Júnior: Sem dúvida. Os vazamentos seletivos têm dois objetivos muito claros: um é expor eventual casos que envolvam adversários, e com isso atinge-se o segundo objetivo que é infringir cláusulas de sigilo dos acordos de cooperação que inviabilizam novas informações. E qual seriam as novas e graves informações? As relacionadas com gente do governo e aliados do governo.

Brasil no Mundo: Quando teremos o “Assassinato de Reputações – um crime de Estado” – Parte II? E o que podemos esperar?

Romeu Tuma Junior - Fonte: Veja

Romeu Tuma Júnior: Estou trabalhando nele, e um dos capítulos, posso adiantar, será uma prestação de contas mostrando casos e modus operandique denunciei e vem acontecendo e/ou se confirmando após o lançamento do livro.

Meu P.S.: Para terminar, o jogo da desinformação está forte sobre o Decreto 8.243 de 23 de maio de 2014, o mesmo com moldes soviéticos, que cria os conselhos populares. O decreto é “vendido” como Santo do Pau Oco. O “jus esperne” é coisa da “nova direita” como diria o secretário da Presidência. Mas o grande problema é ouvir só o que interessa, e dos grupos de interesses e manipulados pelo próprio governo, sem contar os “idiotas úteis”.

 

 

Originalmente publicado aqui.

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